domingo, 19 de dezembro de 2010

"Kit Gay" para crianças de 7 a 14 anos nas escolas públicas brasileiras


O “kit gay” é um material didático composto de cartilhas, vídeos e folhetos com abordagens do universo de adolescentes homossexuais destinados a combater a homofobia nas escolas públicas no Brasil. O material foi produzido a partir de um convênio entre o Ministério da Educação (MEC), com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e a ONG Comunicação em Sexualidade (Ecos). O kit será distribuído para 6 mil escolas da rede pública brasileira. Mas devido a polêmica gerada em torno do material a previsão de que o material seja distribuído ainda em 2010 foi interrompida.
Parte do material é composto de dois vídeos. No vídeo intitulado “Encontrando Bianca”, um garoto caracterizado como uma menina enfrenta um dilema entre escolher o banheiro feminino ou masculino, ele paquera seu colega do sexo masculino e afirma ter superado o bullying causado pelo comportamento homofóbico. O protagonista da peça se chama José Ricardo, mas gostaria de ser chamado de Bianca e implica com os professores que insistem em chamá-lo de José Ricardo durante a chamada.
O outro vídeo mostra duas garotas lésbicas namorando. O secretário de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do MEC, André Lázaro, afirma que o ministério teve dificuldades para decidir sobre manter ou tirar o beijo lésbico do filme. “Nós ficamos três meses discutindo um beijo lésbico na boca, até onde entrava a língua. Acabamos cortando o beijo”, afirmou o secretário durante a audiência.

Não sou homofóbica, respeito a orientação sexual de cada um, mas a tentativa de querer implantar uma “ditaduta gay” está indo longe demais. Os homossexuais estão querendo ter privilégios que outros cidadãos não possuem. A começar pela PLC 122 que quer criminalizar toda e qualquer opinião contra o comportamento homossexual. Segundo a lei, será considerado “crime a expressão de toda e qualquer opinião moral, filosófica, científica ou religiosa contrária ao homossexualismo". Ora, vivemos em um regime demacrático onde há liberdade de expressão. Podemos criticar qualquer ideologia, seja partidária, religiosa entre outras, menos à que faz referência ao homossexualismo. Punir alguém por manifestar opiniões diferentes é próprio das ditaduras. E isso é inadmissível em um país democrático.
Querem agora impor o comportamento homossexual à crianças a partir dos 7 anos, ora, nesse período as crianças não estão ainda com a personalidade totalmente desenvolvida e ainda não estão aptas para fazem a escolha da opção sexual. Isso é algo que deve vir naturalmente. Essa não é a melhor forma de lidar com o preconceito homossexual. É preciso sim combater a homofobia nas escolas, assim como deve ser combatido todo e qualquer tipo de preconceito às diferenças.
Por Marta Caregnato

 Abaixo assinado para evitar que o kit chegue nas escolas públicas - Somos contra  o KIT GAY



 

Café Filosófico – TV Cultura – “Nietzsche” por Viviane Mosé


Nietzsche - watch more funny videos
Fonte: http://www.funnyordie.com/videos/74cede843b/nietzsche

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

O CONCEITO DE PRAZER EM EPICURO


Por Marta Caregnato
“Que ninguém hesite em se dedicar à filosofia enquanto jovem, nem se canse de fazê-lo depois de velho, porque ninguém jamais é demasiadamente jovem ou demasiadamente velho para alcançar a saúde do espírito. Quem afirma que a hora de filosofar ainda não chegou, ou que já passou, é como se dissesse que ainda não chegou, ou que já passou a hora de ser feliz”. Epicuro, CM, p.21 
“Todas as manhãs a amizade dá volta à terra para despertar os homens e para que eles possam felicitar-se reciprocamente”[1].

O CONCEITO DE PRAZER EM EPICURO[2] E SUA RELAÇÃO COM A PHRÓNESIS

Esse artigo tem como propósito apresentar a ética epicurista a partir da leitura da Carta sobre a felicidade: à Meneceu, de Epicuro.
A ética epicurista é fundamentada no prazer (hedoné). Nesse sentido, a felicidade (eudaiminia) só é alcançada quando se vive uma vida prazerosa. Daí surge uma questão: como é possível uma ética fundamentada no prazer? Isso não levaria o ser humano agir de acordo com interesses individuais? Diante disto como ficaria o outro no âmbito do agir humano?
O epicurismo foi mal interpretado por pessoas que não compreendiam o que ele entendia por prazer. Daí a relevância – a partir do conceito de prazer, tal como foi pensado por Epicuro – de apresentar algumas idéias básicas, que se encontram interligadas e que são fundamentais para a compreensão da ética epicurista: o tetrapharmakon, a hierarquia dos desejos e a autarquéia. A partir destas idéias mostrar como a phrónesis está relacionada ao prazer.
O pensamento proposto pelo filósofo é inovador, entretanto, isto se deve ao vazio espiritual vivido em sua época. Que foi conseqüência do declínio da pólis[3] (Cidade – Estado). Na Atenas do século IV e V todo cidadão era senhor de si, era ele quem formulava a lei, na Assembléia do povo cada um tinha o direito de tomar a palavra aceitando-a ou rejeitando-a. A partir do declínio da pólis – em que esta deixa de ter autonomia, perdendo a sua independência – a lei passa ser decisão do príncipe ou governador. Dissolvendo assim a antiga identidade entre homem e cidadão. Assim, o ideal político perde seu valor.
A juventude de Epicuro coincidiu com essa época, desse modo, o filósofo propõe o recuo da praça pública (ágora) para o Jardim, um refúgio para o espírito.

