Filosofia - Ensino Médio





Roteiros de Atividades

Filosofia - Ensino Médio

Natureza e cultura I - O caçador de andróides
Natureza e cultura II - O mito de Prometeu
Corpo e psiquismo I - Introdução
Corpo e psiquismo II - A posição dualista
Corpo e psiquismo III - A posição monista
Ser e Dever Ser I - Juízos de fato e juízos de valor
Ser e Dever Ser II - Ações e escolhas
Universalidade e Relatividade dos Valores I - Problematizando
Universalidade e Relatividade dos Valores II - Diversidade cultural e etnocentrismo
10 Liberdade e Determinismo I - O determinismo
11 Liberdade e Determinismo II - O livre arbítrio
12 Liberdade e Determinismo III - Fatores condicionantes da ação
13 Indivíduo e comunidade I - Conflito
14 Indivíduo e comunidade II - Lei e Justiça
15 Verdade e validade I - Lógica e argumentação - Conceitos fundamentais
16 Verdade e validade II - Verdade, validade e correção
17 A emergência da Filosofia I - Formação da pólis
18 A emergência da Filosofia II - Relação entre mito e lógos
19 Filosofia e outros saberes I - Conhecimento comum e conhecimento científico
20 Filosofia e outros saberes II - Formas de racionalidade
21 Teoria e Experiência I - Introdução
22 Teoria e Experiência II - O problema da indução
23 Objetividade e verdade I - O problema da objetividade

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SUGESTÕES DE QUESTÕES DE FILOSOFIA:

01- (UEL Conh. Ger. 2006) Durante séculos, houve controvérsias sobre a forma do planeta e sua representação. A idéia do contorno da Terra, na Grécia Clássica, foi influenciada por concepções filosóficas acerca da esfera, considerada a mais perfeita das formas. No medievo, o uso das sagradas escrituras como fonte de conhecimento sobre o planeta gerou críticas severas aos defensores de concepções pagãs. No século XVI, a primeira circunavegação comprovou a esfericidade do planeta, passível de visualização desde 1960, com a corrida espacial e o desenvolvimento da televisão. Com base no texto e nos conhecimentos sobre o tema, considere as afirmativas a seguir.
I. O conhecimento especulativo produzido na antiguidade clássica e no medievo tanto aproximadas quanto distantes da forma real do planeta.
II. As representações cartográficas produzidas na Europa medieval eram descoladas da mentalidade da época, na qual predominava uma cosmografia baseada em expedições voltadas ao conhecimento do mundo natural.
III. As representações da superfície da Terra, a partir do Renascimento, tinham estreitas relações com conhecimentos experimentais e ampliaram a concepção predominante na antiguidade clássica sobre a forma do planeta.
IV. A imagem da Terra vista do espaço, sintetizada na frase de Yuri Gagarin: “a Terra é azul”, contribuiu para aprofundar a idéia da fragilidade e finitude do planeta.
Estão corretas apenas as afirmativas:
a) I e II.
b) II e IV.
c) III e IV.
d) I, II e III.
e) I, III e IV.

02- (UEL Conh. Ger. 2006) A nova compreensão de mundo que surge com os recursos provenientes das formas geométricas, na passagem da Idade Média para a Idade Moderna, pode ser observada na seguinte afirmação: o triângulo constituído pelos vértices “Homem- Natureza- Deus” apresenta em sua base a relação Homem e Natureza, que assume uma extensão infinita, considerando que o vértice (Deus) coincide com a base, transformando o triângulo em uma reta infinita. (Adaptado de: ANDRÉ, João Maria. Homem e Natureza em Nicolau de Cusa. In: Veritas, Porto Alegre, v. 44, n.3, p. 805, set. 1999.) Com base no texto e considere as afirmativas a seguir.
I. A relação Homem-Natureza é indicada na base do triângulo, sendo que o primeiro lê e interpreta a segunda, sem desconsiderar Deus, que garante essa base geométrica.
III. O conhecimento humano desconsidera a transcendência e limita-se à verdade natural, que é construída pela decifração do universo,
IV. O homem, em sua atividade criadora, abre-se ao mundo natural e à crença no divino, buscando, além do mundo, assegurar sentido para a existência humana.
Estão corretas apenas as afirmativas:
a) I e II.
b) I e III.
c) III e IV.
d) I, II e IV.
e) II, III e IV.

03- (UEL Conh. Ger. 2006) “Sabe-se que para Hegel a História Universal não recobre o curso empírico da humanidade. A História propriamente dita nasce apenas com o Estado, quando a vida social ganha uma forma sob o efeito desta instância que confere a seus elementos expressão pública e consciência. Somente então é assegurada a permanência do sentido.” (LEFORT, Claude. As formas da História. Ensaios de Antropologia Política. São Paulo: Brasiliense, 1990. p. 37). Com base no texto, considere as afirmativas a seguir.
I. Hegel partia do mundo empírico para explicar a História.
II. Segundo Hegel, a formação da consciência se dá com o surgimento do Estado.
III. Hegel, ao analisar o surgimento da História, desconsidera a organização do Estado.
IV. A noção de Estado só ganha sentido se relacionada à dimensão da vida social.
Estão corretas apenas as afirmativas:
a) I e II.
b) II e IV.
c) III e IV.
d) I, II e III.
e) I, III e IV.

04- (UEL Conh. Ger. 2006) Hylé é uma palavra grega, empregada na antiguidade para se referir às florestas de onde eram extraídas as árvores utilizadas na construção de embarcações marítimas. Essa palavra carrega consigo a significação de matéria apropriada para receber uma forma. A indeterminação da matéria possibilita a recepção de uma forma que lhe dê feição e a constitua em algo. (Adaptado de: FARIA, M.C. Bettencourt. Aristóteles: a plenitude como horizonte do ser. São Paulo: Moderna, 1994. p. 44.) Com base no texto e nos conhecimentos sobre matéria e forma em Aristóteles, é correto afirmar:
a) A forma é dispensável quando se trata de perceber e conhecer a natureza das coisas.
b) Enquanto a matéria é aquilo que permite que se faça algo, a forma é o que constitui a matéria em algo.
c) A maneira como os objetos são constituídos independe da matéria, e a forma se limita a circunscrever a feitura estética.
d) Naquilo que foge à atuação da natureza, a junção de matéria e forma na construção de objetos prescinde da ação humana.
e) A realidade física é constituída ou de matéria ou de forma, sem que haja a necessidade de compreendê-la como um composto de ambas.

05- (UEL Conh. Ger. 2006) Nos textos de Sófocles, há uma separação entre a noção de tempo dos deuses e a dos homens, porém o tempo dos deuses presta conta do tempo dos homens. Em Édipo rei, é possível perceber como ocorre a inclusão do tempo humano no tempo divino, uma vez que no início da peça, sem que ninguém ainda saiba, tudo já aconteceu. “Tempo dos deuses e tempo dos homens se encontram quando a verdade vem à tona. Após ter-se cegado, Édipo pode dizer: ‘Apolo, meus amigos! Sim, é Apolo que me inflige, nessa hora, essas atrozes, essas atrozes desgraças que são meu fardo, meu fardo daqui em diante. Mas nenhuma outra mão além da minha agiu, infeliz’. A oposição dessas duas categorias temporais é, em si, muito mais antiga que os trágicos, mas o palco trágico é precisamente o lugar onde os dois tempos, inicialmente disjuntos, se encontram”. (VERNANT, Jean-Pierre; NAQUET, Pierre Vidal. Mito e Tragédia na Grécia Antiga. São Paulo: Perspectiva, 1999, p. 278.) Com base no texto e nos conhecimentos sobre a concepção de tempo de Sófocles, é correto afirmar:
a) A noção de tempo praticado no horizonte cultural de cada povo independe do tempo dos deuses.
b) A compreensão do tempo na tragédia está relacionada com o desenrolar dos acontecimentos humanos que se vinculam à eternidade.
c) A punição pelas transgressões excluía o tempo compreendido como eternidade.
d) O tempo é suprimido das conseqüências advindas das ações dos personagens e das determinações do destino.
e) A imortalidade é uma das características partilhadas por homens e deuses como decorrência do encontro entre tempo divino e humano.

06- (UEL Conh. Ger. 2006) “No Renascimento [...] o Tempo, Dom de Deus, transformou-se em Tempo, Servidor dos homens, pois os mercadores passaram a usá-lo, na sociedade urbana que se instalava na Europa ocidental, tanto como medida do tempo de trabalho do operário, [...] rompendo com o esquema do dia natural, como em elemento de cálculo de lucro, permitindo o ganho em cima do tempo. [...] Nos dias atuais, tempo é Senhor, pois os seres humanos estão escravizados ao Tempo, são seus servidores, e, quanto mais ocupado o tempo, tanto mais importante social e economicamente o homem é.” (GLEZER, Raquel. História em Debate. Rio de Janeiro: CNPq, 1991. p.263, 267.) Com base no texto e nos conhecimentos sobre o tema, considere as afirmativas a seguir.
I. O tempo, enquanto construção social, é uma convenção estabelecida pelo próprio ser humano, havendo várias maneiras de interpretar as experiências passadas.
II. Para Newton, a natureza do tempo é um dado relativo do mundo criado, um dado modificável da natureza humana.
III. “Ganhar” ou “perder tempo” são expressões herdadas das sociedades da antiguidade, nas quais existia a necessidade de medir matematicamente e com exatidão o tempo das atividades humanas.
IV. O tempo na modernidade é o tempo seqüencial, composto por séries rígidas, encadeado por gestos, operações, controles, para que renda plenamente.
Estão corretas apenas as afirmativas:
a) I e II.
b) I e IV.
c) II e III.
d) I, III e IV.
e) II, III e IV.

07-(UEL Conh. Ger. 2006) Para Platão, havia outra forma de conhecer além daquela proveniente da experiência. Em sua Teoria da Reminiscência, a razão é valorizada como meio de acesso ao inteligível. De acordo com a Teoria da Reminiscência de Platão, é correto afirmar que o conhecimento é:
a) Proveniente da percepção sensível, na qual os sentidos retêm informações evidentes sobre o mundo material.
b) Originado da ação que os objetos exercem sobre os órgãos dos sentidos, produzindo um conhecimento inquestionável do ponto de vista da razão.
c) Reconhecido mediante intuição intelectual, ao se referir às idéias adquiridas anteriormente e relembradas na vida presente.
d) Fruto da ação divina que, por meio da iluminação interior, revela ao ser humano verdades eternas.
e) Estruturado empiricamente como condição para a realização das atividades da razão.

08- (UEL Conh. Ger. 2006) De acordo com Kant, o ato de conhecer é efetuado por meio da relação sujeito e objeto, em que se fixam dois pressupostos fundamentais. Por um lado, objetos que possam ser percebidos; por outro, o sujeito que assimila a representação dos objetos. O sujeito apreende as representações numa ordem de sucessão, pois se estas ocorressem de forma simultânea, não seria possível processar o conhecimento dos objetos. Assim, uma das condições para assegurar o conhecimento empírico envolve, já na própria estrutura do sujeito, uma dimensão a priori de temporalidade. Com base no texto, é correto afirmar:
a) A construção do conhecimento empírico dispensa a incorporação, pelo indivíduo, de dimensões temporais.
b) O tempo é apreendido empiricamente a partir dos sinais de degeneração e envelhecimento dos objetos.
c) O tempo é anterior à experiência e condição para que o conhecimento dos objetos aconteça numa seqüência regular e uniforme.
d) A existência do tempo é condicionada aos objetos, os quais garantem a noção de temporalidade do sujeito.
e) A relatividade da noção de tempo resulta do movimento contingente dos objetos e da percepção do sujeito.

09- (UEL Conh. Ger. 2006) “[...] o principal privilégio do capitalismo, hoje como ontem, continua sendo a liberdade de escolha – um privilégio que tem a ver simultaneamente com sua posição social dominante, com o peso de seus capitais, com suas capacidades de empréstimo, com sua rede de informações e, em igual medida, com os vínculos que, entre os membros de uma minoria poderosa, por mais dividida que esteja por obra do jogo da concorrência, cria uma série de regras e de cumplicidades. [...] o capitalismo tem a capacidade, a qualquer momento, de mudar de rumo: é o segredo de sua vitalidade. [...] Quando há grandes crises, muitos capitalistas sucumbem, mas outros sobrevivem, outros instalam-se.” (BRAUDEL, Fernand. Civilização material, economia e capitalismo séculos XV-XVIII. v. 3. São Paulo: Martins Fontes, 1996. p.578.) Com base no texto e nos conhecimentos sobre o tema, considere as afirmativas a seguir.
I. A concorrência encontra na rede de informações seu principal obstáculo e diminui a vitalidade do capitalismo.
II. O privilégio da liberdade de escolha confere vitalidade ao capitalismo, mesmo em tempos de crise.
III. As capacidades de empréstimo e as redes de informações do capitalismo dificultam sua recuperação após períodos de crise.
IV. A elite capitalista, diante das crises, por mais dividida que esteja, consegue criar uma série de regras e cumplicidades.
Estão corretas apenas as afirmativas:
a) I e II.
b) I e III.
c) II e IV.
d) I III e IV.
e) II, III e IV.

10- (UEL Conh. Ger. 2006) Walter Benjamin, filósofo alemão, dizia reconhecer o “anjo da história” no quadro Angelus novus de Paul Klee. Sobre o quadro, disse: “O anjo da história deve ter esse aspecto. Seu rosto está dirigido para o passado. Onde nós vemos uma cadeia de acontecimentos, ele vê uma catástrofe única, que acumula incansavelmente ruína sobre ruína e as dispersa a nossos pés. Ele gostaria de deter-se para acordar os mortos e juntar os fragmentos. Mas uma tempestade sopra do paraíso e prende-se em suas asas com tanta força que ele não pode mais fechá-las. Essa tempestade o impele irresistivelmente para o futuro, ao qual ele vira as costas, enquanto o amontoado de ruínas cresce até o céu. Essa tempestade é o que chamamos progresso.” (BENJAMIN, Walter. Magia e técnica, arte e política. Obras escolhidas. São Paulo: Brasiliense, 1986. p. 226.) Com base na imagem “Angelus novus” e no texto, é correto afirmar que Walter Benjamin:
a) Defende a concepção de progresso baseada na idéia de separação de um tempo homogêneo e vazio em relação à história.
b) Vivendo os conflitos da globalização, acusa a História por esta voltar-se apenas para o passado, desconsiderando, assim, os benefícios do progresso no futuro.
c) Influenciado por uma era de guerras, carrega um pessimismo implícito, percebendo a história como tragédia.
d) Entende a época da produção da pintura e do texto, como um período marcado pelo otimismo, pelo progresso humano e pela esperança no futuro.
e) Concebe o progresso como um processo histórico reversível, apesar de criticá-lo.

11- (UEL Conh. Ger. 2006) Walter Benjamin usa a alegoria, o “anjo da história”, para criticar uma noção de processo histórico muito em voga no final do século XIX e início do século XX. Em sua obra, que pretendia ser uma grande arqueologia da época moderna, Benjamin faz uma tripla crítica: ao triunfo da burguesia, ao culto da mercadoria e à fé no progresso. Ele critica uma visão que assimila o progresso da humanidade estritamente ao progresso técnico e que propaga um determinismo no qual a libertação seria um acontecimento garantido pelo curso natural da história. A partir dessa crítica, ele propõe uma outra visão sobre o processo histórico. Com base no texto e nos conhecimentos sobre o tema, é correto afirmar que para o autor:
a) A história deve permitir reativar, no presente, aspectos do passado, a fim de retomar uma  história inacabada.
b) A diacronia cria um tipo de inteligibilidade em que os acontecimentos futuros podem ser previstos e assegurados.
c) As sociedades se desenvolvem progressivamente e os eventos devem ser
tomados como causas e conseqüências.
d) A história é uma seqüência linear de eventos associada a um movimento numa direção discernível.
e) A história é uma sucessão de sistemas socioculturais que evoluem dos mais simples aos mais complexos.

12- (UEL Conh. Ger. 2006) A maioria dos relógios atuais tem como princípio de funcionamento a contagem do número de vezes que um determinado processo repetitivo ocorre. Por volta de 1582, na Catedral de Pisa, Itália, Galileu Galilei percebeu que as oscilações de uma lâmpada (lustre) pendurada ao teto eram sempre iguais, fenômeno que ficou conhecido como isosincronismo das oscilações do pêndulo. Ainda hoje, esta é a idéia usada na maioria dos relógios. Assinale a alternativa que corresponde a uma propriedade essencial do pêndulo descoberta por Galileu.
a) O período de oscilação independe do comprimento da haste.
b) A freqüência de oscilação depende da massa do pêndulo.
c) A freqüência de oscilação independe do comprimento da haste, enquanto que o período depende da massa do pêndulo.
 d) A amplitude de oscilação é determinada pela massa do pêndulo e independe do impulso inicial.
e) Para pequenas oscilações, o período e a freqüência do pêndulo independem do impulso inicial.

13- (UEL Conh. Ger. 2006) Sobre o lugar social da mulher no contexto do pensamento dos filósofos gregos clássicos, é correto afirmar:
a) Na Polis grega, as mulheres deveriam restringirse à execução das tarefas domésticas, cabendo aos cidadãos a atuação na vida política, jurídica e administrativa.
b) Pelo fato de as mulheres possuírem habilidades diferentes em relação aos homens, Platão lhes concede tarefas menos exigentes, tais como o cuidado do lar e o exercício da filosofia.
c) Para Aristóteles, a justiça como eqüidade, se aplica também à esfera doméstica, devendo as mulheres receber tratamento baseado nos mesmos princípios válidos para os cidadãos.
d) Era consenso que a mulher deveria atuar, além da esfera privada, também na esfera pública, tendo o direito de influenciar nas decisões políticas.
e) Entendia-se que a tarefa das mulheres, que assumiam postos de liderança na Polis, era a de gerar filhos saudáveis para o Estado.

14- (UEL Conh. Ger. 2006) Desde a época de Aristóteles, especula-se sobre os mecanismos envolvidos na determinação do sexo dos humanos. Acreditava-se que o sexo do embrião era definido por fatores como a nutrição materna. A partir dos estudos sobre herança mendeliana, divisão celular e comportamento dos cromossomos na meiose, comprovou-se que a determinação do sexo decorre de uma constituição cromossômica específica. Com base nos conhecimentos sobre o tema, é correto afirmar:
a) O sexo genético é determinado na fecundação, quando ocorre a fusão dos núcleos masculino e feminino.
b) Os cromossomos autossômicos são os responsáveis pela determinação do sexo genético do indivíduo.
c) A probabilidade de o genitor masculino produzir gametas do tipo Y é maior que a do tipo X.
d) O embrião XX desenvolverá testículos e o embrião XY desenvolverá ovários.
e) O sexo genético é determinado pelo número de cromossomos X presentes no embrião.

15- (UEL Esp. 2005) Sobre a passagem do mito à filosofia, na Grécia Antiga, considere as afirmativas a seguir.
I. Os poemas homéricos, em razão de muitos de seus componentes, já contêm características essenciais da compreensão de mundo grega que, posteriormente, se revelaram importantes para o surgimento da filosofia.
II. O naturalismo, que se manifesta nas origens da filosofia, já se evidencia na própria religiosidade grega, na medida em que nem homens nem deuses são compreendidos como perfeitos.
III. A humanização dos deuses na religião grega, que os entende movidos por sentimentos similares aos dos homens, contribuiu para o processo de racionalização da cultura grega, auxiliando o desenvolvimento do pensamento filosófico e científico.
IV. O mito foi superado, cedendo lugar ao pensamento filosófico, devido à assimilação que os gregos fizeram da sabedoria dos povos orientais, sabedoria esta desvinculada de qualquer base religiosa. Estão corretas apenas as afirmativas:
a) I e II.
b) II e IV.
c) III e IV.
d) I, II e III.
e) I, III e IV.

16- (UEL Esp. 2005) “- Mas a cidade pareceu-nos justa, quando existiam dentro dela três espécies de naturezas, que executavam cada uma a tarefa que lhe era própria; e, por sua vez, temperante, corajosa e sábia, devido a outras disposições e qualidades dessas mesmas espécies. É verdade. Logo, meu amigo, entenderemos que o indivíduo, que tiver na sua alma estas mesmas espécies, merece bem, devido a essas mesmas qualidades, ser tratado pelos mesmos nomes que a cidade”. (PLATÃO. A República.Trad. de Maria Helena da Rocha Pereira. 7ª. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1993. p. 190.) Com base no texto e nos conhecimentos sobre a justiça em Platão, é correto afirmar:
a) As pessoas justas agem movidas por interesses ou por benefícios pessoais, havendo a possibilidade de ficarem invisíveis aos olhos dos outros.
b) A justiça consiste em dar a cada indivíduo aquilo que lhe é de direito, conforme o princípio universal de igualdade entre todos os seres humanos, homens e mulheres.
c) A verdadeira justiça corresponde ao poder do mais forte, o qual, quando ocupa cargos políticos, faz as leis de acordo com os seus interesses e pune a quem lhe desobedece.
d) A justiça deve ser vista como uma virtude que tem sua origem na alma, isto é, deve habitar o interior do homem, sendo independente das circunstâncias externas.
e) Ser justo equivale a pagar dívidas contraídas e restituir aos demais aquilo que se tomou emprestado, atitudes que garantem uma velhice feliz.