QUE É METAFÍSICA? - HEIDEGGER

 Versão eletrônica do livro “Que é Metafísica?”
Tradução: Ernildo Stein
Créditos da digitalização: Membros do grupo de discussão Acrópolis (Filosofia)
Homepage do grupo: http://br.egroups.com/group/acropolis/


"Que é metafísica?” — A pergunta nos dá esperanças de que falará sobre a metafísica. Não o faremos. Em vez disso, discutiremos uma determinada questão metafísica. Parece-nos que, desta maneira, nos situaremos imediatamente dentro da metafísica. Somente assim lhe damos a melhor possibilidade de se apresentar a nós em si mesma.
Nossa tarefa inicia-se com o desenvolvimento de uma interrogação metafísica, procura, logo a seguir, a elaboração da questão, para encerrar-se com sua resposta.
O DESENVOLVIMENTO DE UMA INTERROGAÇÃO METAFÍSICA
Considerada sob o ponto de vista do são entendimento humano, é a filosofia, nas palavras de Hegel, o “mundo às avessas’. É por isso que a peculiaridade do que empreendemos requer uma caracterização prévia. Esta surge de uma dupla característica da pergunta metafísica.
De um lado, toda questão metafísica abarca sempre a totalidade da problemática metafísica. Ela é a própria totalidade. De outro, toda questão metafísica somente pode ser formulada de tal modo que aquele que interroga, enquanto tal, esteja implicado na questão, isto é, seja problematizado. Daí tomamos a indicação seguinte: a interrogação metafísica deve desenvolver-se na totalidade e na situação fundamental da existência que interroga. Nossa existência — na comunidade de pesquisadores, professores e estudantes — é determinada pela ciência.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Declaração de Paris para a Filosofia

 "Nós, participantes das jornadas internacionais de estudo "Filosofia e democracia no mundo", organizadas pela UNESCO, que ocorreram em Paris, nos dias 15 e 16 de fevereiro de 1995,

"Constatamos que os problemas de que trata a filosofia são os da vida e da existência dos homens considerados universalmente,
"Estimamos que a reflexão filosófica pode e deve contribuir para a compreensão e conduta dos afazeres humanos,
"Consideramos que a atividade filosófica, que não subtrai nenhuma idéia à livre discussão, que se esforça em precisar as definições exatas das noções utilizadas, em verificar a validade dos raciocínios, em examinar com atenção os argumentos dos outros, permite a cada um aprender a pensar por si mesmo,
"Sublinhamos que o ensino de filosofia favorece a abertura do espírito, a responsabilidade cívica, a compreensão e a tolerância entre os indivíduos e entre os grupos,
"Reafirmamos que a educação filosófica, formando espíritos livres e reflexivos - capazes de resistir às diversas formas de propaganda, de fanatismo, de exclusão e de intolerância - contribui para a paz e prepara cada um a assumir suas responsabilidades face às grandes interrogações contemporâneas, notadamente no domínio da ética,
"Julgamos que o desenvolvimento da reflexão filosófica, no ensino e na vida cultural, contribui de maneira importante para a formação de cidadãos, no exercício de sua capacidade de julgamento, elemento fundamental de toda democracia.
"É por isso que, engajando-nos em fazer tudo o que esteja em nosso poder - nas nossas instituições e em nossos respectivos países - para realizar tais objetivos, declaramos que:
"Uma atividade filosófica livre deve ser garantida por toda parte - sob todas as formas e em todos os lugares onde ela possa se exercer - a todos os indivíduos;
"O ensino de filosofia deve ser preservado ou estendido onde já existe, criado onde ainda não exista, e denominado explicitamente 'filosofia';
"O ensino de filosofia deve ser assegurado por professores competentes, especialmente formados para esse fim, e não pode estar subordinado a nenhum imperativo econômico, técnico, religioso, político ou ideológico;
"Permanecendo totalmente autônomo, o ensino de filosofia deve ser, em toda parte onde isto é possível, efetivamente associado - e não simplesmente justaposto - às formações universitárias ou profissionais, em todos os domínios;
"A difusão de livros acessíveis a um largo público, tanto por sua linguagem quanto por seu preço de venda, a geração de emissões de rádio ou de televisão, de audiocassetes ou videocassetes, a utilização pedagógica de todos os meios audiovisuais e informáticos, a criação de múltiplos espaços de debates livres, e todas as iniciativas susceptíveis de fazer aceder um maior número a uma primeira compreensão das questões e dos métodos filosóficos devem ser encorajadas, a fim de constituir uma educação filosófica de adultos;
"O conhecimento das reflexões filosóficas das diferentes culturas, a comparação de seus aportes respectivos e a análise daquilo que os aproxima e daquilo que os opõe, devem ser perseguidos e sustentados pelas instituições de pesquisa e de ensino;
"A atividade filosófica, como prática livre da reflexão, não pode considerar alguma verdade como definitivamente alcançada, e incita a respeitar as convicções de cada um; mas ela não deve, em nenhum caso, sob pena de negar-se a si mesma, aceitar doutrinas que neguem a liberdade de outrem, injuriando a dignidade humana e engendrando a barbárie.
"Esta declaração foi subscrita por:
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