17- (UEL Esp. 2005) “A busca da ética é a busca de um ‘fim’, a saber, o do homem. E o empreendimento humano como um todo, envolve a busca de um ‘fim’: ‘Toda arte e todo método, assim como toda ação e escolha, parece tender para um certo bem; por isto se tem dito, com acerto, que o bem é aquilo para que todas as coisas tendem’. Nesse passo inicial de a Ética a Nicômacos está delineado o pensamento fundamental da Ética. Toda atividade possui seu fim, ou em si mesma, ou em outra coisa, e o valor de cada atividade deriva da sua proximidade ou distância em relação ao seu próprio fim”. (PAIXÃO, Márcio Petrocelli. O Problema da felicidade em Aristóteles: a passagem da ética à dianoética aristotélica no problema da felicidade. Rio de Janeiro: Pós-Moderno, 2002. p. 33-34.) Com base no texto e nos conhecimentos sobre a ética em Aristóteles, considere as afirmativas a seguir.
I. O “fim” último da ação humana consiste na felicidade alcançada mediante a aquisição de honrarias oriundas da vida política.
II. A ética é o estudo relativo à excelência ou à virtude própria do homem, isto é, do “fim” da vida humana.
III. Todas as coisas têm uma tendência para realizar algo, e nessa tendência encontramos seu valor, sua virtude, que é o “fim” de cada coisa. IV. Uma ação virtuosa é aquela que está em acordo com o dever, independentemente dos seus “fins”.
Estão corretas apenas as afirmativas:
a) I e IV.
b) II e III.
c) III e IV.
d) I, II e III.
e) I, II e IV.
18- (UEL Esp. 2005) “Poder-se-ia [...] acrescentar à aquisição do estado civil a liberdade moral, única a tornar o homem verdadeiramente senhor de si mesmo, porque o impulso do puro apetite é escravidão, e a obediência à lei que se estatui a si mesma é liberdade”. (ROUSSEAU, Jean- Jacques. Do contrato social. Trad. de Lourdes Santos Machado. São Paulo: Nova Cultural, 1987. p. 37.) Com base no texto e nos conhecimentos sobre a liberdade em Rousseau, é correto afirmar:
a) As leis condizentes com a liberdade moral dos homens devem atender aos seus apetites.
b) A liberdade adquire sentido para os homens na medida em que eles podem desobedecer às leis.
c) O homem livre obedece a princípios, independentemente de eles também valerem para a sociedade.
d) O homem afirma sua liberdade quando obedece a uma lei que prescreve para si mesmo.
e) É no estado de natureza que o homem pode atingir sua verdadeira liberdade

19- (UEL Esp. 2005) “É na verdade conforme ao dever que o merceeiro não suba os preços ao comprador inexperiente, e quando o movimento do negócio é grande, o comerciante esperto também não faz semelhante coisa, mas mantém um preço fixo geral para toda a gente, de forma que uma criança pode comprar em sua casa tão bem como qualquer outra pessoa. É-se, pois servido honradamente; mas isto ainda não é bastante para acreditar que o comerciante tenha assim procedido por dever e princípios de honradez; o seu interesse assim o exigia; mas não é de aceitar que ele além disso tenha tido uma inclinação imediata para os seus fregueses, de maneira a não fazer, por amor deles, preço mais vantajoso a um do que outro”. (KANT, Immanuel. Fundamentação da metafísica dos costumes.Trad. de Paulo Quintela. São Paulo: Abril Cultural, 1980.p. 112.) Com base no texto e nos conhecimentos sobre o conceito de dever em Kant, considere as afirmativas a seguir, sobre a ação do merceeiro.
I. É uma ação correta, isto é, conforme o dever.
II. É moral, pois revela honestidade na relação com seus clientes.
III. Não é uma ação por dever, pois sua intenção é egoísta.
IV. É honesta, mas motivada pela compaixão aos semelhantes.
Estão corretas apenas as afirmativas:
a) I e II.
b) I e III.
c) II e IV.
d) I, III e IV.
e) II, III e IV.

20- (UEL Esp. 2005) “Tudo na natureza age segundo leis. Só um ser racional tem a capacidade de agir segundo a representação das leis, isto é, segundo princípios, ou: só ele tem uma vontade. Como para derivar as ações das leis é necessária a razão, a vontade não é outra coisa senão razão prática. Se a razão determina infalivelmente a vontade, as ações de um tal ser, que são conhecidas como objetivamente necessárias, são também subjetivamente necessárias, isto é, a vontade é a faculdade de escolher só aquilo que a razão independentemente da inclinação, reconhece como praticamente necessário, quer dizer bom”. (KANT, Immanuel. Fundamentação da metafísica dos costumes. Trad. de Paulo Quintela. Lisboa: Edições 70, 1995. p. 47.) Com base no texto e nos conhecimentos sobre a liberdade em Kant, considere as afirmativas a seguir.
I. A liberdade, no sentido pleno de autonomia, restringe-se à independência que a vontade humana mantém em relação às leis da natureza.
II. A liberdade configura-se plenamente quando a vontade humana vincula-se aos preceitos da vontade divina.
III. É livre aquele que, pela sua vontade, age tanto objetivamente quanto subjetivamente, por princípios que são válidos para todos os seres racionais.
IV. A liberdade é a capacidade de o sujeito dar a si a sua própria lei, independentemente da causalidade natural.
Estão corretas apenas as afirmativas:
a) I e II.
b) II e III.
c) III e IV.
d) I, II e IV.
e) I, III e IV.

21- (UEL Esp. 2005) “A escolha dos ministros por parte de um príncipe não é coisa de pouca importância: os ministros serão bons ou maus, de acordo com a prudência que o príncipe demonstrar. A primeira impressão que se tem de um governante e da sua inteligência, é dada pelos homens que o cercam. Quando estes são eficientes e fiéis, pode-se sempre considerar o príncipe sábio, pois foi capaz de reconhecer a capacidade e manter fidelidade. Mas quando a situação é oposta, pode-se sempre dele fazer mau juízo, porque seu primeiro erro terá sido cometido ao escolher os assessores”. (MAQUIAVEL, Nicolau. O Príncipe. Trad. de Pietro Nassetti.São Paulo: Martin Claret, 2004. p. 136.) Com base no texto e nos conhecimentos sobre Maquiavel, é correto afirmar:
a) As atitudes do príncipe são livres da influência dos ministros que ele escolhe para governar.
b) Basta que o príncipe seja bom e virtuoso para que seu governo obtenha pleno êxito e seja reconhecido pelo povo.
c) O povo distingue e julga, separadamente, as atitudes do príncipe daquelas de seus ministros.
d) A escolha dos ministros é irrelevante para garantir um bom governo, desde que o príncipe tenha um projeto político perfeito.
e) Um príncipe e seu governo são avaliados também pela escolha dos ministros.

22- (UEL Esp. 2005) “Hobbes realiza o esforço supremo de atribuir ao contrato uma soberania absoluta e indivisível [...]. Ensina que, por um único e mesmo ato, os homens naturais constituem-se em sociedade política e submetem-se a um senhor, a um soberano. Não firmam contrato com esse senhor, mas entre si. É entre si que renunciam, em proveito desse senhor, a todo o direito e toda liberdade nocivos à paz”. (CHEVALLIER, Jean-Jacques. As grandes obras políticas de Maquiavel a nossos dias. Trad. de Lydia Cristina. 7. ed. Rio de Janeiro: Agir, 1995. p. 73.) Com base no texto e nos conhecimentos sobre o contrato político em Hobbes, considere as afirmativas a seguir.
I. A renúncia ao direito sobre todas as coisas deve ser recíproca entre os indivíduos.
II. A renúncia aos direitos, que caracteriza o contrato político, significa a renúncia de todos os direitos em favor do soberano.
III. Os procedimentos necessários à preservação da paz e da segurança competem aos súditos cidadãos.
IV. O contrato que funda o poder político visa pôr fim ao estado de guerra que caracteriza o estado de natureza.
Estão corretas apenas as afirmativas:
a) I e II.
b) I e IV.
c) II e III.
d) I, III e IV.
e) II, III e IV.

23- (UEL Esp. 2005) “Se todos os homens são, como se tem dito, livres, iguais e independentes por natureza, ninguém pode ser retirado deste estado e se sujeitar ao poder político de outro sem o seu próprio consentimento. A única maneira pela qual alguém se despoja de sua liberdade natural e se coloca dentro das limitações da sociedade civil é através do acordo com outros homens para se associarem e se unirem em uma comunidade para uma vida confortável, segura e pacífica uns com os outros, desfrutando com segurança de suas propriedades e melhor protegidos contra aqueles que não são daquela comunidade”. (LOCKE, John. Segundo tratado sobre o governo civil.Trad. de Magda Lopes e Marisa Lobo da Costa. Petrópolis: Vozes, 1994. p.139.) Com base no texto e nos conhecimentos sobre o contrato social em Locke, considere as afirmativas a seguir.
I. O direito à liberdade e à propriedade são dependentes da instituição do poder político.
II. O poder político tem limites, sendo legítima a resistência aos atos do governo se estes violarem as condições do pacto político.
III. Todos os homens nascem sob um governo e, por isso, devem a ele submeter-se ilimitadamente.
IV. Se o homem é naturalmente livre, a sua subordinação a qualquer poder dependerá sempre de seu consentimento.
Estão corretas apenas as afirmativas:
a) I e II.
b) I e III.
c) II e IV.
d) I, III e IV.
e) II, III e IV.

24- (UEL Esp. 2005) “O verdadeiro fundador da sociedade civil foi o primeiro que, tendo cercado um terreno, lembrou-se de dizer isto é meu e encontrou pessoas suficientemente simples para acreditá-lo. Quantos crimes, guerras, assassínios, misérias e horrores não pouparia ao gênero humano aquele que, arrancando as estacas ou enchendo o fosso, tivesse gritado a seus semelhantes: ‘Defendei-vos de ouvir esse impostor; estareis perdidos se esquecerdes que os frutos são de todos e que a terra não pertence a ninguém!’”. (ROUSSEAU, Jean- Jacques. Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens. Trad. de Lourdes Santos Machado. São Paulo: Nova Cultural, 1997. p. 87.) Com base no texto e nos conhecimentos sobre o pensamento político de Rousseau, é correto afirmar:
a) A desigualdade é um fato natural, autorizada pela lei natural, independentemente das condições sociais decorrentes da evolução histórica da humanidade.
b) A finalidade da instituição da sociedade e do governo é a preservação da individualidade e das diferenças sociais.
c) A sociabilidade tira o homem do estado de natureza onde vive em guerra constante com os outros homens.
d) Rousseau faz uma crítica ao processo de socialização, por ter corrompido o homem, tornando-o egoísta e mesquinho para com os seus semelhantes.
e) Rousseau valoriza a fundação da sociedade civil, que tem como objetivo principal a garantia da posse privada da terra.

25- (UEL Esp. 2005) “As instâncias do Poder, que os cidadãos acreditavam terem instalado democraticamente, estão, sob o peso da crítica, em vias de perder sua identidade. A opinião não lhes confere mais o certificado de conformidade que a legitimidade deles exige. Jürgen Habermas [...] vê nessa situação ‘um problema de regulação’. A opinião pública, abalada em suas crenças mais firmes, não dá mais sua adesão às regulações que o direito constitucional ou, mais amplamente, o direito positivo do Estado formaliza”. (GOYARD-FABRE, Simone. O que é democracia?. Trad. de Cláudia Berliner. São Paulo: Martins Fontes, 2003. p. 202-203.) Com base no texto e nos conhecimentos sobre os Estados Democráticos de Direito na contemporaneidade, é correto afirmar:
a) A atual identidade das instâncias do poder é confirmada pela “crítica”.
b) Legalidade e legitimidade das instâncias de poder são coincidentes nos Estados Democráticos de Direito.
c) A regulação das instituições de poder deve ser independente da opinião pública.
d) A legitimidade das instâncias de poder deve ser baseada no direito positivo.
e) A opinião pública é que deve dar legitimidade às instâncias de poder.

26- (UEL Esp. 2005) “[...] Aristóteles estabelecia antes as conclusões, não consultava devidamente a experiência para estabelecimento de suas resoluções e axiomas. E tendo, ao seu arbítrio, assim decidido, submetia a experiência como a uma escrava para conformá-la às suas opiniões”. (BACON, Francis. Novum Organum. Trad. de José Aluysio Reis de Andrade. 4. ed. São Paulo: Nova Cultural, 1988. p. 33.) Com base no texto, assinale a alternativa que apresenta corretamente a interpretação que Bacon fazia da filosofia aristotélica.
a) A filosofia aristotélica estabeleceu a experiência como o fundamento da ciência.
b) Aristóteles consultava a experiência para estabelecer os resultados e axiomas da ciência.
c) Aristóteles afirmava que o conhecimento teórico deveria submeter-se, como um escravo, ao conhecimento da experiência.
d) Aristóteles desenvolveu uma concepção de filosofia que tem como conseqüência a desvalorização da experiência.
e) Aristóteles valorizava a experiência, por considerá-la um caminho seguro para superar a opinião e atingir o conhecimento verdadeiro.

27- (UEL Esp. 2005) “[...] nos tempos antigos era a filosofia que determinava o curso da ciência, o ideal do conhecimento era filosoficamente estipulado; nos tempos modernos, pelo contrário, o ideal científico, físico, do conhecimento passa a determinar o conhecimento metafísico”. (BORNHEIM, Gerd. Galileo Filósofo. In: Estudos sobre Galileo Galilei. Porto Alegre: UFRGS, Secretaria da Educação do Estado do Rio Grande do Sul e Consulado Geral da Itália de Porto Alegre, 1964. p. 78.) Com base no texto e nos conhecimentos sobre a relação entre filosofia e ciência, é correto afirmar:
a) O conhecimento científico, a partir da modernidade, determina o conhecimento filosófico.
b) A ciência antiga obteve maior êxito que a ciência moderna pelo fato de ter sido influenciada pela metafísica.
c) A filosofia moderna, por partir da ciência, finalmente atinge a verdade metafísica buscada pelos antigos.
d) A filosofia moderna, quando comparada às suas versões passadas, possui maior aplicabilidade instrumental.
e) A ciência moderna, quando traduzida para o discurso filosófico, resume-se a um conhecimento metafísico.

28- (UEL Esp. 2005) “O mundo real é simplesmente uma sucessão de movimentos atômicos em continuidade matemática. Nessas circunstâncias, a causalidade só poderia ser colocada, de maneira inteligível, nos próprios movimentos dos átomos [...]. Mas que fazer com Deus? Com a derrubada da causalidade final, Deus, como concebido pelo aristotelismo, estava praticamente perdido; negar francamente sua existência, no entanto, era, à época de Galileu, um passo demasiado radical para que qualquer pensador importante pudesse considerá-lo”. (BURTT, Edwin Arthur. As bases metafísicas da ciência moderna. Trad. de José Viegas Filho e Orlando Araújo Henriques. Brasília: UnB, 1991. p. 78.) Com base no texto e nos conhecimentos sobre a filosofia de Galileu, é correto afirmar:
a) Galileu pretendia construir uma nova metafísica em que a teologia apareceria como princípio último de explicação.
b) Segundo Galileu, tudo o que conhecemos sobre o mundo natural diz respeito à natureza íntima da força, ou de sua essência.
c) Galileu buscava estabelecer o fundamento das convicções a respeito da relação determinante do homem com a natureza.
d) A grandeza revolucionária de Galileu deveu-se a sua atitude de responder questões consideradas para além do domínio da ciência positiva.
e) O interesse de Galileu estava em mostrar que para todo movimento expressável matematicamente existe uma causa primária.

29- (UEL Esp. 2005) “E quando considero que duvido, isto é, que sou uma coisa incompleta e dependente, a idéia de um ser completo e independente, ou seja, de Deus, apresenta-se a meu espírito com igual distinção e clareza; e do simples fato de que essa idéia se encontra em mim, ou que sou ou existo, eu que possuo esta idéia, concluo tão evidentemente a existência de Deus e que a minha depende inteiramente dele em todos os momentos da minha vida, que não penso que o espírito humano possa conhecer algo com maior evidência e certeza”. (DESCARTES, René. Meditações. Trad. de Jacó Guinsburg e Bento Prado Júnior. São Paulo: Nova Cultural, 1996. p. 297-298.) Com base no texto, é correto afirmar:
a) O espírito possui uma idéia obscura e confusa de Deus, o que impede que esta idéia possa ser conhecida com evidência.
b) A idéia da existência de Deus, como um ser completo e independente, é uma conseqüência dos limites do espírito humano.
c) O conhecimento que o espírito humano possui de si mesmo é superior ao conhecimento de Deus.
d) A única certeza que o espírito humano é capaz de provar é a existência de si mesmo, enquanto  um ser que pensa.
e) A existência de Deus, como uma idéia clara e distinta, é impossível de ser provada.

30- (UEL Esp. 2005) “As experiências e erros do cientista consistem de hipóteses. Ele as formula em palavras, e muitas vezes por escrito. Pode então tentar encontrar brechas em qualquer uma dessas hipóteses, criticando-a experimentalmente, ajudado por seus colegas cientistas, que ficarão deleitados se puderem encontrar uma brecha nela. Se a hipótese não suportar essas críticas e esses testes pelo menos tão bem quanto suas concorrentes, será eliminada”. (POPPER, Karl. Conhecimento objetivo. Trad. de Milton Amado. São Paulo: Edusp & Itatiaia, 1975. p. 226.) Com base no texto e nos conhecimentos sobre ciência e método científico, é correto afirmar:
a) O método científico implica a possibilidade constante de refutações teóricas por meio de experimentos cruciais.
b) A crítica no meio científico significa o fracasso do cientista que formulou hipóteses incorretas.
c) O conflito de hipóteses científicas deve ser resolvido por quem as formulou, sem ajuda de outros cientistas.
d) O método crítico consiste em impedir que as hipóteses científicas tenham brechas.
e) A atitude crítica é um empecilho para o progresso científico.

31- (UEL Esp. 2005) “Parece que enquanto o conhecimento técnico expande o horizonte da atividade e do pensamento humanos, a autonomia do homem enquanto indivíduo, a sua capacidade de opor resistência ao crescente mecanismo de manipulação das massas, o seu poder de imaginação e o seu juízo independente sofreram aparentemente uma redução. O avanço dos recursos técnicos de informação se acompanha de um processo de desumanização. Assim, o progresso ameaça anular o que se supõe ser o seu próprio objetivo: a idéia de homem”. (HORKHEIMER, Max. Eclipse da razão. Trad. de Sebastião Uchôa Leite. Rio de Janeiro: Editorial Labor do Brasil, 1976. p. 6.) Com base no texto, na imagem e nos conhecimentos sobre racionalidade instrumental, é correto afirmar:
a) A imagem de Chaplin está de acordo com a crítica de Horkheimer: ao invés de o progresso e  da técnica servirem ao homem, este se torna cada vez mais escravo dos mecanismos criados para tornar a sua vida melhor e mais livre.
b) A imagem e o texto remetem à idéia de que o desenvolvimento tecnológico e o extraordinário progresso permitiram ao homem atingir a autonomia plena.
c) Imagem e texto apresentam o conceito de racionalidade que está na estrutura da sociedade industrial como viabilizador da emancipação do homem em relação a todas as formas de opressão.
d) Enquanto a imagem de Chaplin apresenta a autonomia dos trabalhadores nas sociedades contemporâneas, o texto de Horkheimer mostra que, quanto maior o desenvolvimento tecnológico, maior o grau de humanização.
e) Tanto a imagem quanto o texto enaltecem a inevitável instrumentalização das relações humanas nas sociedades contemporâneas.

32- (UEL Esp. 2005) “[...] não é ofício do poeta narrar o que aconteceu; é, sim, o de representar o que poderia acontecer, quer dizer: o que é possível segundo a verossimilhança e a necessidade. Com efeito, não diferem o historiador e o poeta por escreverem verso ou prosa [...] diferem, sim, em que diz um as coisas que sucederam, e outro as que poderiam suceder. Por isso a poesia é algo de mais filosófico e mais sério do que a história, pois refere aquela principalmente o universal, e esta o particular”. (ARISTÓTELES. Poética. Trad. de Eudoro de Souza. São Paulo: Nova Cultural, 1987. p. 209.) Com base no texto e nos conhecimentos sobre a estética em Aristóteles, é correto afirmar:
a) A poesia é uma cópia imperfeita, realizada no mundo sensível, sob a inspiração das musas e distante da verdade.
b) Os poetas, de acordo com a sua índole, representam pessoas de caráter elevado, como ocorre na tragédia, ou homens inferiores, como na comédia.
c) A poesia deve ser fiel aos acontecimentos históricos e considerar os fatos em sua particularidade.
d) A poesia deve a sua origem à história e a compreensão daquela supõe o entendimento da própria natureza do ser humano.
e) A imitação, que ocorre na tragédia, representa uma ação completa e de caráter elevado, de uma forma narrativa e não dramática.

33- (UEL Esp. 2005) “A indústria cultural não cessa de lograr seus consumidores quanto àquilo que está continuamente a lhes prometer. A promissória sobre o prazer, emitida pelo enredo e pela encenação, é prorrogada indefinidamente: maldosamente, a promessa a que afinal se reduz o espetáculo significa que jamais chegaremos à coisa mesma, que o convidado deve se contentar com a leitura do cardápio. [...] Cada espetáculo da indústria cultural vem mais uma vez aplicar e demonstrar de maneira inequívoca a renúncia permanente que a civilização impõe às pessoas. Oferecer-lhes algo e ao mesmo tempo privá-las disso é a mesma coisa”. (ADORNO, Theodor; HORKHEIMER, Max. Dialética do esclarecimento. Trad. de Guido Antônio de Almeida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1997. p. 130-132.) Com base no texto e nos conhecimentos sobre indústria cultural em Adorno e Horkheimer, é correto afirmar:
a) A indústria cultural limita-se a atender aos desejos que surgem espontaneamente da massa de consumidores, satisfazendo as aspirações conscientes de indivíduos autônomos e livres que escolhem o que querem.
b) A indústria cultural tem um desempenho pouco expressivo na produção dos desejos e necessidades dos indivíduos, mas ela é eficiente no sentido de que traz a satisfação destes desejos e necessidades.
c) A indústria cultural planeja seus produtos determinando o que os consumidores desejam de acordo com critérios mercadológicos. Para atingir seus objetivos comerciais, ela cria o desejo, mas, ao mesmo tempo, o indivíduo é privado do acesso ao prazer e à satisfação prometidos.
d) O entretenimento que veículos como o rádio, o cinema e as revistas proporcionam ao público não pode ser entendido como forma de exploração dos bens culturais, já que a cultura está situada fora desses canais.
e) A produção em série de bens culturais padronizados permite que a obra de arte preserve a sua capacidade de ser o suporte de manifestação e realização do desejo: a cada nova cópia, a crítica se renova.

34- (UEL Esp. 2005) “A diversão é o prolongamento do trabalho sob o capitalismo tardio. Ela é procurada por quem quer escapar ao processo de trabalho mecanizado, para se pôr de novo em condições de enfrentá-lo. Mas, ao mesmo tempo, a mecanização atingiu um tal poderio sobre a pessoa em seu lazer e sobre a sua felicidade, ela determina tão profundamente a fabricação das mercadorias destinadas à diversão, que esta pessoa não pode mais perceber outra coisa senão as cópias que reproduzem o próprio processo de trabalho”. (ADORNO, Theodor; HORKHEIMER, Max. Dialética do esclarecimento. Trad. de Guido Antônio de Almeida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1997. p.128.) Com base no texto e nos conhecimentos sobre trabalho e lazer no capitalismo tardio, em Adorno e Horkheimer, é correto afirmar:
a) Há um círculo vicioso que envolve o processo de trabalho e os momentos de lazer. Com o objetivo de fugir do trabalho mecanizado e repor as forças, o indivíduo busca refúgio no lazer, porém o lazer se estrutura com base na mesma lógica mecanizada do trabalho.
b) Apesar de se apresentarem como duas dimensões de um mesmo processo, lazer e trabalho se diferenciam no capitalismo tardio, na medida em que o primeiro é o espaço do desenvolvimento das potencialidades individuais, a exemplo da reflexão.
c) Mesmo sendo produzidas de acordo com um esquema mercadológico que fabrica cópias em ritmo industrial, as mercadorias acessadas nos momentos
de lazer proporcionam ao indivíduo plena diversão e cultura.
d) Tanto o trabalho quanto o lazer preservam a autonomia do indivíduo, mesmo nos processos de mecanização que caracterizam a fabricação de mercadorias no capitalismo tardio.
e) As atividades de lazer no capitalismo tardio, como o cinema e a televisão, são caminhos para a politização e aquisição de cultura pelas massas, aproximando-as das verdadeiras obras de arte.



EIXOS TEMÁTICOS

PONTOS INTRODUTÓRIOS

01) (UEL 2003/ESPEC) ‘’Tales foi o iniciador da filosofia da physis, pois foi o primeiro a afirmar a existência de um principio originário único, causa de todas as coisas que existem, sustentando que esse principio é a água. Essa proposta é importantíssima... podendo com boa dose de razão ser qualificada como a primeira proposta filosófica daquilo que se costuma chamar civilização ocidental.’’ A filosofia surgiu na Grécia, no século VI a.C. Seus primeiros filósofos foram os chamados pré-socráticos. De acordo com o texto, assinale a alternativa que expressa o principal problema por eles investigado.
a) A ética, enquanto investigação racional do agir humano.
b) A estética, enquanto estudo sobre o belo na arte.
c) A epistemologia, como avaliação dos procedimentos científicos.
d) A cosmologia, como investigação acerca da origem da ordem do mundo.
e) A filosofia política, enquanto análise do estado e sua legislação.

02) (UEL2003) ‘’Uma vez que constituição significa o mesmo que governo, e o governo é o poder supremo em uma cidade, e o mando pode estar nas mãos de uma única pessoa, ou de poucas pessoas, ou a maioria, governam tendo em vista o bem comum, estas constituições devem ser forçosamente as corretas; ao contrário, constituem desvios os casos em que o governo é exercido com vistas ao próprio interesse da única pessoa, ou das poucas pessoas, ou da maioria, pois ou se deve dizer que os cidadãos não participam do governo da cidade, ou é necessário que eles realmente participem.’’
Com base no texto e nos conhecimentos sobre as formas de governo em Aristóteles, analise as afirmativas a seguir.
I-A democracia é uma forma de governo reta, ou seja, um governo que prioriza o exercício do poder em beneficio do interesse comum.
II-A democracia faz parte das formas degeneradas de governo, entre as quais destacam-se a tirania e a oligarquia.
III-A democracia é uma forma de governo que desconsidera o bem de todos; antes, porém, visa favorecer indevidamente os interesses dos mais pobres, reduzindo-se, desse modo, a uma acepção demagógica.
IV-A democracia é uma forma de governo mais conveniente para as cidades gregas, justamente porque realiza o bem do Estado, que é o bem comum
Estão corretas apenas as afirmativas:
A) I e III.
B) I e IV.
C) II e III.
D )I,II e III.
E) II,III e IV.

03) (UEL 2003) “Com efeito, alguns tomam a coisa universal da seguinte maneira:eles colocam uma substância essencialmente a mesma em coisas que diferem umas das outras pelas formas; essa é a essência material das coisas singulares nas quais existe, e é uma só em si mesma, sendo diferente apenas pelas formas dos seus inferiores”. Sobre o texto acima é correto afirmar que:
a) trata-se de uma tese realista, pois demonstra que a coisa universal existe por si mesma e constitui a essência material das coisas singulares.
b) defende a tese nominalista, segundo a qual os universais não podem existir fora dos sujeitos de que são atributos.
c) os universais são termos significativos, pois não são uma única essência em si mesmos.
d) distingue as coisas singulares pela quantidade de matéria que nelas se apresentam.

04) (UEL 2003) Leia o texto, que se refere á idéia de cidade justa de Platão.
‘’Como a temperança, também a justiça é uma virtude comum a toda a cidade. Quando cada uma das classes exerce a sua função própria, aquela para qual a sua natureza é a mais adequada ‘, a cidade é justa. Esta distribuição de tarefas e competências resultas do fato de que cada um de nós não nasceu igual ao outro e, assim, cada um contribui com a sua parte para satisfação das necessidades da vida individual e coletiva. (...) Justiça é, portanto, no indivíduo, a harmonia das partes da alma sob o domínio superior da razão, no estado, é a harmonia e a concórdia das classes da cidade.’’ (PIRES, Celestino). Sobre a cidade justa na concepção de Platão, é correto afirmar:
a) Nela todos satisfazem suas necessidades mínimas, e inexistem funções como as de governantes, legisladores e juizes.
b) É governada pelos filósofos, protegida pelos guerreiros e mantida pelos produtores econômicos, todos cumprindo sua função própria.
c) Seus habitantes desejam a posse ilimitada de riquezas, como terras e metais preciosos.
d) Ela tem como principal objetivo fazer a guerra com seus vizinhos para ampliar suas posses através da conquista .
e) Ela ambiciona o luxo desmedido e está cheia de objetos supérfluos, tais como perfumes,incensos, iguarias, guloseimas, ouro, marfim,etc.

05) (UEL 2005) Sobre a passagem do mito à filosofia, na Grécia Antiga, considere as afirmativas a seguir.
I. Os poemas homéricos, em razão de muitos de seus componentes, já contêm características essenciais da compreensão de mundo grega que, posteriormente, se revelaram importantes para o surgimento da filosofia.
II. O naturalismo, que se manifesta nas origens da filosofia, já se evidencia na própria religiosidade grega, na medida em que nem homens nem deuses são compreendidos como perfeitos.
III. A humanização dos deuses na religião grega, que os entende movidos por sentimentos similares aos dos homens, contribuiu para o processo de racionalização da cultura grega, auxiliando o desenvolvimento do pensamento filosófico e científico.
IV. O mito foi superado, cedendo lugar ao pensamento filosófico, devido à assimilação que os gregos fizeram da sabedoria dos povos orientais, sabedoria esta desvinculada de qualquer base religiosa.
Estão corretas apenas as afirmativas:
a) I e II.
b) II e IV.
c) III e IV.
d) I, II e III.
e) I, III e IV.

06) (UEL 2004) “Entre os físicos da Jônia, o caráter positivo invadiu de chofre a totalidade do ser. Nada existe que não seja natureza, physis. Os homens, a divindade, o mundo formam um universo unificado, homogêneo, todo ele no mesmo plano: são as partes ou os aspectos de uma só e mesma physis que põem em jogo, por toda parte, as mesmas forças, manifestam a mesma potência de vida. As vias pelas quais essa physis nasceu, diversificou-se e organizou-se são perfeitamente acessíveis à inteligência humana: a natureza não operou no começo de maneira diferente de como o faz ainda, cada dia, quando o fogo seca uma vestimenta molhada ou quando, num crivo agitado pela mão, as partes mais grossas se isolam e se reúnem.” ( VERNANT, Jean-Pierre. As origens do pensamento grego. Trad. De Isis Borges B. Da Fonseca.12ed. Rio de janeiro: Difel,2002. p.110.) Com base no texto, assinale a alternativa correta.
a) Para explicar o que acontece no presente é preciso compreender corno a natureza agia no começo (~). ou seja, no momento original.
b) A explicação para os fenômenos naturais pressupõe a aceitação de elementos sobrenaturais.
c) O nascimento, a diversidade e a organização dos seres naturais têm uma explicação natural e esta pode ser compreendida racionaimente.
d) A razão é capaz de compreender parte dos fenômenos naturais, mas a explicação da totalidade dos mesmos está além da capacidade humana.
e) A diversidade de fenômenos naturais pressupõe uma multiplicidade de explicações e nem todas estas explicações podem ser racionalrnente compreendidas.

07) O método argumentativo de Sócrates (469-399 ªC.) Consistia em dois momentos distintos: a ironia e a maiêutica. Sobre a ironia socrática, pode-se afirmar que:
I – tornava o interlocutor um mestre na argumentação sofistica.
II – levava o interlocutor à consciência de que seu saber era baseado em reflexões, cujo conteúdo era repleto de conceitos vagos e imprecisos.
III – tinha um caráter purificador, à medida que levava o interlocutor a confessar suas próprias contradições e ignorâncias.
IV – tinha um sentido depreciativo e sarcástico da posição do interlocutor.
a) Se apenas a afirmação III é correta.
b) Se apenas as afirmações i e IV são corretas.
c) Se apenas a afirmação IV é correta.
d) Se as afirmações II e III são corretas.
e) Se todas não são corretas.

08) Sócrates é tradicionalmente considerado como um marco divisório da filosofia grega. Os filósofos que o antecederam são chamados pré-socraticos. Seu método, que parte do pressuposto “ só sei que nada sei”, é a maiêutica que tem como objetivo:
I – “dar luz a idéias novas, buscando o conceito”
II – partir da ironia, reconhecendo a ignorância até chegar ao conhecimento.
III – encontrar as contradições das idéias para chegar ao conhecimento.
IV – “ trazer as idéias do céu à terra”.
a) se apenas I e II estiverem corretas.
b) Se apenas I e III estiverem corretas.
c) Se apenas II, III e IV estiverem corretas.
d) Se apenas III e IV estiverem corretas.
e) Se apenas i e IV estiverem corretas.

09) (UEL 2002) Sobre a teoria das quatro causas de Aristóteles é correto afirmar:
I – É próprio da ciência investigá-las, pois são as causas do movimento e do repouso, ou seja, da passagem de potência para ato.
II – A causa eficiente atua sobre a forma, visto ser a matéria o ato a que aspiram os seres.
III - A causa final é própria daquele ser que deve atualizar as potências contidas em sua matéria para alcançar a finalidade própria.
IV – A forma é o príncipio de indeterminação dos seres.
Assinale a única alternativa que apresenta as assertivas correta:
a) Apenas I e III.
b) Apenas I, III e IV.
c) Apenas II e III.
d) Apenas I e II.
e) Todas corretas

10) Com relação ao relacionamento entre os sofistas e Sócrates é correto afirmar que:
a) Não houve nenhum tipo de relacionamento, pois eles não foram contemporâneos.
b) Foi um relacionamento amistoso, pois eles tinham um só grande objetivo: a busca da verdade.
c) Os sofistas criticavam o relativismo de Sócrates, que não acre-ditava na existência da verdade.
d) Sócrates não admitia o relativismo sofístico que via na política uma mera técnica de convencimento, que se baseavas em con-cepções individuais da verdade.

11) (UFU) A opinião (doxa, em grego), no pensamento de Platão (427-347 a.C.), representa um saber sem fundamentacão metódica. É um saber que possui sua origem:
a) nos mitos religiosos, lendas e poemas da Grécia arcaica
b) nas impressões ou sensacões advindas da experiência sensível
c) no discurso dos sofistas na época da democracia ateniense
d) num saber eclético, proveniente de algumas idéias dos filósofos pré-socráticos

12) (UEL ESPEC 2003) "Se chegasse á nossa cidade um homem aparentemente capaz, devido á sua arte, de tomar todas as formas e imitar todas as coisas, ansioso por se exibir juntamente com os seus poemas, prosternávamo-nos diante dele, como de um ser sagrado, maravilhoso, encantador, mas dir-lhe-íamos que na nossa cidade não há homens dessa espécie, nem sequer é lícito que existam, e mandá-lo-íamos embora para outra cidade, depois de lhe termos derramado mirra sobre a cabe(c)a e de o termos coroado de grinaldas." (PLATÃO. A República. Trad. De Maria Helena da Rocha Pereira. 7.ed. Lisboa: Calouste Gulbenkian, 1993. p. 125.) Com base no texto e nos conhecimentos sobre a arte em Platão, é correto afirmar:
a) Platão é contrário á imitação, por ela ser a "aparência da aparência" ou uma cópia da realidade, num nível inferior.
b) Platão valoriza a presença dos artistas nas cidades, por sua capacidade de limitar todas as coisas.
c) Platão concebe a imitação como uma atividade que,ao invés de copiar aparências, imita emoções e ações.
d) Platão valoriza os poemas porque eles, apesar de imitarem as coisas, proporcionam um grande prazer sensível.
e) Platão admite a possibilidade de a imitacão adquirir uma perspectiva positiva, desde que seja concebida como contendo uma visão que se afaste da sofística.

13) (UEL 2006) Os poemas de Homero serviram de alimento espiritual aos gregos, contribuindo de forma essencial para aquilo que mais tarde se desenvolveria como filosofia. Em seus poemas, a harmonia, a proporção, o limite e a medida,assim como a presença de questionamentos acerca das causas, dos princípios e do porquê das coisas se faziam presentes, revelando depois uma constante na elaboração dos princípios metafísicos da filosofia grega. (Adaptado de: REALE, Giovanni. História da Filosofia Antiga. v. I. Trad. Henrique C. Lima Vaz e Marcelo Perine. São Paulo: Loyola, 1994. p. 19. ) Com base no texto e nos conhecimentos acerca das características que marcaram o nascimento da filosofia na Grécia, considere as afirmativas a seguir.
I. A política, enquanto forma de disputa oratória, contribuiu para formar um grupo de iguais, os cidadãos, que buscavam a verdade pela força da argumentação.
II. O palácio real, que centralizava os poderes militar e religioso, foi substituído pela Ágora, espaço público onde os problemas da polis eram debatidos.
III. A palavra, utilizada na prática religiosa e nos ditos do rei, perdeu a função ritualista de fórmula justa, passando a ser veículo do debate e da discussão.
IV. A expressão filosófica é tributária do caráter pragmático dos gregos, que substituíram a contemplação desinteressada dos mitos pela técnica utilitária do pensar racional.
Estão corretas apenas as afirmativas:
a) I e III.
b) II e IV.
c) III e IV.
d) I, II e III.
e) I, II e IV.

14) (UEL 2006) Analise a imagem e leia o texto a seguir.
Mobilização pelas “Diretas já”, Praça da Sé, São Paulo, janeiro 1984. (Disponível em: http://novaescola.abril.com.br Acesso em: 13 jun. 2005.)
“Um cidadão integral pode ser definido por nada mais nem nada menos que pelo direito de administrar a justiça e exercer funções públicas [...].” (ARISTÓTELES. Política. Trad. Mário da Gama Kury. 3. ed. Brasília: UNB, 1997. p. 78.)
Tendo como base o conceito de cidadania de Aristóteles, é correto afirmar que o fato político retratado na imagem:
a) Confirma o ideal aristotélico de cidadão como aquele que se submete passivamente a uma autoridade coercitiva e ilimitada.
b) Ilustra o conceito que Aristóteles construiu de cidadãos como aqueles que estão separados em três classes, sendo que uma delas governa, de modo absoluto, as demais.
c) Manifesta contradição com a concepção de liberdade e de manifestação pública presente no exercício da cidadania grega, ao revelar uma campanha submissa e tutelada pela minoria.
d) Mostra o ideário aristotélico de cidade e de cidadania, que exalta o individualismo e a supremacia do privado em detrimento do público.
e) Caracteriza um exemplo contemporâneo de participação que demonstra o debate de assuntos públicos, assim como faziam os cidadãos livres de Atenas.

EIXOS TEMÁTICOS

ÉTICA E POLÍTICA

01 - (UEL-2004/ESP.) ‘’Que ninguém espere um grande progresso nas ciências, especialmente no seu lado prático, até que a filosofia natural seja levada ás ciências particulares e as ciências particulares sejam incorporadas á filosofia natural. [...] De fato, desde que as ciências particulares se constituíram e se dispersaram , não mais se alimentaram da filosofia natural, que lhes poderia ter transmitido as fontes e o verdadeiro conhecimento dos movimentos, dos raios , dos sons, da estrutura e do esquematismo dos corpos, das afecções e das percepções intelectuais, o que lhes teria infundido novas forças para novos progressos.’’ Com base no texto , é correto afirmar que Francis Bacon:
a) Afirma que a única finalidade da filosofia natural é contribuir para o desenvolvimento das ciências particulares.
b) Defende que o que há de mais importante nas ciências particulares é o seu lado prático.
c) Propõe que o progresso da filosofia natural depende de que ela incorpore as ciências particulares.
d) Constata a impossibilidade de progresso no lado prático das ciências particulares.
e) Vincula a possibilidade do progresso nas ciências particulares á dependência destas á filosofia natural.

02 - (UFU JAN/01) A respeito da filosofia de David Hume (1711-1776), escolha entre as alternativas abaixo a única que oferece, respectivamente, uma característica empirista e uma característica cética do pensamento deste filosofo escocês
a) Nenhuma idéia complexa pode ser derivada das sensações; a idéia de eu pode ser representada pelo pensamento puro.
b) As idéias simples são inatas e independem dos sentidos; a causalidade é uma conexão necessária e facilmente observável.
c) As idéias se originam da experiência sensível ; as impressões não são constantes e invariáveis a ponto de constituir a idéia de eu.
d) A relação causa-efeito é apreendida pelo raciocínio a priori; as impressões são variáveis, por isso não há nada de regular no mundo.

03 - (UEL2003) ‘’O imperativo categórico é, portanto, só um único, que é este:Age apenas segundo uma máxima tal que possas ao mesmo tempo querer que ela se torne lei universal.’’ (KANT, Immanuel. Fundamentação da metafísica dos costumes. Trad. De Paulo. Segundo essa formulação do imperativo categórico por Kant, uma ação é considerada ética quando:
a) Privilegia os interesses particulares em detrimento de leis que valham universal e necessariamente.
b) Ajusta os interesses egoístas de uns ao egoísmo dos outros, satisfazendo as exigências individuais de prazer e felicidade.
c) É determinada pela lei da natureza, que tem como fundamento o principio de auto-conservação.
d) Está subordinada á vontade de Deus, que preestabelece o caminho seguro para a ação humana.
e) A máxima que rege a ação pode ser universalizada, ou seja, quando a ação pode ser praticada por todos, sem prejuízo da humanidade.

04 - (UEL ESPEC/2003) A ciência moderna sofreu uma serie de transformações em relação á ciência antiga. Assinale a alternativa que apresenta uma das características da ciência moderna resultante dessa transformação.
a) A submissão do saber ao conhecimento teórico, para o qual é irrelevante a aplicação prática dos conhecimentos adquiridos.
b) A subordinação da razão humana á fé religiosa, com a defesa da concepção de verdade como revelação.
c) A primazia da analise das qualidades dos corpos em si mesmos, tais como cor , odor, tamanho e peso.
d) A valorização do saber experimental , que visa á apropriação, ao controle e á transformação da natureza.
e) O predomínio da concepção de natureza hierarquizada, segundo uma ordem divina.

05 - “Mas a cidade pareceu-nos justa, quando existiam dentro dela três espécies de naturezas, que executavam cada uma a tarefa que lhe era própria; e, por sua vez, temperante, corajosa e sábia, devido a outras disposições e qualidades dessas mesmas espécies. - É verdade. - Logo, meu amigo, entenderemos que o indivíduo, que tiver na sua alma estas mesmas espécies, merece bem, devido a essas mesmas qualidades, ser tratado pelos mesmos nomes que a cidade”. (PLATÃO. A república. Trad. de Maria Helena da Rocha Pereira. 7 ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1993. p. 190.) Com base no texto e nos conhecimentos sobre a justiça em Platão, é correto afirmar:
a) As pessoas justas agem movidas por interesses ou por benefícios pessoais, havendo a possibilidade de ficarem invisíveis aos olhos dos outros.
b) A justiça consiste em dar a cada indivíduo aquilo que lhe é de direito, conforme o princípio universal de igualdade entre todos os seres humanos, homens e mulheres.
c) A verdadeira justiça corresponde ao poder do mais forte, o qual, quando ocupa cargos políticos, faz as leis de acordo com os seus interesses e pune a quem lhe desobedece.
d) A justiça deve ser vista como uma virtude que tem sua origem na alma, isto é, deve habitar o interior do homem, sendo independente das circunstâncias externas.
e) Ser justo equivale a pagar dívidas contraídas e restituir aos demais aquilo que se tomou emprestado, atitudes que garantem uma velhice feliz.

06- “A escolha dos ministros por parte de um príncipe não é coisa de pouca importância: os ministros serão bons ou maus, de acordo com a prudência que o príncipe demonstrar. A primeira impressão que se tem de um governante e da sua inteligência, é dada pelos homens que o cercam. Quando estes são eficientes e fiéis, pode-se sempre considerar o príncipe sábio, pois foi capaz de reconhecer a capacidade e manter fidelidade. Mas quando a situação é oposta, pode-se sempre dele fazer mau juízo, porque seu primeiro erro terá sido cometido ao escolher os assessores”. (MAQUIAVEL, Nicolau. O Príncipe. Trad. de Pietro Nassetti. São Paulo: Martin Claret, 2004. p. 136.) Com base no texto e nos conhecimentos sobre Maquiavel, é correto afirmar:
a) As atitudes do príncipe são livres da influência dos ministros que ele escolhe para governar.
b) Basta que o príncipe seja bom e virtuoso para que seu governo obtenha pleno êxito e seja reconhecido pelo povo.
c) O povo distingue e julga, separadamente, as atitudes do príncipe daquelas de seus ministros.
d) A escolha dos ministros é irrelevante para garantir um bom governo, desde que o príncipe tenha um projeto político perfeito.
e) Um príncipe e seu governo são avaliados também pela escolha dos ministros.

07- “Hobbes realiza o esforço supremo de atribuir ao contrato uma soberania absoluta e indivisível [...]. Ensina que, por um único e mesmo ato, os homens naturais constituem-se em sociedade política e submetem-se a um senhor, a um soberano. Não firmam contrato com esse senhor, mas entre si. É entre si que renunciam, em proveito desse senhor, a todo o direito e toda liberdade nocivos à paz”. (CHEVALLIER, Jean-Jacques. As grandes obras políticas de Maquiavel a nossos dias. Trad. De Lydia Cristina. 7. ed. Rio de Janeiro: Agir, 1995. p. 73.) Com base no texto e nos conhecimentos sobre o contrato político em Hobbes, considere as afirmativas a seguir.
I. A renúncia ao direito sobre todas as coisas deve ser recíproca entre os indivíduos.
II. A renúncia aos direitos, que caracteriza o contrato político, significa a renúncia de todos os direitos em favor do soberano.
III. Os procedimentos necessários à preservação da paz e da segurança competem aos súditos cidadãos.
IV. O contrato que funda o poder político visa pôr fim ao estado de guerra que caracteriza o estado de natureza.
Estão corretas apenas as afirmativas:
a) I e II.
b) I e IV.
c) II e III.
d) I, III e IV.
e) II, III e IV.

08 - “Se todos os homens são, como se tem dito, livres, iguais e independentes por natureza, ninguém pode ser retirado deste estado e se sujeitar ao poder político de outro sem o seu próprio consentimento. A única maneira pela qual alguém se despoja de sua liberdade natural e se coloca dentro das limitações da sociedade civil é através do acordo com outros homens para se associarem e se unirem em uma comunidade para uma vida confortável, segura e pacífica uns com os outros, desfrutando com segurança de suas propriedades e melhor protegidos contra aqueles que não são daquela comunidade”. (LOCKE, John. Segundo tratado sobre o governo civil. Trad. de Magda Lopes e Marisa Lobo da Costa. Petrópolis: Vozes, 1994. p.139.) Com base no texto e nos conhecimentos sobre o contrato social em Locke, considere as afirmativas a seguir.
I. O direito à liberdade e à propriedade são dependentes da instituição do poder político.
II. O poder político tem limites, sendo legítima a resistência aos atos do governo se estes violarem as condições do pacto político.
III. Todos os homens nascem sob um governo e, por isso, devem a ele submeter-se ilimitadamente.
IV. Se o homem é naturalmente livre, a sua subordinação a qualquer poder dependerá sempre de seu consentimento.
Estão corretas apenas as afirmativas:
a) I e II.
b) I e III.
c) II e IV.
d) I, III e IV.
e) II, III e IV.

09 - “O verdadeiro fundador da sociedade civil foi o primeiro que, tendo cercado um terreno, lembrou-se de dizer isto é meu e encontrou pessoas suficientemente simples para acreditá-lo. Quantos crimes, guerras, assassínios, misérias e horrores não pouparia ao gênero humano aquele que, arrancando as estacas ou enchendo o fosso, tivesse gritado a seus semelhantes: ‘Defendei-vos de ouvir esse impostor; estareis perdidos se esquecerdes que os frutos são de todos e que a terra não pertence a ninguém!’”. (ROUSSEAU, Jean- Jacques. Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens. Trad. de Lourdes Santos Machado. São Paulo: Nova Cultural, 1997. p. 87.) Com base no texto e nos conhecimentos sobre o pensamento político de Rousseau, é correto afirmar:
a) A desigualdade é um fato natural, autorizada pela lei natural, independentemente das condições sociais decorrentes da evolução histórica da humanidade.
b) A finalidade da instituição da sociedade e do governo é a preservação da individualidade e das diferenças sociais.
c) A sociabilidade tira o homem do estado de natureza onde vive em guerra constante com os outros homens.
d) Rousseau faz uma crítica ao processo de socialização, por ter corrompido o homem, tornando-o egoísta e mesquinho para com os seus semelhantes.
e) Rousseau valoriza a fundação da sociedade civil, que tem como objetivo principal a garantia da posse privada da terra.

10 - A filosofia política de Thomas Hobbes combatia as tendências liberais de sua época. Hobbes sustentava que o poder resultante do pacto político deveria ser:
I – ilimitado, julgando sobre o justo e o injusto, acima do bem e do mal e em que a alienação do súdito ao soberano deveria ser total.
II – dividido entre rei e o parlamento, superando as discórdias e disputas em favor do bem comum da coletividade.
III – absoluto, podendo utilizar a força das armas para manter a soberania e o silêncio dos súditos.
Assinale correta:
a) I e III
b) II e III
c) I e II
d) II
e) I, II e III

11 - Leia o texto abaixo:
Quando na mesma pessoa ou no mesmo corpo de magistratura o poder legislativo está reunido ao poder executivo, não existe liberdade, pois pode-se temer que o mesmo monarca e o mesmo senado apenas estabeleçam leis tirânicas para executá-las tiranicamente. Não haverá também liberdade se o poder de julgar não estiver separado do poder legislativo e executivo. Se estivesse ligado ao poder legislativo, o poder sobre a vida e a liberdade dos cidadãos seria arbitrário, pois o juiz seria o legislador. Se estivesse ligado ao executivo, o juiz teria a força de um opressor. Tudo estaria perdido se o mesmo homem ou o mesmo corpo de principais, ou dos nobres ou do povo exercesse esses três poderes: o de fazer leis; o de executar as resoluções públicas e o de julgar os crimes ou as divergências entre os indivíduos. (MONTESQUIEU, Do Espírito das Leis, Col Os Pensadores) Escolha alternativa que contém o princípio político que o texto acima busca fundamentar.
a) Personificação do poder.
b) Analfabetismo político.
c) Institucionalização do poder.
d) Absolutismo político.
e) Despotismo.

12 - Leia com atenção o texto abaixo:
Odeio os indiferentes (...), acredito que viver quer dizer tomar partido. Não podem existir apenas os homens estranhos à cidade. Quem verdadeiramente vive não pode deixar de ser cidadão e partidário. Indiferença é abulia, é parasitismo, é covardia, não é vida. Por isso odeio os indiferentes.
A indiferença é o peso morto da história. É a bola de chumbo para o inovador, é a matéria inerte na qual freqüentemente se afogam os entusiasmos mais esplendorosos.
A indiferença atua poderosamente na história. Atua passiva-mente, mas atua. É a fatalidade; é aquilo com o que não se pode contar; é aquilo que confunde os programas, que destrói os planos mais bem construídos. É a matéria bruta que se rebela contra a inteligência e a sufoca. (...)
O que acontece não acontece tanto porque alguns queiram, mas porque a massa dos homens abdica da sua vontade e deixa de fazer, deixa enrolarem os nós que, depois, somente a espada poderá cortar; deixa promulgarem as leis que, depois, só a revolta poderá anular; deixa subir ao poder homens que, depois, só a sublevação poderá derrubar. (...) Os fatos amadurecem na sombra porque mãos, sem qualquer controle a vigiá-las, tecem a teia da vida coletiva e a massa não sabe porque não se preocupa com isso. Os destinos de uma época são manipulados de acordo com visões restritas, objetivos imediatos, ambições e pai-xões pessoais de pequenos grupos ativos e a massa dos homens ignora por que não se preocupa. (GRAMSCI apud SCHLESENER, Anita. Para filosofar S. Paulo, Scipione, 2000, p.188)
O texto acima refere-se ao fenômeno político conhecido como ‘analfabetismo político’, com relação a isso é correto afirmar que:
a) O analfabetismo político ocorre somente entre os mais pobres.
b) As pessoas que não sabem ler ou escrever são os analfabetos políticos.
c) O analfabetismo político é uma peculiaridade da classe mais rica da população.
d) A participação ativa na esfera política e a principal característica do analfabetismo político.
e) O indiferentismo é a marca distintiva do analfabetismo político.

13- Leia com atenção o texto abaixo:
O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve não fala e não participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro, que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nascem a prostituta, o menor abandonado, o assaltante e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais. (Berthold Brecht). De acordo com o texto podemos afirmar que:
a) Boa parte dos problemas da sociedade poderiam ser evitados se as pessoas buscassem um maior comprometimento político.
b) Problemas sociais como a prostituição, a violência, o tráfico de drogas e a questão dos menores abandonados sempre existiram e sempre existirão na sociedade.
c) Somente as pessoas simples são analfabetos políticos.
d) A participação política das pessoas é totalmente irrelevante para a resolução dos problemas sociais, pois os mesmo são de ordem econômica.
e) O analfabeto político, apesar de sua indiferença é uma pessoa que se importa com os outros?

14- Leia com atenção os textos abaixo e escolha alternativa correta.
Fragmento 1
Como é meu intento escrever coisa útil para os que se interessarem, pareceu-me mais conveniente procurar a verdade pelo efeito das coisas, do que pelo que dela se possa imaginar e muita gente imaginou repúblicas e principados que nunca se viram nem jamais forma reconhecidos como verdadeiros. Vai tanta diferença entre o como se vive e o modo que se deveria viver, que quem se preocupar com o que se deveria fazer em vez do que se faz aprende antes a ruína própria, do que o modo de se preservar; em um homem que quiser fazer profissão de bondade é natural que se arruine entre tantos que são maus. Assim é necessário a um príncipe, para se manter, que aprenda a poder ser mau e que se valha ou deixe de valer-se disso conforme a necessidade.(Maquiavel, O Príncipe)

Fragmento 2
A obra de Maquiavel é demolidora e revolucionária em relação à tradição do pensamento político (Marilena Chauí). Com relação aos dois fragmentos acima podemos afirmar que:
a) Eles não têm nenhuma relação entre si.
b) O segundo trata-se de uma crítica ao primeiro, posicionando-se contra o mesmo.
c) O segundo explica o primeiro tendo, como pano de fundo, uma nova relação ético- política.
d) O segundo trata-se de um
e) Nda

15 - ( UEL 2006) “O direito de natureza, a que os autores geralmente chamam de jus naturale, é a liberdade que cada homem possui de usar seu próprio poder, da maneira que quiser, para a preservação de sua própria natureza, ou seja, de sua vida; e conseqüentemente de fazer tudo aquilo que seu próprio julgamento e razão lhe indiquem como meios adequados a esse fim.” (HOBBES, Thomas. Leviatã. Trad. João Paulo Monteiro e Maria Beatriz Nizza da Silva. São Paulo: Abril Cultural, 1974. p. 82.) Com base no texto e nos conhecimentos sobre o Estado de natureza em Hobbes, considere as afirmativas a seguir.
I. Todos os homens são igualmente vulneráveis à violência diante da ausência de uma autoridade soberana que detenha o uso da força.
II. Em cada ser humano há um egoísmo na busca de seus interesses pessoais a fim de manter a própria sobrevivência.
III. A competição e o desejo de fama passam a existir nos homens quando abandonam o Estado de natureza e ingressam no Estado social.
IV. O homem é naturalmente um ser social, o que lhe garante uma vida harmônica entre seus pares.
Estão corretas apenas as afirmativas:
a) I e II.
b) I e IV.
c) III e IV.
d) I, II e III.
e) II, III e IV.

16 - ( UEL 2006) “[...] é preciso que examinemos a condição natural dos homens, ou seja, um estado em que eles sejam absolutamente livres para decidir suas ações, dispor de seus bens e de suas pessoas como bem entenderem, dentro dos limites do direito natural, sem pedir autorização de nenhum outro homem nem depender de sua vontade.” (LOCKE, John. Segundo Tratado sobre o governo civil. Trad. Magda Lopes e Marisa Lobo da Costa. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 1994. p. 83.) Com base no texto e nos conhecimentos sobre o estado de natureza em Locke, é correto afirmar:
a) Os homens desconhecem a noção de justiça, pelo fato de inexistir um direito natural que assegure a idéia do “meu” e do “teu”.
b) É constituído pela inimizade, maldade, violência e destruição mútua, características inerentes ao ser humano.
c) Baseia-se em atos de agressão física, o que gera insegurança coletiva na manutenção dos direitos privados.
d) Pauta-se pela tripartição dos poderes como forma de manter a coesão natural e respeitosa entre as pessoas.
e) Constitui-se de uma relativa paz, que inclui a boa vontade, a preservação e a assistência mútua.

17 - ( UEL 2006) Tendo por base a concepção de contrato social em Locke, considere as afirmativas a seguir.
I. Os homens firmam entre si um pacto de submissão, por meio do qual transferem a um terceiro o poder de coerção, trocando a condição de desigualdade do Estado de Natureza pela segurança e liberdade do Estado social.
II. Os homens firmam um pacto de consentimento, no qual concordam livremente em formar a sociedade para preservar e consolidar os direitos que possuíam originalmente no Estado de natureza.
III. O exercício legítimo da autoridade, no Estado social, baseia-se na teoria do direito divino, em que os monarcas, herdeiros dos patriarcas, são representantes diretos que garantem o contrato social.
IV. O que leva os homens a se unirem e estabelecerem livremente entre si o contrato social é a falta de lei estabelecida, de juiz imparcial e de uma força coercitiva para impor a execução das sentenças.
Estão corretas apenas as afirmativas:
a) I e II.
b) I e III.
c) II e IV.
d) I, III e IV.
e) II, III e IV.
Leia os textos a seguir e responda :
“O direito natural se embasa [...] em princípios a priori da razão e é, portanto, cognoscível a priori pela razão de todo o homem, enquanto que o direito positivo é estatutário e procede da vontade do legislador. O primeiro há de servir como critério racional do segundo, já que é mister buscar na razão o critério do justo e do injusto, enquanto que o direito positivo diz o que é direito.” (KANT, Immanuel. La metafísica de las Costumbres. 2. ed. Trad. Adela Cortina Orts e Jesús Conill Sancho. Madri: Tecnos, 1994. p. XLIII.)
“Para Estados, em relação uns com os outros, não pode haver, segundo a razão, outro meio de sair do estado sem leis, que contém pura guerra, a não ser que eles, exatamente como homens individuais, desistam de sua liberdade selvagem (sem lei), consintam com leis públicas de coerção e assim formem um (certamente sempre crescente) Estado dos Povos (civitas gentium), que por fim viria a compreender todos os povos da terra.” (KANT, Immanuel. A paz perpétua. Trad. Marco Antônio Zingano. Porto Alegre: L&PM, 1989. p. 42.)

18 - ( UEL 2006) Com base nos textos e nos conhecimentos sobre o Direito Natural em Kant, é correto afirmar:
a) Modifica-se conforme as diversas compreensões de cada época histórica e de acordo com a variabilidade dos arranjos sociais.
b) A semelhança entre direito natural e direito positivo reside no fato de que ambos se fundamentam no direito estatal.
c) É constituído pela liberdade e serve de critério racional para o direito positivo, o qual deve efetivá-lo na forma da lei.
d) É descaracterizado de sentido, pois todo direito é positivo e tem sua origem na vontade do legislador.
e) Sujeita-se ao direito positivo e dele extrai a sua legitimidade, modificando-se com o passar do tempo.

19 - ( UEL 2006) Sobre a concepção de justiça em Kant, é correto afirmar:
a) É definida pelo direito positivo e nele encontra sua fonte, prescindindo de qualquer outro parâmetro de legitimidade.
b) Resulta da definição estatutária do direito, sob a forma da lei estabelecida nos códigos jurídicos e é confirmada pelas ações dos Estados.
c) Coincide com a vontade do legislador, a partir da qual são definidos os parâmetros racionais de gestão dos Estados.
d) Ampara-se em parâmetros racionais a priori que embasam o direito natural e que devem se converter em leis públicas de coerção.
e) Configura-se com base em valores comuns partilhados tradicionalmente em cada ordenamento jurídico-político.

20 - ( UEL 2006) “[...] Somente ordenamentos políticos podem ter legitimidade e perdê-la; somente eles têm necessidade de legitimação. [...] dado que o Estado toma a si a tarefa de impedir a desintegração social por meio de decisões obrigatórias, liga-se ao exercício do poder estatal a intenção de conservar a sociedade em sua identidade normativamente determinada em cada oportunidade concreta. De resto, é esse o critério para mensurar a legitimidade do poder estatal, o qual – se pretende durar – deve ser reconhecido como legítimo.” (HABERMAS, Jürgen. Para a reconstrução do Materialismo Histórico. 2. ed. Trad. Carlos Nelson Coutinho. São Paulo: Brasiliense, 1990. p. 219-221.) Com base no texto, é correto afirmar que a legitimidade do Estado em Habermas:
a) É uma necessidade que se impõe por meio da vontade do soberano, pois este é o único capaz de dispor de garantias sociais para todos.
b) Reside na preservação da identidade da sociedade como forma de assegurar a integração social.
c) É uma exigência que, uma vez conquistada, adquire perenidade sem se exaurir ao longo da história.
d) É atingida pelo uso do poder econômico ou da força bélica, elementos esses que podem se perder facilmente.
e) Conta de forma imprescindível com os parâmetros da vontade divina no estabelecimento de valores comumente vivenciados.

21 - ( UEL 2006) “Um povo, portanto, só será livre quando tiver todas as condições de elaborar suas leis num clima de igualdade, de tal modo que a obediência a essas mesmas leis signifique, na verdade, uma submissão à deliberação de si mesmo e de cada cidadão, como partes do poder soberano. Isto é, uma submissão à vontade geral e não à vontade de um indivíduo em particular ou de um grupo de indivíduos.” (NASCIMENTO, Milton Meira. Rousseau: da servidão à liberdade. In: WEFFORT, Francisco. Os clássicos da política. São Paulo: Ática, 2000. p. 196.) Com base no texto e nos conhecimentos sobre a legitimidade do poder do Estado em Rousseau, é correto afirmar:
a) A legislação que rege o Estado deve ser elaborada por um indivíduo escolhido para tal e que se tornará o soberano desse Estado.
b) A liberdade de uma nação é ameaçada quando se confere ao povo o direito de discutir a legitimidade das leis às quais está submetido.
c) Devido à ignorância e ao atraso do povo, devese atribuir a especialistas competentes o papel de legisladores.
d) A legitimidade das leis depende de que as mesmas sejam elaboradas pelo conjunto dos cidadãos, expressão da liberdade do povo.
e) A vontade do monarca, cujo poder é assegurado pela hereditariedade, deve prevalecer na elaboração das leis às quais se submetem os cidadãos.

22 - ( UEL 2006) “[...] uma pessoa age injustamente ou justamente sempre que pratica tais atos voluntariamente; quando os pratica involuntariamente, ela não age injustamente nem justamente, a não ser de maneira acidental. O que determina se um ato é ou não é um ato de injustiça (ou de justiça) é sua voluntariedade ou involuntariedade; quando ele é voluntário, o agente é censurado, e somente neste caso se trata de um ato de injustiça, de tal forma que haverá atos que são injustos mas não chegam a ser atos de injustiça se a voluntariedade também não estiver presente.” (ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. São Paulo: Nova Cultural, 1996. p. 207.) Com base no texto e nos conhecimentos sobre a concepção de Justiça em Aristóteles, é correto afirmar:
a) Um ato de justiça depende da consciência do agente e de ter sido praticado voluntariamente.
b) A noção de justo desconsidera a discriminação de atos voluntários e involuntários quanto ao reconhecimento de mérito.
c) A justiça é uma noção de virtude inata ao ser humano, a qual independe da voluntariedade do agente.
d) O ato voluntário desobriga o agente de imputabilidade, devido à carência de critérios para distinguir a justiça da injustiça.
e) Quando um homem delibera prejudicar outro, a injustiça está circunscrita ao ato e, portanto, exclui o agente.

23 - ( UEL 2006) “Uma moral racional se posiciona criticamente em relação a todas as orientações da ação, sejam elas naturais, auto-evidentes, institucionalizadas ou ancoradas em motivos através de padrões de socialização. No momento em que uma alternativa de ação e seu pano de fundo normativo são expostos ao olhar crítico dessa moral, entra em cena a problematização. A moral da razão é especializada em questões de justiça e aborda em princípio tudo à luz forte e restrita da universalidade.” (HABERMAS, Jürgen. Direito e democracia: entre facticidade e validade. v. I. Trad. Flávio Beno Siebeneichler. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1997. p. 149.) Com base no texto e nos conhecimentos sobre a moral em Habermas, é correto afirmar:
a) A formação racional de normas de ação ocorre independentemente da efetivação de discursos e da autonomia pública.
b) O discurso moral se estende a todas as normas de ações passíveis de serem justificadas sob o ponto de vista da razão.
c) A validade universal das normas pauta-se no conteúdo dos valores, costumes e tradições praticados no interior das comunidades locais.
d) A positivação da lei contida nos códigos, mesmo sem o consentimento da participação popular, garante a solução moral de conflitos de ação.
e) Os parâmetros de justiça para a avaliação crítica de normas pautam-se no princípio do direito divino.

24 - ( UEL 2006) “Desde o final do século XIX, impõe-se cada vez com mais força a outra tendência evolutiva que caracteriza o capitalismo tardio: a cientificação da técnica. No capitalismo sempre se registrou a pressão institucional para intensificar a produtividade do trabalho por meio da introdução de novas técnicas. As inovações dependiam, porém, de inventos esporádicos que, por seu lado, podiam sem dúvida ser induzidos economicamente, mas tinham ainda um caráter natural. Isso modificou-se, na medida em que a evolução técnica é realimentada com o progresso das ciências modernas. Com a investigação industrial de grande estilo, a ciência, a técnica e a revalorização do capital confluem num mesmo sistema. Entretanto, a investigação industrial associa-se a uma investigação nascida dos encargos do Estado, que fomenta em primeiro lugar o progresso científico e técnico no campo militar. Daí as informações refluem para as esferas da produção civil de bens.” (HABERMAS, Jürgen. Técnica e ciência como ideologia. Trad. Artur Morão. Lisboa: Edições 70, 1987. p. 72.) Com base no texto e nos conhecimentos sobre o capitalismo tardio, considere as afirmativas a seguir.
I. A espontaneidade e naturalidade dos inventos esporádicos bloquearam a produtividade no capitalismo.
II. No capitalismo tardio, há uma junção sistêmica entre a técnica, a ciência e a revalorização do capital.
III. No interior do capitalismo tardio, a técnica e a ciência são independentes e se desenvolvem em sentidos opostos.
IV. A produção civil de bens se apropria das informações geradas pela investigação industrial no campo militar.
Estão corretas apenas as afirmativas:
a) I e II.
b) II e IV.
c) III e IV.
d) I, II e III.
e) I, III e IV.

25 - ( UEL 2006) “Aristóteles foi o primeiro filósofo a elaborar tratados sistemáticos de Ética. O mais influente desses tratados, a Ética a Nicômaco, continua a ser reconhecido como uma das obras-primas da filosofia moral. Ali nosso autor apresenta a questão que, de seu ponto de vista, constitui a chave de toda investigação ética: Qual é o fim último de todas as atividades humanas?” (CORTINA, Adela; MARTÍNEZ, Emilio. Ética. Trad. Silvana Cobucci Leite. São Paulo: Loyola, 2005. p. 57.) Com base no texto e nos conhecimentos sobre a ética aristotélica, é correto afirmar:
a) É uma ética que desconsidera os valores culturais e a participação discursiva dos envolvidos na escolha da concepção de bem a ser perseguida.
b) É uma ética do dever que, ao impor normas de ação universais, transcende a concepção de vida boa de uma comunidade e exige o cumprimento categórico das mesmas.
c) É uma ética compreendida teleologicamente, pois o bem supremo, vinculado à busca e à realização plena da felicidade, orienta as ações humanas.
d) É uma ética que orienta as ações por meio da bem-aventurança proveniente da vontade de Deus, porém sinalizando para a irrealização plena do bem supremo nesta vida.
e) É uma ética que compreende o indivíduo virtuoso como aquele que já nasce com certas qualidades físicas e morais, em função de seus laços sanguíneos.


EIXOS TEMÁTICOS

EPISTEMOLOGIA - CONHECIMENTO


01 - Na sua obra “ Critica da Razão Pura”, Kant formulou uma síntese entre sujeito e objeto, mostrando que, ao conhecermos a realidade do mundo, participamos da sua construção mental. Segundo Kant, esta valorização do sujeito no ato do conhecimento, representou, na filosofia, algo comparável à:
a) Previsão da órbita do Cometa Halley no sistema solar.
b) Revolução de Copérnico na física.
c) Invenção do telescópio por Galileu Galilei.
d) Revolução Francesa, que derrubou o Ancien Regime.
e) Invenção da máquina a vapor.
02 - ( UEL Esp. 2005) “[...] Aristóteles estabelecia antes as conclusões, não consultava devidamente a experiência para estabelecimento de suas resoluções e axiomas. E tendo, ao seu arbítrio, assim decidido, submetia a experiência como a uma escrava para conformá-la às suas opiniões”. (BACON, Francis. Novum Organum. Trad. de José Aluysio Reis de Andrade. 4. ed. São Paulo: Nova Cultural, 1988. p. 33.) Com base no texto, assinale a alternativa que apresenta corretamente a interpretação que Bacon fazia da filosofia aristotélica.
a) A filosofia aristotélica estabeleceu a experiência como o fundamento da ciência.
b) Aristóteles consultava a experiência para estabelecer os resultados e axiomas da ciência.
c) Aristóteles afirmava que o conhecimento teórico deveria submeter-se, como um escravo, ao conhecimento da experiência.
d) Aristóteles desenvolveu uma concepção de filosofia que tem como conseqüência a desvalorização da experiência.
e) Aristóteles valorizava a experiência, por considerá-la um caminho seguro para superar a opinião e atingir o conhecimento verdadeiro.

03 - ( UEL Esp. 2005) “[...] nos tempos antigos era a filosofia que determinava o curso da ciência, o ideal do conhecimento era filosoficamente estipulado; nos tempos modernos, pelo contrário, o ideal científico, físico, do conhecimento passa a determinar o conhecimento metafísico”. (BORNHEIM, Gerd. Galileo Filósofo. In: Estudos sobre Galileo Galilei. Porto Alegre: UFRGS, Secretaria da Educação do Estado do Rio Grande do Sul e Consulado Geral da Itália de Porto Alegre, 1964. p. 78.) Com base no texto e nos conhecimentos sobre a relação entre filosofia e ciência, é correto afirmar:
a) O conhecimento científico, a partir da modernidade, determina o conhecimento filosófico.
b) A ciência antiga obteve maior êxito que a ciência moderna pelo fato de ter sido influenciada pela metafísica.
c) A filosofia moderna, por partir da ciência, finalmente atinge a verdade metafísica buscada pelos antigos.
d) A filosofia moderna, quando comparada às suas versões passadas, possui maior aplicabilidade instrumental.
e) A ciência moderna, quando traduzida para o discurso filosófico, resume-se a um conhecimento metafísico.

04 - ( UEL Esp. 2005) “O mundo real é simplesmente uma sucessão de movimentos atômicos em continuidade matemática. Nessas circunstâncias, a causalidade só poderia ser colocada, de maneira inteligível, nos próprios movimentos dos átomos [...]. Mas que fazer com Deus? Com a derrubada da causalidade final, Deus, como concebido pelo aristotelismo, estava praticamente perdido; negar francamente sua existência, no entanto, era, à época de Galileu, um passo demasiado radical para que qualquer pensador importante pudesse considerá-lo”. (BURTT, Edwin Arthur. As bases metafísicas da ciência moderna. Trad. de José Viegas Filho e Orlando Araújo Henriques. Brasília: UnB, 1991. p. 78.) Com base no texto e nos conhecimentos sobre a filosofia de Galileu, é correto afirmar:
a) Galileu pretendia construir uma nova metafísica em que a teologia apareceria como princípio último de explicação.
b) Segundo Galileu, tudo o que conhecemos sobre o mundo natural diz respeito à natureza íntima da força, ou de sua essência.
c) Galileu buscava estabelecer o fundamento das convicções a respeito da relação determinante do homem com a natureza.
d) A grandeza revolucionária de Galileu deveu-se a sua atitude de responder questões consideradas para além do domínio da ciência positiva.
e) O interesse de Galileu estava em mostrar que para todo movimento expressavel matematicamente existe uma causa primária.

05 - ( UEL Esp. 2005) “E quando considero que duvido, isto é, que sou uma coisa incompleta e dependente, a idéia de um ser completo e independente, ou seja, de Deus, apresenta-se a meu espírito com igual distinção e clareza; e do simples fato de que essa idéia se encontra em mim, ou que sou ou existo, eu que possuo esta idéia, concluo tão evidentemente a existência de Deus e que a minha depende inteiramente dele em todos os momentos da minha vida, que não penso que o espírito humano possa conhecer algo com maior evidência e certeza”. (DESCARTES, René. Meditações. Trad. de Jacó Guinsburg e Bento Prado Júnior. São Paulo: Nova Cultural, 1996. p. 297-298.) Com base no texto, é correto afirmar:
a) O espírito possui uma idéia obscura e confusa de Deus, o que impede que esta idéia possa ser conhecida com evidência.
b) A idéia da existência de Deus, como um ser completo e independente, é uma conseqüência dos limites do espírito humano.
c) O conhecimento que o espírito humano possui de si mesmo é superior ao conhecimento de Deus.
d) A única certeza que o espírito humano é capaz de provar é a existência de si mesmo, enquanto um ser que pensa.
e) A existência de Deus, como uma idéia clara e distinta, é impossível de ser provada.

06 - ( UEL Esp. 2005) “As experiências e erros do cientista consistem de hipóteses. Ele as formula em palavras, e muitas vezes por escrito. Pode então tentar encontrar brechas em qualquer uma dessas hipóteses, criticando-a experimentalmente, ajudado por seus colegas cientistas, que ficarão deleitados se puderem encontrar uma brecha nela. Se a hipótese não suportar essas críticas e esses testes pelo menos tão bem quanto suas concorrentes, será eliminada”. (POPPER, Karl. Conhecimento objetivo. Trad. de Milton Amado. São Paulo: Edusp & Itatiaia, 1975. p. 226.) Com base no texto e nos conhecimentos sobre ciência e método científico, é correto afirmar:
a) O método científico implica a possibilidade constante de refutações teóricas por meio de experimentos cruciais.
b) A crítica no meio científico significa o fracasso do cientista que formulou hipóteses incorretas.
c) O conflito de hipóteses científicas deve ser resolvido por quem as formulou, sem ajuda de outros cientistas.
d) O método crítico consiste em impedir que as hipóteses científicas tenham brechas.
e) A atitude crítica é um empecilho para o progresso científico.

07) Foram as duas grandes correntes que traduzem o sentido dos novos tempos.
a) Racionalismo e Empirismo.
b) Panenteismo e Pitagorismo.
c) Pré-socratismo e geocentrismo.
d) Antropologismo e Fisiologismo.
e) N.D.A

08) (UEL ESPEC 2003) "Você está acompanhando, Sofia? E agora vem Platão. Ele se interessava tanto pelo que é eterno e imutável na natureza quanto pelo que é eterno e imutável na natureza quanto pelo que é eterno e imutável na moral e na sociedade. Sim... para Platão tratava-se, em ambos os casos, de uma mesma coisa. Ele tentava entender uma `realidade` que fosse eterna e imutável. E, para ser franco, é para isto que os filósofos existem. Eles não estão preocupados em eleger a mulher mais bonita do ano, ou os tomates mais baratos da feira. (E exatamente por isso nem sempre são vistos com bons olhos). Os filósofos não se interessam muito por essas coisas efêmeras e cotidianas. Eles tentam mostrar o que é `eternamente verdadeiro`, `eternamente belo` e `eternamente bom'". (GAARDER, Jostein. O Mundo de Sofia. trad. de joão Azenha jr.são paulo:companhia das letras, 1995. p. 98.) Com base no texto e nos conhecimentos sobre a teoria das idéias de Platão, assinale a alternativa correta.
a) Para Platão, o mundo das idéias é o mundo do "eternamente verdadeiro", "eternamente belo" e "eternamente bom" e é distinto do mundo sensível no qual vivemos.
b) Platão considerava que tudo aquilo que pode ser percebido diretamente pelos sentidos constitui a própria realidade das coisas.
c) Platão considerava impossível que o homem pudesse ter idéias verdadeiras sobre qualquer coisa, seja sobre a natureza, a moral ou a sociedade, porque tudo é sonho e ilusão.
d) Para Platão, as idéias sobre a natureza, a moral e a sociedade podem ser explicadas a partir das diferentes opiniões das pessoas.
e) De acordo com Platão, o filósofo deve preocupar-se com as coisas efêmeras e cotidianas do mundo, tidas por ele como as mais importantes.

09 - (UEL ESPEC-2003) "Mas logo em seguida, adverti que, enquanto eu queria assim pensar que tudo era falso,cumpria necessariamente que eu, que pensava, fosse alguma coisa. E, notando que esta verdade eu penso,logo existo era tão certa que todas as mais extravagantes suposições dos céticos não seriam capazes de a abalar, julguei que poderia aceitá-la, sem escrúpulo, como o primeiro princípio da filosofia que procurava." (DESCARTES, René. Discurso do método. Trad. de J.Guinsburg e Bento Prado Júnior. São Paulo: Nova Cultural, 1996. p. 92. Colecão Os Pensadores.) De acordo com o texto e com os conhecimentos sobre o tema, assinale a alternativa correta.
a) Para Descartes, não podemos conhecer nada com certeza, pois tudo quanto pensamos está sujeito á falsidade.
b) O "eu penso, logo existo" expressa uma verdade instável e incerta, o que fez Descartes ser vencido pelos céticos.
c) A expressão "eu penso, logo existo" representa a verdade firme e certa com a qual Descartes fundamenta o conhecimento e a ciência.
d) As "extravagantes suposições dos céticos" impediram Descartes de encontrar uma verdade que servisse como princípio para a filosofia.
e) Descartes, ao acreditar que tudo era falso, colocava em dúvida sua própria existência.

10 - "Embora nosso pensamento pareça possuir esta liberdade ilimitada, verificaremos, através de um exame mais minucioso, que ele está realmente confinado dentro de limites muito reduzidos e que todo poder criador do espírito não ultrapassa a faculdade de combinar, de transpor, aumentar ou diminuir os materiais que nos foram fornecidos pelos sentidos e pela experiência." (HUME, David. Investigação acerca do entendimento humano. Trad. de Anoar Aiex. São Paulo: Nova Cultural, 1996. p.36. Colecão Os Pensadores.) De acordo com o texto, é correto afirmar que, para Hume:
a) Os sentidos e a experiência estão confinados dentro de limites muito reduzidos.
b) Todo conhecimento depende dos materiais fornecidos pelos sentidos e pela experiência.
c) O espírito pode conhecer as coisas sem a colabora(c)ão dos sentidos e da experiência.
d) A possibilidade de conhecimento é determinada pela liberdade ilimitada do pensamento.
e) Para formar as idéias, o pensamento descarta os materiais fornecidos pelos sentidos.

11 - Leia o texto: “Devemos submeter a experiência negativa a uma análise, com a finalidade de apurar o seu significado para o comportamento filosófico. Através de sua caracterização chegaremos a compreender que, através dela, e só através dela, pode o homem abandonar a postura dogmática, a aceder, consequentemente, á filosofia. Vale dizer que a experiência da negatividade é um momento do processo dialético que leva o homem a filosofar. Desta dialética, o primeiro momento é constituído pela afirmação dogmática do mundo: o segundo é a experiência da negatividade: e o terceiro, é o ato de assumir a filosofia como tarefa”. (BORNHEIM, G. Introdução ao filosofar. Porto Alegre: Globo, 1970. p.51). Esse texto refere-se a três momentos apontados pelo autor como constitutivos da descoberta do filosofar. Explique um desses momentos.


12 - Leia este texto: “Da filosofia nada direi, senão que, vendo que foi cultivada pelos mais excelsos espíritos que viveram desde muitos séculos e que, no entanto, nela não se encontra ainda uma só coisa sobre a qual não se dispute e, por conseguinte, que não seja duvidosa, eu não alimentava qualquer presunção de acertar mais que outros; e que, considerando quantas opiniões diversas, sustentadas por homens doutos, pode haver sobre uma mesma matéria, sem que jamais possa existir mais de uma que seja verdadeira, reputava quase como falso tudo o que era somente verossímil. Eis por que, tão logo a idade me permitiu sair da sujeição de meus preceptores, deixei inteiramente o estudo das letras. E, resolvendo-me a não mais procurar outra ciência, além daquela que poderia achar em mim próprio, ou então no grande livro do mundo, empreguei o resto de minha mocidade em viajar, em ver cortes e exércitos, em frequentar gente de diversos humores e condições, em recolher diversas experiências, em provar-me a mim mesmo nos reencontros que a fortuna me propunha e, por toda parte, em fazer tal reflexão sobre coisas que me apresentavam que eu pudesse tirar delas algum proveito.[...] Mas, depois que empreguei alguns anos em estudar assim no livro do mundo, e em procurar adquirir alguma experiência, tomei um dia a resolução de estudar também a mim próprio e de empregar todas as forcas de meu espírito na escolha dos caminhos que deveria seguir. (DESCARTES, René. Discurso do método. Primeira parte. São Paulo: Abril Cultural, 1972).
a) Na primeira parte do discurso do método, o autor faz uma avaliação de todos os conhecimentos acumulados pela tradição, inclusive da filosofia que aprendeu nos livros. - Explicite por que Descartes defende o abandonado dos caminhos traçados pela filosofia até então.






13 - (UEL ESPEC 2003) "Para concluir, acho que só há um caminho para a ciência ou para a filosofia: encontrar um problema, ver a sua beleza e apaixonarmo-nos por ele; casarmo-nos com ele, até que a morte nos separe a não ser que encontremos outro problema ainda mais fascinante, ou a não ser que obtenhamos uma solução. Mas ainda que encontremos uma solução, poderemos descobrir, para nossa satisfação, a existência de toda uma família de encantadores, se bem que talvez difíceis, problemas-filhos, para cujo bem-estar poderemos trabalhar,com uma finalidade em vista, até ao fim dos nossos dias." (POPPER, Karl. O Realismo e o objetivo da ciência. trad. de Nuno Ferreira da Fonseca. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1997. p. 42.) Com base no texto e nos conhecimentos sobre epistemologia, assinale a alternativa correta.
a) Para a ciência e a filosofia, a solução dos problemas que elas mesmas propõem é um objetivo inatingível.
b) Os problemas, filosóficos ou científicos, são prejudiciais á investigação.
c) Para a investigação científica, ou filosófica, é irrelevante a existência de problemas.
d) A ciência e a filosofia investigam problemas que constituem para elas o elemento motivador de suas próprias atividades.
e) A ciência e a filosofia investigam problemas que não têm relação com a realidade.

14 ( UEL 2006) Em sua obra Nova Atlântida, Francis Bacon descreve uma instituição imaginária chamada Casa de Salomão, cuja finalidade “[...] é o conhecimento das causas e dos segredos dos movimentos das coisas e a ampliação dos limites do império humano para a realização de todas as coisas que forem possíveis.” (BACON, Francis. Nova Atlântida. São Paulo: Nova Cultural, 1996. p. 245.) Sobre a concepção de ciência em Francis Bacon, é correto afirmar:
a) A ciência justifica-se por si própria e está desvinculada da necessidade de proporcionar conhecimento sobre a natureza.
b) O objetivo da ciência é fornecer a quem a controla um instrumento de domínio social sobre os outros homens.
c) Para a ciência, o enfrentamento das questões econômicas e sociais tem maior relevância do que o conhecimento da natureza, porque proporciona uma vida boa para os indivíduos.
d) A origem da ciência está dada em pressupostos a priori, sendo desnecessário o recurso ao saber prático e empírico.
e) A ciência visa o conhecimento da natureza com a intenção de controle e domínio sobre ela para que o homem possa ter uma vida melhor.

15 - ( UEL 2006) “Se um objeto nos fosse apresentado e fôssemos solicitados a nos pronunciar, sem consulta à observação passada, sobre o efeito que dele resultará, de que maneira, eu pergunto, deveria a mente proceder nessa operação? Ela deve inventar ou imaginar algum resultado para atribuir ao objeto como seu efeito, e é obvio que essa invenção terá de ser inteiramente arbitrária. O mais atento exame e escrutínio não permite à mente encontrar o efeito na suposta causa, pois o efeito é totalmente diferente da causa e não pode, conseqüentemente, revelar-se nela.” (HUME, David. Investigações sobre o entendimento humano e sobre os princípios da moral. Trad. José Oscar de Almeida Marques. São Paulo: UNESP, 2004. p. 57-58.) Com base no texto e nos conhecimentos sobre o empirismo de David Hume, é correto afirmar:
a) O efeito de uma causa é assegurado pela demonstração racional que, a priori, seleciona as possíveis conseqüências decorrentes dos objetos empiricamente aprendidos.
b) A causa revela pela sua própria natureza, independentemente da experiência e da razão, os efeitos que é capaz de produzir.
c) A razão é apta para relacionar as causas aos seus respectivos efeitos, uma vez que a vinculação entre causa e efeito é assegurada pelo princípio de identidade.
d) A descoberta do efeito de um objeto ocorre mediante a experiência, que assegura uma relação entre a causa e o efeito, porém desconhece a necessidade que os vinculam.
e) A conexão entre causa e efeito é fundamentada pela indução, a partir da constatação de que as observações passadas ocorrerão de forma semelhante no futuro.

16 - ( UEL 2006) “Quando é, pois, que a alma atinge a verdade? Temos de um lado que, quando ela deseja investigar com a ajuda do corpo qualquer questão que seja, o corpo, é claro, a engana radicalmente.
- Dizes uma verdade.
- Não é, por conseguinte, no ato de raciocinar, e não de outro modo, que a alma apreende, em parte, a realidade de um ser?
- Sim.
[...] - E é este então o pensamento que nos guia: durante todo o tempo em que tivermos o corpo, e nossa alma estiver misturada com essa coisa má, jamais possuiremos completamente o objeto de nossos desejos! Ora, esse objeto é, como dizíamos, a verdade.”  (PLATÃO. Fédon. Trad. Jorge Paleikat e João Cruz Costa. São Paulo: Nova Cultural, 1987. p. 66-67.) Com base no texto e nos conhecimentos sobre a concepção de verdade em Platão, é correto afirmar:
a) O conhecimento inteligível, compreendido como verdade, está contido nas idéias que a alma possui.
b) A verdade reside na contemplação das sombras, refletidas pela luz exterior e projetadas no mundo sensível.
c) A verdade consiste na fidelidade, e como Deus é o único verdadeiramente fiel, então a verdade reside em Deus.
d) A principal tarefa da filosofia está em aproximar o máximo possível a alma do corpo para, dessa forma, obter a verdade.
e) A verdade encontra-se na correspondência entre um enunciado e os fatos que ele aponta no mundo sensível.


EIXOS TEMÁTICOS

ESTÉTICA OU FILOSOFIA DA ARTE

1) (UEL 2003-ESPEC): “Se chegasse à nossa cidade um homem aparentemente capaz, devido à sua arte, de tomar todas as formas e imitar todas as coisas, ansioso por se exibir juntamente com os seus poemas, prosternávamo-nos diante dele, como de um ser sagrado, maravilhoso, encantador; mas dir-lhe-íamos que na nossa cidade não há homens dessa espécie, nem sequer é licito que existam, e mandá-lo-íamos embora para outra cidade, depois de lhe termos derramado mirra sabre a cabeça e de o termos coroado de grinaldas.” (Platão. A República. Trad. de Maria Helena da Rocha Pereira. 7. ed. Lisboa: Calouste Gulbenkian, 1993. p. 125.)Com base no texto e nos conhecimentos sobre a arte em Platão, é correto afirmar:
a) Platão é contrário à imitação, por ela ser a “aparência da aparência” ou uma cópia da realidade, num nível inferior.
b) Platão valoriza a presença dos artistas nas cidades, par sua capacidade de imitar todas as coisas.
c) Platão concebe a imitação como uma atividade que, ao invés de copiar aparências, imita emoções e ações.
d) Platão valoriza os poemas porque eles, apesar de imitarem as coisas, proporcionam um grande prazer sensível.
e) Platão admite a possibilidade de a imitação adquirir uma perspectiva positiva, desde que seja concebida como contendo uma visão que se afaste da sofistica.

2) (UEL 2003-ESPEC): “Leni Riefenstahl destacou-se nos anos 20 e 30 como cineasta, dirigindo, entre outros, documentários encomendados pelo líder da propaganda nazista, Joseph Goebbels. Com os filmes “Triunfo da Vontade” (1935), sobre o culto ao “Führer” Adolf Hitler, e “Olímpia” (1938), um exemplo da devoção nacional-socialista em torno do corpo e da beleza, Riefenstahl ganhou fama em todo a mundo. Mas também a estampa de ideóloga nazista.” (O ressurgimento de Leni Riefenstahl. Disponível em: http://www.uol.com.br/fsp/mais/fs1911200006.htm Acesso em 20 nov. 2002.) “Sem dúvida Benjamin, como Marcuse, vê na arte de massa do fascismo, que surge com a pretensão de ser política, perigo de uma falsa dissolução da arte autônoma. Essa arte propagandista dos nazistas  liquida efetivamente a arte como uma esfera autônoma, mas atrás do véu da politização ela está a serviço, na verdade, da estetização do poder político bruto.” (FREITAG, Bárbara; ROUANET Sérgio Paulo (Orgs.). Habermas. São Paulo: Ática, 1990. p. 175.) Com base nos textos acima e em seu conhecimento sobre a relação entre cinema e política, é correto afirmar:
a) O caráter autônomo da arte cinematográfica impede que suas produções sejam apropriadas por regimes políticos, tais como o nazismo e o fascismo.
b) A propaganda ideológica contida nos filmes encomendados pelo nazismo valorizou a arte enquanto uma esfera autônoma.
c) A arte cinematográfica ao ser transformada em propaganda ideológica de regimes autoritários como o nazismo perde seu caráter de esfera autônoma.
d) Os filmes de Leni Riefenstahl constituem-se em documentários destituídos de qualquer natureza ideológica ou de propaganda do regime nazista.
e) A propaganda nazista, veiculada pelo cinema, tornou a arte um instrumento de crítica das desigualdades sociais.

3) (UFU - JAN. 2001) Para Sartre (1905-1980) a homem a todo momento está escolhendo o caminho a seguir em sua existência, e esta escolha tem valor porque é feita entre outras inúmeras possibilidades; esta situação é de angústia, mas, uma vez feita a escolha, a angústia passa a ser a autonomia do querer. A situação existencialista da escolha, tal como foi descrita, implica: a má fé do homem, pois a escolha é feita somente para satisfação de si mesmo. A responsabilidade do homem, pois ele é sempre o autor da escolha feita. A falsa consciência, que desconhece a autonomia e aceita aquilo que fazem de si. A natureza humana imutável do indivíduo, que é a certeza da liberdade espiritual.

4) (UFU - JULHO 1998) O Existencialismo é uma filosofia do século XX, que procura resgatar a valor da subjetividade, da concretude da vida humana, da singularidade indeterminada. A famosa frase de Sartre - “A existência precede a essência.” - significa que a homem é um projeto utópico de ser, condicionado pela sua existência. Neste sentido o(s) fundamento(s) teórico(s) e histórico(s) do Existencialismo de Sartre são: a desejo de ser o que é, próprio do século XIX, e a decepção do homem com a Igreja na sociedade atual. A exaltação ao materialismo que determina a vida do homem, própria do século XIX. As filosofias de Marx-Engels e o movimento negro, o rock, o feminismo e a revolução social pós guerra. O resgate do afeto, desejo e paixão segundo Freud e a exaltação do sexo como finalidade ética da vida no consumismo atual. A  concepção de que a homem não é mais que o que ele faz na sua existência, própria do contexto histórico dilacerado da Europa do pós-guerra.

5) Na segunda metade do século XVIII, a sociedade européia atravessa uma profunda convulsão. O começo a Revolução Industrial, a Guerra da Independência Americana e a Revolução Francesa criaram um clima propício ao aparecimento de nova idéias. O principal movimento artístico deste período... Escreva a respeito.

6) Leia, interprete e escreva o seu entendimento sobre o texto:
“Do ponto de vista estritamente filosófico, a estética estuda racionalmente o belo e o sentimento que este desperta nos homens. Dessa forma, surge o uso corrente, comum, de estética como sinônimo de beleza. É esse o sentido dos vários institutos de estética: institutos de beleza que pode abranger do salão de cabeleireiro à academia de ginástica. A palavra estética vem do grego aisthesis e significa “faculdade de sentir”.

07 - ( UEL 2006) “Efetivamente, um bom poeta, se quiser produzir um bom poema sobre o assunto que quer tratar, tem de saber o que vai fazer, sob pena de não ser capaz de o realizar. Temos, pois, de examinar se essas pessoas não estão a ser ludibriadas pelos imitadores que se lhes depararam, e, ao verem as suas obras, não se apercebem de que estão três pontos afastados do real, pois é fácil executá-las mesmo sem conhecer a verdade, porquanto são fantasmas e não seres reais o que eles representam; ou se tem algum valor o que eles dizem, e se, na realidade, os bons poetas têm aqueles conhecimentos que, perante a maioria, parecem expor tão bem.” (PLATÃO. A República. Trad. Maria Helena da Rocha Pereira. 7. ed. Lisboa: Calouste Gulbenkian, s.d., p. 458.) Com base no texto e nos conhecimentos sobre a mímesis em Platão, considere as afirmativas a seguir.
I. Platão faz críticas aos poetas que imitam o que não conhecem e dão ouvidos à multidão ignorante, permanecendo, dessa forma, distantes três graus da verdade representada pela idéia.
II. Apesar de criticar a poesia imitativa, Platão abre uma exceção para Homero, por considerar a totalidade da sua poesia como materialização plena da verdade em primeiro grau e, portanto, benéfica para a educação dos cidadãos.
III. Escrever um bom poema implica seguir uma determinada métrica e os conhecimentos do mundo sensível, representando os homens iguais, melhores ou piores do que eles são.
IV. Por não estarem em sintonia com a cidade ideal, Platão exclui os poetas que se limitam somente à arte de imitar e, por esse motivo, ao visitarem a cidade, serão aconselhados a seguir adiante.
Estão corretas apenas as afirmativas:
a) I e IV.
b) II e III.
c) III e IV.
d) I, II e III.
e) I, II e IV.

08 - ( UEL 2006) Analise as imagens a seguir. As imagens I e II representam duas formas artísticas de um fenômeno que provocou mudanças significativas na arte, sobretudo a partir do século XX: a reprodutibilidade técnica. Com base nas imagens e nos conhecimentos sobre a reprodutibilidade técnica em Walter Benjamin, é correto afirmar:
a) A reprodução das obras de arte começa no final do século XIX com o surgimento da fotografia e do cinema, pois até então as obras não eram copiadas, por motivos religiosos e místicos.
b) Na passagem do período burguês para a sociedade de massas, o declínio da aura que ocorre na arte pode ser creditado a fatores sociais, como o desejo de ter as coisas mais próximas e superar aquilo que é único.
c) A perda da aura retira da arte o seu papel crítico no interior da sociedade de consumo, isto ocorre porque a reprodutibilidade técnica destrói a possibilidade de exposição das obras.
d) Desde o período medieval, o valor de exposição das obras de arte é fator preponderante, visto que o desempenho de sua função religiosa exigia que a arte aparecesse de forma bem visível aos espectadores que a cultuavam.
e) O cinema desempenha um importante papel político de conscientização dos espectadores, uma vez que seu caráter expositivo tornou-se cultual ao recuperar a dimensão aurática.

09 - ( UEL 2006) Uma das afirmações mais conhecidas e citadas de Galileu, que reflete o novo projeto da ciência da natureza, é a seguinte: “A filosofia está escrita neste grandíssimo livro que aí está aberto continuamente diante dos olhos (digo, o universo), mas não se pode entendê-lo se primeiro não se aprende a entender a língua e conhecer os caracteres nos quais está escrito. Ele está escrito em língua matemática, e os caracteres são triângulos, círculos e outras figuras geométricas, meios sem os quais é humanamente impossível entender-lhe sequer uma palavra; sem estes trata-se de um inútil vaguear por obscuro labirinto.” (NASCIMENTO, Carlos Arthur R. De Tomás de Aquino a Galileu. 2. ed. Campinas: UNICAMP, 1998. p. 176.) Com base no texto e nos conhecimentos sobre a concepção de ciência em Galileu, é correto afirmar:
a) Ciência é o conhecimento fixo, estável e perene da essência constitutiva da realidade, alcançável por meio da abstração.
b) A autonomia da explicação científica baseia-se em argumentos de autoridade e princípios metafísicos que justificam a verdade imutável do mundo natural.
c) A verdade natural é conhecida independente de teorias e da realização de experiências, já que o fator primordial da ciência é o uso da matemática para decifrar a essência do mundo.
d) A compreensão da natureza por meio de caracteres matemáticos significa decifrar a obra da criação e, conseqüentemente, ter acesso ao conhecimento do próprio criador.
e) A ciência busca construir o conhecimento assentado na razão do sujeito e no controle experimental dos fenômenos naturais representados matematicamente.

EIXOS TEMÁTICOS

INDUSTRIA CULTURAL


01 - Na década de 1920, um grupo de pensadores alemães — Horkheimer, Adorno, Marcuse, Habermas — entre outros, participaram de um círculo de discussões filosóficas conhecido como Escola de Frankfttrt. Suas reflexões, entre outras questões, concentraram-se na análise da sociedade de massa, à qual o progresso tecnológico está colocado a serviço do capitalismo. Sua produção filosófica ficou conhecida como: dialética do conhecimento.
a) crítica a pós-modernidade.
b) razão ornamental.
c) teoria crítica.
d) crítica a razão iluminista.
02 -(UEL-2004/ESP.) ‘’A doença da razão está no fato de que ela nasceu da necessidade humana de dominar a natureza. Essa vontade de dominar a natureza, compreender suas ‘leis ‘para submetê-la, exigiu a instauração de uma organização burocrática e impessoal, que, em nome do triunfo da razão sobre a natureza , chegou a reduzir o homem a simples instrumento. Naturalmente, as possibilidades atuais eram inimagináveis nos tempos passados: hoje o progresso tecnológico põe a disposição de todos objetos e bens que antes só existiam nos sonhos dos utopistas. [...] O progresso dos recursos técnicos, que poderia servir para iluminar a mente do homem, se acompanha pelo processo da desumanização, de tal modo que o progresso ameaça destruir precisamente o objetivo que deveria realizar: a idéia do homem.’’ Com base no texto e nos conhecimentos sobre razão instrumental em Adomo e Horkhrimer, considere as afirmativas a seguir.
I- A forma como o domínio da natureza foi alcançado preservou a ‘’idéia do homem’’, objetivo central do progresso técnico.
II- O objetivo do homem, desde o inicio de sua historia, era o de dominar a natureza e fazer uso de seus recursos para viver melhor.
III- A dimensão crítica da razão, imune ao progresso tecnológico e ao avanço da ciência, impediu a dominação do homem.
IV- A humanidade, nos dias atuais, atingiu um grau significativo de controle sobre o meio em que vive, e para isso, conta com o auxilio de instrumentos administrativos e tecnológicos.
Estão corretas apenas as afirmativas:
a) I e III
b) I e IV
c) II e IV
d) I, II e III
e) II, III e IV

03 - (UEL-2004/ESP.) ‘’O aumento da produtividade econômica , que por um lado produz as condições mais justas para um mundo mais justo, confere por outro lado ao aparelho técnico e aos grupos sociais que controlam uma superioridade imensa sobre o resto da população. O individuo se vê completamente anulado em face dos poderes econômicos. Ao mesmo tempo, estes elevam o poder da sociedade sobre a natureza a um nível jamais imaginado. Desaparecendo diante do aparelho a que serve, o individuo se vê,ao mesmo tempo, melhor do que nunca provido por ele. Numa situação injusta, a impotência e a dirigibilidade da massa aumentam com a quantidade de bens a ela destinados.’’ De acordo com o texto de Adomo e Horkheimer, é correto afirmar:
a) A alta capacidade produtiva da sociedade garante liberdade e justiça para seus membros, independentemente da forma como ela se estrutura, controlando ou não seus membros.
b) O “desaparecimento” do indivíduo diante do aparato econômico da sociedade se deve à incapacidade dos próprios cidadãos em se integrarem adequadamente ao mercado de trabalho.
c) A ciência e a técnica, independente de quem tem seu controle, são as responsáveis pela circunstância de muitos estarem impossibilitados de atingir o status de sujeito numa sociedade altamente produtiva.
d) O fato de a sociedade produzir muitos bens, valendo se da ciência e da técnica, poderia representar um grau maior de justiça para todos; no entanto, ela anula o indivíduo em função do modo como está organizada e como é exercido o poder.
e) O alto grau de autonomia das massas na sociedade capitalista contemporânea é resultado do avançado domínio tecnológico alcançado pelo homem.

04 - (UEL 2003 Esp) “ Tudo indica que o termo “industria Cultural” foi empregado pela primeira vez no livro Dialética do Esclarecimento, que Horkheimer(1895-1973) e eu ( Adorno, 1903-1969) publicamos em 1947, em Amsterdã. (...) Em todos os seus ramos fazem-se, mais ou menos segundo um plano, produtos adaptados ao consumo das massas e que em grande medida determinam esse consumo” ( ADORNO, Theodor. A industria cultural. In: COHN, Gabriel. São Paulo. Ática. 1986. p92). Com base no texto e na concepção de Industria Cultural expressa por Adorno e Horkheimer, é correto afirmar:
a) Os produtos da indústria cultural caracterizam-se por ser a expressão espontânea das massas.
b) Os produtos da industria cultural afastam o individuo da rotina do trabalho alienante realizado em seu cotidiano.
c) A quantidade, a diversidade e a facilidade de acesso aos produtos da indústria cultural contribuem para a formação de indivíduos críticos, capazes de julgar com autonomia.
d) A industria cultural visa à promoção das mais diferentes manifestações culturais, preservando as características originais de cada uma deles.
e) A industria cultural banaliza a arte ao transformar obras artísticas em produtos voltados  para o consumo de massa.

05 – (UFUB) Quanto ao conceito de industria cultural, é correto afirmar:
I – A indústria cultural produz bens culturais como mercadorias.
II – O objetivo da indústria cultural é estimular a capacidade crítica dos indivíduos.
III – A industria cultural cria a ilusão de felicidade no presente e elimina a dimensão crítica.
IV – A indústria cultural ocupa o espaço de lazer do trabalhador sem lhe dar tempo para pensar sobre as condições de exploração em que vive. Assinale a alternativa correta:
a) II, III e IV estão corretas.
b) I, II e III estão corretas.
c) I, III e IV estão corretas.
d) I, II e IV estão corretas.
e) II e III estão corretas.

06 - ( UEL 2006) “O que os homens querem aprender da natureza é como aplicá-la para dominar completamente sobre ela e sobre os homens. Fora isso, nada conta. [...] O que importa não é aquela satisfação que os homens chamam de verdade, o que importa é a operation, o procedimento eficaz. [...] A partir de agora, a matéria deverá finalmente ser dominada, sem apelo a forças ilusórias que a governem ou que nela habitem, sem apelo a propriedades ocultas. O que não se ajusta às medidas da calculabilidade e da utilidade é suspeito para o iluminismo [...] O iluminismo se relaciona com as coisas assim como o ditador se relaciona com os homens. Ele os conhece, na medida em que os pode manipular. O homem de ciência conhece as coisas, na medida em que as pode produzir.” (ADORNO, Theodor; HORKHEIMER, Max. Conceito de Iluminismo. Trad. Zeljko Loparic e Andréa M. A . C. Loparic. 2. ed. São Paulo: Victor Civita, 1983. p. 90-93.) Com base no texto e nos conhecimentos sobre a racionalidade instrumental em Adorno e Horkheimer, é correto afirmar:
a) A razão iluminista proporcionou ao homem a saída da menoridade da qual ele era culpado e permitiu o pleno uso da razão, dispensando a necessidade de tutores para guiar as suas ações.
b) O procedimento eficaz, aplicado segundo as regras da calculabilidade e da utilidade, está desvinculado da esfera das relações humanas, pois sua lógica se restringe aos objetos da natureza.
c) A racionalidade instrumental gera de forma equânime conforto e bem estar para as pessoas na esfera privada e confere um maior grau de liberdade na esfera social.
d) A visão dos autores sobre a racionalidade instrumental guarda um reconhecimento positivo para setores específicos da alta tecnologia, sobretudo aqueles vinculados à informática.
e) Contrariando a tese do projeto iluminista que opõe mito e iluminismo, os autores entendem que há uma dialética entre essas duas dimensões que resulta no domínio perpetrado pela razão instrumental.

07 – (UEL 2006 Soc.) “A indústria cultural vende Cultura. Para vendê-la, deve seduzir e agradar o consumidor. Para seduzi-lo e agradá-lo, não pode chocá-lo, provocá-lo, fazê-lo pensar, fazê-lo ter informações novas que perturbem, mas deve devolver-lhe, com nova aparência, o que ele sabe, já viu, já fez. A ‘média’ é o senso-comum cristalizado que a indústria cultural devolve com cara de coisa nova [...]. Dessa maneira, um conjunto de programas e publicações que poderiam ter verdadeiro significado cultural tornam-se o contrário da Cultura e de sua democratização, pois se dirigem a um público transformado em massa inculta, infantil, desinformada e passiva.” (CHAUÍ, Marilena. Filosofia. 7. ed. São Paulo: Ática, 2000. p. 330-333.) Com base no texto e nos conhecimentos sobre meios de comunicação e indústria cultural, considere as afirmativas a seguir.
I. Por terem massificado seu público por meio da indústria cultural, os meios de comunicação vendem produtos homogeneizados.
II. Os meios de comunicação vendem produtos culturais destituídos de matizes ideológicos e políticos.
III. No contexto da indústria cultural, por meio de processos de alienação de seu público, os meios de comunicação recriam o senso comum enquanto novidade.
IV. Os produtos culturais com efetiva capacidade de democratização da cultura perdem sua força em função do poder da indústria cultural na sociedade atual.
Estão corretas apenas as afirmativas:
a) I e II.
b) I e III.
c) II e IV.
d) I, III e IV.
e) II, III e IV.



1. O QUE É FILOSOFIA?
Por Marta Caregnato



Filosofia (do grego filo = amor, sofia = sabedoria) significa amor à sabedoria, ou amor pela sabedoria. O primeiro a pronunciar a palavra “filosofia”, segundo a tradição, foi Pitágoras, que disse: “A sabedoria só convém a Deus, o máximo que o ser humano pode aspirar é ser um amigo da sabedoria, ou seja, um filósofo”.

A filosofia surgiu na Grécia por volta do século VI a.C. Antes dessa época, as perguntas sobre a vida e o surgimento do universo haviam sido respondidas por mitos através de diversas religiões. As mitologias explicavam os fenômenos da natureza, como a chuva, terremotos, entre outros. Os primeiros filósofos começaram a questionar essa visão mitológica do mundo. Surge, assim, uma nova visão de mundo baseada na razão (logos). Os filósofos gregos começaram a buscar explicações racionais para os fenômenos da natureza. Este método racional foi a grande descoberta do gregos. Esta descoberta condicionou todo o ocidente. Desde então, nos tornamos a cultura da razão.

A Filosofia pretende explicar a totalidade das coisas, isto é, o todo, toda a realidade. Esta é a diferença entre a filosofia e as ciências particulares. Pois, as ciências se limitam a explicar partes da realidade. Quando, por exemplo, nos perguntamos: “O que é o ser humano?” A Biologia, que é uma ciência particular, reduz o ser humano a um conjunto de genes (basta lembrar o Projeto Genoma). Ao passo que a Filosofia pretende explicar o ser humano em sua totalidade (corpo, alma e espírito).

Para explicitar melhor, poderíamos analisar os diferentes hobbies das pessoas[1]. Existem alguns que colecionam moedas antigas ou cartões telefônicos, outros gostam de artesanato. Alguns são fascinados com esportes, outros com novelas, outros ainda preferem ler. Entre as leituras, existem aqueles que curtem aventura, outros romance, outros ainda preferem suspense ou tecnologia. Se me interesso por leitura não posso querer que todos tenham o mesmo interesse. Se gosto de futebol, tenho que aceitar que outras pessoas acham o futebol uma chatice. Mas será que existe alguma coisa que interessa a todos? Sim. É sobre tais questões que a filosofia trata. Nós precisamos saber quem somos e porque vivemos. Este interesse não é comum como, por exemplo, colecionar cartões telefônicos. Saber quem somos, ou como surgiu a vida é mais importante do que saber quem ganhou a copa do mundo. A filosofia trata de questões como: Quem sou eu? De onde vim? Existe uma vontade ou sentido atrás do que ocorre? Como devemos viver? Qual o fundamento último da realidade?...

Mas por que o ser humano sentiu a necessidade de perguntar? Os antigos[2] respondiam que tal necessidade se enraíza na própria natureza humana. Aristóteles escreve: “Por natureza todos os humanos aspiram o saber” (...) “Exercitar a sabedoria e o conhecer são por si mesmo desejáveis aos seres humanos: com efeito, não é possível viver como seres humanos sem essas coisas”. As pessoas aspiram naturalmente à sabedoria porque se sentem cheios de maravilhamento, de admiração. Segundo Aristóteles: “Os seres humanos começaram a filosofar tanto agora como na origem por causa do maravilhamento: no princípio, ficavam maravilhados diante das dificuldades mais simples; em seguida, progredindo pouco a pouco, chegaram se colocar problemas sempre maiores, como os relativos aos fenômenos da lua, do sol e dos astros e, depois, os problemas relativos à origem de todo universo”.

Os problemas da filosofia, como: “Por que existe o ser e não o nada?”, “ Qual a razão de tudo?”, “ Por que eu existo?”... São problemas que não podem ser rejeitados. “São problemas que, a medida que são rejeitados, diminuem aquele que os rejeita”[3].  A admiração que surge do filosofar pode ser comparada a um truque de magia[4]. Não compreendemos como o mágico consegue transformar dois lenços em um coelho. Assim é o mundo tão incompreensível quanto um coelho tirado da cartola de um mágico. Em relação ao coelho, sabemos que o mágico nos iludiu. Quanto ao mundo, sabemos que ele não é mentira nem ilusão. Na realidade somos o coelho tirado da cartola. A diferença é que o coelho não sabe que está participando do truque de mágica. Nós sabemos que fazemos parte deste mistério e gostaríamos de explicar como isso funciona.

O coelho poderia ser comparado com todo o universo. Nós somos os bichinhos que vivem no fundo dos pêlos do coelho. Mas os filósofos tentam sair do fundo dos pêlos para a ponta dos finos pêlos e olhar dentro dos olhos do grande mágico.

“Vamos resumir: um coelho branco é tirado de dentro de uma cartola. E porque se trata de um coelho muito grande, este truque leva bilhões de anos para acontecer. Todas as crianças nascem nas pontas dos finos pêlos do coelho. Por isso, elas conseguem se encantar com a impossibilidade do número de mágica a que assistem. Mas conforme vão envelhecendo, elas vão se arrastando cada vez mais para o interior da pelagem do coelho. E ficam por lá. Lá em baixo é tão confortável que elas não ousam mais subir até a ponta dos finos pêlos lá em cima. Só os filósofos têm ousadia para se lançar nesta jornada rumo aos limites da linguagem e da existência. Alguns deles não chegam a concluí-la, mas outros se agarram com força aos pêlos do coelho e berram para as pessoas que estão lá em baixo, no conforto da pelagem”[5]:

- Senhoras e senhores – gritam os filósofos – “uma vida sem busca não merece ser vivida”!

Mas ninguém lá em baixo se interessa pela gritaria dos filósofos.

- Deus do céu! Que caras mais barulhentos!

E continuam a conversar: você poderia me passar o açúcar? Você viu o que aconteceu na novela das oito? Quem você acha que vai para o paredão no Big Brother? Você viu o final do campeonato?



EXERCÍCIO:

Fazer uma redação: “Quem sou eu? De onde vem o mundo? De onde vem o certo e o errado? Deus existe?”



2. OS PRÉ-SOCRÁTICOS OU FILÓSOFOS DA NATUREZA (PHYSIS)



2.1.  TALES

“Tudo é água”. (Tales)



Os primeiros filósofos gregos são chamados de filósofos da natureza, porque se interessavam pelo problema concernente ao princípio (arché), ou seja, a origem de todas as coisas. Estes filósofos denominavam a realidade originária por physis, isto é, natureza. Por esta razão, os primeiros filósofos que desenvolveram esta problemática são chamados também de físicos. O “princípio” (arché) é aquilo de que derivam todas as coisas.

O primeiro filósofo que temos notícia é Tales de Mileto. Tales disse que o princípio do universo é a água. O filósofo identificou o princípio com a água, porque constatou que a água está presente em tudo que tem vida. A árvore, por exemplo, só vem a existir pela umidade que a semente recebe.

Dentre os fragmentos atribuídos a Tales, conservam-se as seguintes máximas[6]:

“Muitas palavras não revelam opinião sábia. Procura uma única sabedoria, escolhe um único bem, pois assim calarás as línguas inquietas dos homens loquazes”.

“Deus é o mais antigo dos seres, pois é incriado.

Mais belo é o universo, pois é obra de Deus.

Maior é o espaço, pois contém todas as coisas.

Mais veloz é o espírito, pois corre para tudo.

Mais forte é a necessidade, pois domina tudo.

Mais sábio é o tempo, que revela tudo”.



2.2. ANAXIMANDRO

“O princípio dos seres é o infinito”. (Anaximandro)



Anaximandro de Mileto (fim do séc. VII – segunda metade do séc. VI a.C.) foi discípulo de Tales, continuou a pesquisa do princípio e criticou o pensamento de seu mestre. Para Anaximandro, o princípio é o infinito (apeíron), as coisas derivam dele por uma espécie de injustiça originária. O nascimento está ligado ao nascimento dos contrários, que tendem a subjugar um ao outro. A morte é o retorno dos contrários por uma espécie de expiação.


2.3. ANAXÍMENES

“Como a nossa alma, sendo ar nos mantém vivos, da mesma forma o sopro e o ar sustentam o cosmo inteiro”. (Anaxímenes)

Anaxímenes de Mileto (séc. VI a.C.) foi aluno de Anaximandro e sustentava que o ar infinito, difuso por toda parte em movimento é a substância básica de todas as coisas. O ar sustenta e governa o universo.

2.4. HERÁCLITO DE ÉFESO, O “OBSCURO” (540 – 480 A.C.)

“Não se entra duas vezes no mesmo rio”. (Heráclito)

Heráclito de Éfeso (540 – 480 a.C.) Sua teoria: tudo está em eterno fluir; as contradições harmonizam-se e unificam-se.  O fogo seria a causa primitiva do Universo.

Segundo Heráclito, a característica fundamental da natureza é a constante transformação. Heráclito dizia: “Tudo flui” (panta rhei), ou seja, tudo está em movimento, em constante transformação e nada dura para sempre. Por isso, “não podemos entrar duas vezes no mesmo rio”. Quando entramos no rio pela segunda vez, ele já não é o mesmo.
Ser e não ser, tudo e nada, dia e noite, fogo e gelo, amor e ódio são “oposições” que, em algum momento, se harmonizam.
Tudo tende ao seu contrário. Em alguns dos versos atribuídos a Heráclito, encontramos tentativas de “demonstração” desta proposição. Exemplo:

ü                      Uma roupa de tecido branco, se deixada sem nenhuma proteção, exposta ao ambiente, tende a escurecer; já uma roupa de tecido preto, exposta a sol e chuva, tende a clarear.
ü                      amores que viram ódio e vice-versa. Você já ouviu algo assim? - Cuidado, essa sua implicância com Fulano(a) ainda vai virar romance! Pois saiba que não só vovós, mamães, amiguinhas e titias disseram e dizem coisas como essa. Para muitos psicanalistas, nossos impulsos de vida e de morte, de amor e de ódio, têm mesmo uma estreita ligação.

2.5. PARMÊNIDES

“O ser é, o não-ser não é, o ser é e não poderia deixar de ser”. (Parmênides)

Parmênides queria dar uma resposta aos seguintes questionamentos: qual é a composição básica e fundante do Universo? Qual é o elemento ao qual se pode reduzir tudo o que existe? E é o ser, segundo Parmênides, o tal elemento fundante. Antes de ser qualquer coisa, uma coisa somente é. Ou seja, antes de ser verde, uma árvore é arvore. Antes de ser árvore, uma árvore, ou qualquer outra coisa, simplesmente é.
       Segundo Parmênides, pensamento e expressão do pensamento (linguagem) são possibilidades idênticas no horizonte do ser. Dito de modo mais claro: uma coisa é ou não é. Se é, pode ser pensada. Se pode ser pensada, pode ser expressa de alguma forma. Se é (existe), pode ser pensada e expressa pela razão.
Tudo o que existe, segundo Parmênides: é idêntico a si mesmo, é imóvel e é imutável.

     
Em Parmênides encontramos um elemento básico das teorias sobre o que existe e o que não existe; ele foi o primeiro a colocar a razão, o pensamento acima da experiência. O mundo real não é o que pode ser observado, mas, o que pode ser racionalmente  expresso e analisado.

1.6. OS PITAGÓRICOS
“O um é o princípio de todas as coisas”.

Para os pitagóricos, o princípio da realidade é o “número”. Porque os fenômenos mais significativos, como as harmonias musicais e os fenômenos astronômicos, acontecem segundo a regularidade numérica.
Os pitagóricos herdaram do Orfismo o conceito de metempsicose, ou seja, a reencarnação em virtude da purificação da alma para o retorno aos deuses. A virtude catártica era o conhecimento filosófico, isto é, a vida contemplativa suprema que eleva o ser humano à contemplação da Verdade.

1.7. EMPÉDOCLES (484 – 424 A.C.)

“Durante o ódio tudo é distorcido e contrastante, mas depois, durante o amor, estão próximos, e uns pelos outros se anseiam os elementos de que resultam todas as coisas”. (Empédocles)

O princípio, para Empédocles, é água, ar, terra e fogo movidos e governados por duas forças cósmicas: o amor e o ódio. O amor agrega e o ódio desagrega. Quando o amor prevalece, temos a unidade (esfero). Quando o ódio prevalece, temos o máximo de desagregação (caos). Do predomínio relativo do ódio gera-se o cosmo.

3. O SURGIMENTO DOS SOFISTAS E O DESLOCAMENTO DO EIXO DE PESQUISA FILOSÓFICA DA NATUREZA PARA O SER HUMANO

O termo sofista significa sábio. Os sofistas eram pessoas estudadas, que cobravam para ensinar. Eles inovaram a problemática filosófica deslocando o eixo de pesquisa da natureza para o ser humano. Os principais sofistas foram Protágoras de Abdera (487 – 420 a.C.), Górgias e Pródico. Os sofistas criticam o conceito de Verdade e Bem, consideram a virtude como objeto de ensino e consideram-se mestres da virtude.

II. FILOSOFIA ANTIGA

1. SÓCRATES (470 – 399 A.C.) E A FUNDAÇÃO DA FILOSOFIA MORAL OCIDENTAL

“A alma nos condena a conhecer aquele que nos adverte: ‘conhece-te a ti mesmo’.” (Sócrates)
Sócrates não deixou nada escrito. O que conhecemos de Sócrates veio através de seus discípulos, sobretudo de Platão, que escreveu muitos Diálogos, nos quais Sócrates aparece. Sócrates andava pelas ruas de Atenas conversando com as pessoas. Através do diálogo, Sócrates fazia perguntas às pessoas, levando-as a refletir, permitindo que as pessoas chegassem às suas próprias conclusões. Este método é chamado de maiêutica, que traduzido do grego significa “fazer nascer”, “dar a luz”. Sócrates se considerava um “parteiro de almas”, pois, ele ajudava as pessoas a “parir suas idéias”, ou seja, “pôr suas idéias para fora”. Assim como a capacidade de dar a luz é uma característica natural da mulher, assim também, as pessoas podem compreender as verdades filosóficas. E da mesma forma como uma parteira apenas ajuda uma mulher a dar a luz a uma criança que já existe no ventre. Assim também, Sócrates só ajudava as pessoas colocar suas próprias idéias para fora, bastando para isso, apenas que a pessoa fizesse o uso de sua razão.

1.1. A ESSÊNCIA HUMANA

A filosofia de Sócrates consiste na busca de um fundamento da vida moral. Esse fundamento está na essência humana. Qual é a essência humana? O ser humano é a sua alma (psyché). Por alma, Sócrates entende a nossa razão e a sede de nossa atividade pensante e eticamente operante. É a nossa consciência, personalidade intelectual e moral. “Conhecer a si mesmo” é conhecer a sua essência.

1.2. A ÉTICA SOCRÁTICA

Para Sócrates, quem sabe o que é bom faz o bem. O conhecimento do que é certo leva ao agir correto. A virtude é o conhecimento do bem, e o vício é a ignorância. Quando alguém age errado é por não conhecer o bem, ou por esperar extrair do mal algum bem.

1.3. VIRTUDE, LIBERDADE E FELICIDADE

Para os gregos, a virtude é aquilo que torna uma coisa boa e perfeita naquilo que é. A virtude do ser humano é aquilo que torna a alma boa e perfeita, que para Sócrates, é o conhecimento.
Para Sócrates, a liberdade consiste no domínio da racionalidade sobre as paixões e pulsões. Desse modo, a alma deve ser senhora do corpo e das pulsões. Aquele que  domina as paixões é verdadeiramente livre, ao passo que aquele que não sabe dominar as paixões é escravo.
A felicidade não pode vir das coisas exteriores do corpo, mas somente da alma, pois, esta é a sua essência. E a alma é feliz quando é virtuosa. Sócrates diz: “Para mim, quem é virtuoso, seja homem ou mulher, é feliz, ao passo que o injusto e malvado é infeliz”. Assim como a doença é desordem do corpo, a saúde da alma é ordem da alma, e esta ordem espiritual ou harmonia interior é a felicidade.
Os questionamentos de Sócrates despertaram o ódio de muitas pessoas. Ele foi condenado à morte acusado de não acreditar nos deuses da cidade e por corromper a juventude.


2. PLATÃO (427 – 347 A.C.) – O HORIZONTE DA METAFÍSICA

“A virtude não tem padrão: conforme cada um a honre ou a despreze, dela terá mais ou menos”. (Platão).
Platão considera a realidade dividida em duas partes: o mundo sensível dominado pelas sombras, que é este mundo habitado por nós, e o mundo inteligível. Do mundo sensível só temos opiniões vagas. Seu conhecimento é aproximado ou imperfeito. Neste mundo tudo passa, nada dura para sempre. O mundo inteligível é onde se encontram as Idéias Perfeitas. Do mundo das Idéias podemos ter um conhecimento seguro se fizermos o uso de nossa razão. Este mundo não pode ser conhecido através dos sentidos. O mundo das Idéias é a verdadeira realidade eterna e imutável. Onde se encontra o “eternamente verdadeiro”, o “eternamente belo” e o “eternamente bom”, ou seja, a “Verdade em si”, o Belo em si” e o “Bem e si”.
As Idéias são o “verdadeiro ser”, “o ser em si”, são as essências das coisas, isto é, aquilo que faz com que cada coisa seja aquilo que é. Por exemplo, a essência humana ou humanidade é o que faz com que o ser humano seja o ser humano. A essência de maçã, ou maçãneidade é o que torna a maçã uma maçã e não uma laranja.
Nós estamos prisioneiros no mundo sensível, mas não temos consciência dessa situação. Isto porque nascemos dentro dela e não temos condição de compará-la a outra realidade diferente.
No mundo da Idéias existem os seres e objetos reais.
 Desses seres só conhecemos as sombras ou cópias. Para chegarmos ao conhecimento da realidade precisamos nos libertar. Essa libertação é desagradável. Não queremos trocar a “cegueira das sombras” pelo “ofuscamento da luz”. Até a visão ficar clara, corre-se o risco de ceder ao medo, à acomodação e se arrastar para a ignorância.
Mas quem se libertou da ignorância, saiu das “sombras” e contemplou a “verdadeira realidade”, ou seja, conheceu o Bem não quer guardá-lo para si. A tendência natural das pessoas é retornar à caverna e libertar os prisioneiros.

2.1. A CONCEPÇÃO DE SER HUMANO

A concepção platônica de ser humano é dualística: o ser humano é corpo e alma. O corpo é prisão ou túmulo da alma. Enquanto temos um corpo somos prisioneiros em uma tumba, isto é, estamos mortos, pois, somos essencialmente alma. Quando nosso corpo morre, nossa alma se liberta do cárcere. O corpo é a fonte de todos os males: pulsões, amores insensatos, discórdias, cóleras, entre outros.
Dessa forma, a alma deve fugir do corpo. Por isso, “filosofar é aprender a morrer”. Com a morte podemos voltar para a verdadeira realidade e contemplar as Idéias Puras.
A doutrina platônica pressupõe a imortalidade da alma e a doutrina da transmigração das almas em diferentes corpos.

2.2. TEXTO COMPLEMENTAR:

A ALEGORIA DA CAVERNA (Platão)[7]

SÓCRATES – Imaginemos que existam pessoas morando numa caverna. Pela entrada dessa caverna entra luz vinda de uma fogueira situada sobre uma pequena elevação que existe na frente dela. Os seus habitantes estão lá desde a infância, algemados por correntes nas pernas e no pescoço, de modo que não conseguem mover-se nem olhar para trás, e só podem ver o que ocorre à sua frente.
Entre aquela fogueira e a entrada da caverna existe um caminho, ao longo do qual se ergue um pequeno muro, semelhante aos tapumes que os apresentadores de fantoches usam para erguer seus bonecos ao público.
GLAUCO – Estou vendo.
SÓCRATES – Imagina também que pelo caminho ao longo do muro passam pessoas transportando sobre a cabeça todos os tipos de objetos: estatuetas de figuras humanas e de animais, feitas de pedra, de madeira ou qualquer outro material. Como é natural essas pessoas passam conversando ao longo do muro.
GLAUCO – Acho isso muito esquisito, assim como os prisioneiros que você inventou.
SÓCRATES – Pois eles parecem conosco. Mas continuemos com a nossa comparação. Naquela situação, você acha que os habitantes da caverna, a respeito de si mesmos e dos outros, consigam ver outra coisa além das sombras que o fogo projeta na parede ao fundo da caverna?
GLAUCO – Com a cabeça imobilizada por toda a vida, só podem ver sombras!
SÓCRATES – E também com relação aos objetos transportados que ultrapassam a altura do muro?
GLAUCO – Exatamente a mesma coisa!
SÓCRATES – Se eles pudessem conversar entre si, não lhe parece que pensariam nomear de objetos reais as sombras que vissem?
GLAUCO – Certamente.
 SÓCRATES – Além disso, se a caverna tivesse um eco, quando alguém falasse lá fora os prisioneiros pensariam que os sons fossem emitidos pelas sombras projetadas.
GLAUCO – Não resta a menor dúvida.
SÓCRATES – Portanto, os habitantes daquele lugar só poderiam pensar que a realidade seria as sombras dos objetos.
GLAUCO – É claro!
SÓCRATES – Imagine agora o que aconteceria se os habitantes fossem libertados das cadeias e curados da ignorância em que vivem. Se libertassem um dos prisioneiros e o forçassem a se levantar de repente, a olhar para trás, caminhar dentro da caverna e olhar para a luz, ao fazer isso ele sofreria e, ofuscado, não conseguiria ver os objetos dos quais só tinha visto as sombras. Que pensa você que ele diria se alguém afirmasse que tudo o que ele tinha visto até então não passava de sombra e que a partir de agora ele estaria mais perto da realidade e poderia ver os objetos mais reais? Não ficaria confuso se lhe mostrassem algum dos objetos transportados ao longo do muro e o obrigassem a dizer o que era? Você não acha que ele pensaria serem mais reais as sombras de antes do que os objetos de agora?
GLAUCO – Acho que sim.
SÓCRATES – E se o forçassem a encarar a própria luz? Você não acha que seus olhos doeriam e que, virando de costas, voltaria para junto das coisas que podia ver, e continuaria pensando que elas eram mais reais do que os objetos que lhe mostravam?
GLAUCO – Exatamente.
SÓCRATES – E se o arrastassem para fora da caverna, forçando-o a escalar a subida íngreme, e não o soltassem antes de alcançar a luz do sol, não seria normal que ele ficasse aflito e irritado por ser arrastado daquele modo, e, chegando à luz do sol, com os olhos ofuscados, nem conseguisse distinguir as coisas que lhe diriam ser verdadeiras?
GLAUCO – É certo que não conseguiria, pelo menos de súbito.
SÓCRATES – Precisaria habituar-se se quisesse ver as coisas que existem na região superior. No início veria melhor as sombras, em seguida, veria as imagens dos homens e dos objetos refletidas na água e, por último conseguiria ver os próprios objetos. Depois disso, poderia contemplar o que há no céu durante a noite, olhando a luz das estrelas e a lua, com muito mais facilidade do que se olhasse o sol à luz do dia.
GLAUCO – Não poderia ser diferente.
SÓCRATES – Penso que, finalmente, ele poderia olhar diretamente para o sol e contemplar, não mais as coisas no mundo visível, e que, de certo modo, é a causa de tudo o que ele tinha visto na caverna.
GLAUCO – Certamente chegaria a estas conclusões.
SÓCRATES – Você não acha que, quando ele se lembrasse da antiga habitação, dos conhecimentos que lá possuíra e dos antigos companheiros de prisão, ele se alegraria com a mudança e lamentaria a situação dos outros?
GLAUCO – Decerto que sim.
SÓCRATES – Suponhamos que os prisioneiros concedessem honras e elogios entre si, e atribuíssem prêmios a quem fosse mais rápido em distinguir os objetos que passavam, se lembrasse melhor a seqüência em que eles costumavam aparecer e fossem mais hábil em predizer o que aconteceria. Você acha que o prisioneiro libertado sentiria saudades dessas situações e teria inveja dos prisioneiros mais honrados e poderosos? Não lhe parece que ele preferiria estar a serviço de um poder lavrador ou padecer tudo no mundo do que voltar às ilusões de antes e viver daquele modo?
GLAUCO – Suponho que ele preferiria sofrer qualquer coisa a viver daquela maneira.
SÓCRATES – E se, estando ainda ofuscado, tivesse de julgar aquelas sombras em competição, por acaso não provocaria risos nos prisioneiros que tivessem permanecido na caverna? Não diriam que a subida para o mundo superior lhe prejudicou a vista e que, portanto, não valia a pena tentar subir para lá? Você não acha que, se pudessem, os prisioneiros até matariam quem tentasse libertá-los e conduzi-los para cima?
GLAUCO – Certamente fariam isso.

3. ARISTÓTELES (384 – 322 A.C.) – METAFÍSICA COMO FILOSOFIA PRIMEIRA

“Não se deve dar ouvidos àqueles que aconselham ao homem, por ser mortal, que se limite a pensar coisas humanas e mortais; ao contrário, porém, à medida do possível, precisamos nos comportar como imortais e tudo fazer para viver segundo a parte mais nobre em nós”. (Aristóteles)

Aristóteles de Estagira (384-322 a.C.)
 Na juventude foi discípulo de Platão. Em 343, Filipe, rei da Macedônia o responsabiliza pela educação de Alexandre.  Consegue agrupar e sistematizar praticamente todo o saber existente em sua época; suas contribuições para as ciências e as filosofias permanecem na atualidade. A ele são atribuídos inúmeros escritos sobre ética, política, zoologia, cosmologia, botânica, lógica e sobre a “filosofia do ser enquanto ser” ou “filosofia primeira”, mais tarde chamada metafísica.

3.1. UMA TEORIA QUE EXPLICA TUDO O QUE EXISTE

O objetivo de Aristóteles era conceber um conjunto de idéias bem fundamentadas que desse conta de explicar toda a realidade. Depois dele, muitos filósofos tentaram o mesmo. Estas filosofias são chamadas de sistemas e seus autores de filósofos sistemáticos. Hoje duvida-se  que esta tarefa seja possível ou desejável. De qualquer forma, podemos imaginar o que restaria para nós, humanos, habitantes de um pequeno planeta azul-esverdeado,  se pensássemos  saber tudo sobre tudo ou, talvez, se, de fato, soubéssemos tudo o que  há para saber sobre tudo.
Para Aristóteles, o movimento e as relações dos entes no Cosmo são explicadas por três idéias básicas, intimamente ligadas entre si:
1) a teoria do ato-potência;
2)      a teoria das quatro causas;
3)      a teoria dos atributos trancendentais dos entes.
A ciência do “ser enquanto ser” (Filosofia Primeira, Ontologia ou Metafísica) afirma que tudo no Universo caminha para tornar-se o que realmente pode e deve ser. Assim, um óvulo humano fecundado, necessariamente, se tudo correr bem no processo de gestação, dará origem a uma criança humana. De uma semente de maçã jamais nascerá uma laranjeira. A semente de maçã é potencialmente um “pé” de maçã. Este, por sua natureza específica, é potencilamente um ente que tende a realizar sua “missão natural”: originar várias maçãs.
Em linguagem aristotélica ...

● semente de maçã
maçã

Maçã em possibilidade (potência em relação ao ente maçã)

Ente realizado (ato)  a partir do    ente-potência (semente)


Maçãs, árvores, minerais, seres humanos, etc...têm potencialidades a realizar de acordo com suas respectivas naturezas. O que é possível aos entes é determinado por sua especificidade, por seu modo-de- ser- no-mundo.


3.2. AS QUATRO CAUSAS

Para explicar a teoria das quatro causas é comum utilizar-se o exemplo que o próprio Aristóteles criou: a confecção de uma estátua.
Sua matéria, o mármore, é sua causa material. Sua forma, a imagem que ela representa é sua causa formal. O escultor que a fez é o princípio do movimento que lhe deu a forma, é sua causa eficiente. Por último, o objetivo, a finalidade do escultor é sua causa final.
A matéria não tem muita importância pois é acidental ou contingente. Isto é, se em vez de mármore, o material fosse a argila, a estátua continuaria sendo estátua. A forma final da estátua é a transformação de uma possibilidade (potência) em realidade (ato). Assim, tanto mais útil e bela será uma obra, quanto mais próxima da perfeição formal ela ficar. A causa eficiente se aproxima de duas noções:  técnica e movimento (ação). Ela é instrumento, é meio pelo qual as potências se tornam ato.
As quatro causas explicam toda a realidade e não apenas as obras humanas. Há uma certa hierarquia entre elas: os princípios ordenadores do cosmos podem ser relacionados à causa final; ela aponta o fim último do Universo, os objetivos maiores  para os quais os entes caminham. Assim, também, cada ser atua como causa eficiente e como causa final sobre os seres que lhe são inferiores.
Numa linha ascendente poderíamos situar: os minerais, as plantas,  os animais não racionais, os seres humanos (animais racionais)  e... por fim, Deus, aquele que é forma pura, pensamento perfeito, primeiro motor imóvel, ato puro.

3.3. TUDO CAMINHA PARA O BEM

As essências dos entes são transcendentais. Suas finalidades estão além deles mesmos enquanto ato. Complicado? Voltemos então para a maçã. A essência da maçã é aquilo que a caracteriza, que faz dela uma maçã e não outra coisa qualquer, é sua “verdade”. Não é a maçã que define o que ela quer ser. Pois essa definição, essa verdade, já está prevista. A maçã tende a realizar toda a sua potencialidade. Tende a realizar sua maçaneidade. É essa a finalidade última do ser maçã; ser exatamente ela mesma.
Assim, segundo Aristóteles, as qualidades próprias à ordem do Universo, à natureza última das coisas,  tendem a atualizar-se, a realizar-se nos vários entes.
As grandes qualidades que constituem as essências dos entes e, ao mesmo tempo, estão fora deles são chamadas atributos transcendentais.
Verdade, beleza e bondade, seriam os três grandes atibutos. Destes, derivam-se valores como as virtudes da temperança, da paciência e do senso de justiça. A verdade e a beleza são atributos de todos os entes, já a bondade e a virtude, por exemplo, são específicos dos seres humanos (dotados de razão) e do Ente Supremo.

3.4. ÉTICA ARISTOTÉLICA

“Uma andorinha só não faz verão”. (Aristóteles)

Não é a toa que Aristóteles e muitos de seus contemporâneos consideravam a “temperança” a maior das virtudes humanas. O “justo meio entre o excesso e a falta” é a maior das qualidades éticas. Sábio é aquele que: “Suporta os azares da vida com dignidade e elegância, tirando das circunstâncias o benefício possível (...) Não é muito amigo de falar (...) Não lhe importa que o louvem, nem que o censurem.” (Ética, X, 7)
A ética de Aristóteles é o segundo grande modelo de pensamento ético que nos apresenta a ética antiga.
Considera-se a Ética de Nicômaco o texto que melhor representa o pensamento ético de Aristóteles.
Com efeito, em sua clássica divisão do saber científico, Aristóteles identificou três grandes grupos: (1) o saber teorético, (2) o saber prático e (3) o saber poiético.
As ciências teoréticas buscam o saber por ele mesmo; visam à contemplação da verdade.
As ciências práticas buscam o saber para, por meio dele, alcançar a perfeição moral; visam ao bem.
As ciências poiéticas buscam o saber em vista do fazer; visam ao útil.
A finalidade das ciências teoréticas e poiéticas é a perfeição do objeto: a ser contemplado em sua verdade no primeiro caso, ou a ser fabricado em sua utilidade no segundo. Já no caso das ciências práticas, o seu fim é a perfeição do agente. Ao lado da política, a ética constitui-se numa ciência prática.
[Aristóteles percebeu que as coisas humanas não obedecem ao mesmo tipo de racionalidade que está presente na “physis” ou no domínio do supra-sensível (metafísico). E respondeu a este problema  com a definição da ética como saber prático: ciência do agir humano (“práxis”) em sua orientação para a realização do bem ou do melhor na vida do indivíduo e da comunidade.]
A ética é uma ciência da prática porque o seu objeto é a prática (praxis) humana enquanto orientada para o bem; E é também uma ciência prática na medida em que espera-se que o seu estudo tenha o efeito de tornar bom aquele que se dedica a ela. [Ou seja: em ética, não se investiga apenas o que é a virtude, mas como nos tornarmos “felizes” praticando-a.]
Para Aristóteles, em suas ações, o ser humano tende sempre a determinados fins: os bens. Há fins e bens relativos, que são ainda meios para outros fins e bens. Há, então, um fim último e um bem supremo visado pelo ser humano em suas ações: a felicidade ou beatitude (eudaimonia). Mas, o que é a felicidade? “Quais são os verdadeiros bens da vida humana?”, “E como classificá-los hierarquicamente?” Aristóteles dirá que os verdadeiros bens da vida humana são os lhe trazem a verdadeira felicidade. E, dentre eles, o mais perfeito é aquele cuja posse é fonte da felicidade (eudaimonia) mais perfeita.]
Segundo o estagirita, a felicidade não consiste no prazer ou no gozo sensível, nem na honra, tampouco no acúmulo de riquezas. A felicidade humana consiste na sua excelência, isto é, na virtude (arete). A virtude humana consiste no pleno desenvolvimento da atividade que é peculiar ao ser humano: a razão. [Sob este aspecto, Aristóteles está de acordo com Sócrates e com Platão: a essência do ser humano está na alma, na parte racional da alma: o espírito. Deste modo, os bens do ser humano são os bens espirituais: a virtude da alma.] As virtudes humanas são deduzidas por Aristóteles das partes da alma. A alma divide-se em três partes:
(1) alma vegetativa (que é irracional), (2) alma sensitiva ou apetitiva ou concupiscível (que participa, de certo modo, da razão) e (3) alma intelectiva (que é racional).
Só há virtude onde entra a atividade da razão, isto é, nas partes sensitiva e intelectiva da alma.
Há, pois, duas espécies de virtudes: As virtudes da alma sensitiva, chamadas “virtudes éticas”, e as virtudes da alma intelectiva, chamadas “virtudes dianoéticas”.
As virtudes éticas (morais ou do caráter) são as virtudes da alma sensitiva. Elas são adquiridas pelo hábito: a repetição de atos gera a aquisição do hábito (uma “segunda natureza” ), que, por sua vez, consiste numa facilidade para praticar os atos da virtude em questão.
[Observe-se que, com a distinção entre virtudes éticas e dianoéticas, Aristóteles supera o intelectualismo socrático da “virtude-ciência”: as virtudes éticas não requerem o ensinamento formal, mas somente o hábito.]
As virtudes éticas consistem numa moderação, isto é, num domínio das tendências e impulsos da alma sensitiva. Consistem na justa proporção que a razão impõe a sentimentos, paixões e ações que, sem o controle da razão, tenderiam para um ou outro extremo: o do excesso ou o da falta.
Uma virtude ética é, pois, a mediania entre dois vícios. A coragem, por exemplo, é a mediania entre a covardia e a temeridade. Além da coragem, são virtudes éticas: a temperança, a liberalidade, a magnificência, a magnanimidade, a equanimidade, a placidez, a amabilidade, a veracidade, a jovialidade, o pudor e a justiça. Segundo Aristóteles, a justiça é a principal virtude ética.
As virtudes dianoéticas (intelectuais ou do entendimento), frutos do ensinamento, são as virtudes da alma intelectiva.
A alma intelectiva tem duas funções:
(1) uma que conhece as coisas contingentes e variáveis (razão prática);
(2) outra que conhece as coisas necessárias e imutáveis (razão teorética).
À razão prática, corresponde a virtude da sabedoria (phrónesis); à razão teorética, corresponde a virtude da sapiência (sophia). As virtudes dianoéticas são superiores às virtudes éticas; e a virtude da sapiência é a mais elevada das virtudes dianoéticas[8].
[Note-se, por fim, que Aristóteles afastou-se da univocidade do bem transcendente de Platão, mas admitiu, na pluralidade dos bens introduzidos, a existência de uma hierarquia, o que implica, afinal, a admissão de um bem supremo.
A mais alta felicidade ou beatitude humana (“eudaimonia”) consiste, para Aristóteles, na contemplação do divino, o inteligível supremo, o primeiro motor imóvel.]

ATIVIDADE:
MÚSICA TECNO, INDIVÍDUO E CULTURA: UMA LEITURA A PARTIR DA DOUTRINA DO MEIO-TERMO E DO EXCESSO EM ARISTÓTELES[9]

LEIA O TEXTO ABAIXO.
A partir dos trechos sublinhados, faça uma releitura do assunto e das idéias nele tratados com base nas noções de temperança e intemperança conforme refletidas por Aristóteles.

“O músico tecno se move o tempo todo. Seu corpo pulsante é parte constitutiva de seu espetáculo, bem como parece ser o organismo final de quem proporciona prazer ao outro como profissão e parece obrigado, aprisionado mesmo, a pulsar sexualmente, em uma repetição sem fim, ali mesmo onde trabalha.
Haveria assim uma subterrânea correspondência entre o corpo auto-erótico do músico tecno e o corpo da prostituta: ela foi a prisioneira do prazer na época em que a humanidade encarnou o próprio corpo, o músico tecno, como ela, é obrigado a se contorcer e a gozar em falso, no tempo em que a experiência humana é puro corpo ou pura técnica, ambos desencarnados de humanidade. Como todos sabemos, a mercadoria perdeu a forma concreta e se evaporou como fantasma por toda cultura. Os novos músicos parecem ser as sacerdotizas eróticas dessa  desmaterialização.
Tal condenação ao prazer e ao próprio corpo aproxima nitidamente esses artistas da cultura hipersexualizada de nosso tempo. Eles também são objetos de nossa espetacular erotização das mediações sociais. O músico tecno e sua tribo de jovens hipererotizados e sem destino dissolvem a intensa cultura da pornografia de consumo – da fusão de mercadoria e corpo erógeno – em um estado alegre e festivo, inofensivo a qualquer ordem, ao mesmo tempo em que são docilmente coerentes com as formas mais pobres e duras da captura de nossos espíritos”.
Fonte: AB’ SÁBER, Tales A. “Morra, Lola, morra”, in Jornal Folha de S. Paulo, Caderno Mais”, 3 de junho de 2001, p. 12-14.

4. O HELENISMO E O FIM DA FILOSOFIA PAGÃ

“É vão o discurso do filósofo que não cure algum mal do espírito humano”. (Epicuro)

No final da antiguidade pagã surgiu um novo período denomindao Helenismo. Trata-se do predomínio da cultura grega nos reinos da Macedônia, Síria e Egito após as conquistas de Alexandre Magno.
A ética se transforma no projeto filosófico mais importante. O problema central era saber como alcançar a verdadeira felicidade. Dentre as principais correntes filosóficas do Helenismo temos os Epicuristas, os Estoicos e os Cínicos.

4.1.  EPICURO (341 – 270 A.C.) E O PRAZER COMO FUNDAMENTO DA FELICIDADE

“Que ninguém se hesite em se dedicar à filosofia enquanto jovem, nem se canse de fazê-lo depois de velho, porque ninguém jamais é demasiado jovem ou demasiado velho para alcançar a saúde do espírito. Quem afirma que a hora de filosofar ainda não chegou ou já passou, é como se dissesse que ainda não chegou ou já passou a hora de ser feliz”. (Epicuro)

Epicuro fundamenta sua ética no prazer. Pois, o prazer é o nosso bem primeiro e inato. Desde o nascimento buscamos o prazer e evitamos a dor. Para Epicuro, prazer é a ausência de dor no corpo e ausência de perturbação na alma.
Embora, o prazer seja o nosso maior bem, nem por isso escolhemos qualquer prazer. Por exemplo, o prazer de fumar pode provocar uma dor maior: um câncer. Por isso, evitamos o prazer de fumar para evitar uma dor maior. Para escolhermos o verdadeiro prazer precisamos fazer uso da prudência, a virtude suprema: “Há ocasiões em que evitamos muitos prazeres, quando deles nos advêm efeitos o mais das vezes desagradáveis; ao passo que consideramos muitos sofrimentos preferíveis aos prazeres, se um prazer maior advier depois de suportarmos essas dores”[10].

4.1.1. OS TIPOS DE DESEJOS

Desejos naturais e necessários: são necessários para conservar a vida, como, comer quando se tem fome, beber quando se tem sede ou dormir quando se tem sono. Estes, deve-se sempre satisfazê-los.
Desejos naturais e não necessários: estes são naturais ao ser humano, mas a satisfação deles não é necessária para a conservação da vida. Por exemplo, o desejo sexual, o desejo de comidas saborosas ou o desejo de vestir roupas suntuosas. Com estes deve-se ter cuidado.
Desejos não naturais e não necessários: deve-se fugir destes desejos, pois, são a causa de todos os males. Quanto mais tentamos saciá-los, mais desejamos, pois são insaciáveis. Por exemplo, o desejo de honra, poder e riqueza. Estes desejos são a causa de todo sofrimento e tormento.


4.1.2. OS QUATRO REMÉDIOS

Para Epicuro, o remédio que vai curar o ser humano dos males que o aflige é a filosofia. Epicuro apresenta os quatro remédios que possibilitará ao ser humano ter uma vida serena e prazerosa.
Encontramos em Epicuro uma proposta de busca de felicidade baseada na razão e no prazer, fundamentada no conhecimento filosófico. A Grécia de Epicuro está doente. Epicuro mostra a cura através de um projeto interior, capaz de suportar tanto a doença física, quanto aos males que acometiam a Grécia dominada por Alexandre Magno. Epicuro apresenta a imperturbabilidade e a serenidade diante das adversidades.
O objetivo de Epicuro é manter acesa a sabedoria, principalmente através da amizade que se cria através de diálogos verdadeiros e uma convivência harmoniosa. “A ética epicurista preconiza o recolhimento do sábio e a concentração da vida comunitária num círculo de amigos escolhidos. Num mundo em que as palavras pátria e cidadania já não mais possuíam correlato objetivo (...) a amizade torna-se um vínculo comunitário essencial”[11].
Para Epicuro, é perfeitamente possível ser sereno e feliz em momentos de extrema adversidade. Basta usar o remédio certo, que é a filosofia. Essa visão nos remete a uma atividade curativa e libertadora da filosofia.
Não se deve temer aos deuses: Significa eliminar da vida humana temores e superstições. Os deuses de Epicuro não intrometem na vida do ser humano, vivem a felicidade suprema, sem necessidade de julgar, condenar ou absolver, por isso, não devem ser temidos. Devem sim ser imitados em sua sabedoria e em sua serenidade, sem qualquer tipo de angústia ou temor.
Não se deve temer à morte: Significa que não se deve temer o que não está presente. Pois a morte, para Epicuro, é a "privação da sensibilidade", o que significa que não podemos senti-la. Sofrer ao esperá-la constitui um erro e a perda da serenidade. Pois, enquanto estamos vivos, a morte não está presente, e quando a morte chegar, nós já não estaremos presentes.
Pode-se alcançar a felicidade: Significa que o ser humano tem a vocação para uma vida feliz. Não se deve privar dessa possibilidade pelas doenças do corpo ou da alma. “Não sofrer no corpo, não ter a alma perturbada – eis a fórmula epicurista da felicidade”. É preciso transformar a vida em felicidade. E a felicidade está exatamente no prazer e na serenidade da alma.
Pode-se suportar a dor: Se a dor for fraca, logo passa. Se for forte, logo leva à morte, e como se viu, a morte não é nada.

3. ARISTÓTELES (384 – 322 A.C.) – METAFÍSICA COMO FILOSOFIA PRIMEIRA

“Não se deve dar ouvidos àqueles que aconselham ao homem, por ser mortal, que se limite a pensar coisas humanas e mortais; ao contrário, porém, à medida do possível, precisamos nos comportar como imortais e tudo fazer para viver segundo a parte mais nobre em nós”. (Aristóteles)

Aristóteles de Estagira (384-322 a.C.)
 Na juventude foi discípulo de Platão. Em 343, Filipe, rei da Macedônia o responsabiliza pela educação de Alexandre.  Consegue agrupar e sistematizar praticamente todo o saber existente em sua época; suas contribuições para as ciências e as filosofias permanecem na atualidade. A ele são atribuídos inúmeros escritos sobre ética, política, zoologia, cosmologia, botânica, lógica e sobre a “filosofia do ser enquanto ser” ou “filosofia primeira”, mais tarde chamada metafísica.

3.1. UMA TEORIA QUE EXPLICA TUDO O QUE EXISTE

O objetivo de Aristóteles era conceber um conjunto de idéias bem fundamentadas que desse conta de explicar toda a realidade. Depois dele, muitos filósofos tentaram o mesmo. Estas filosofias são chamadas de sistemas e seus autores de filósofos sistemáticos. Hoje duvida-se  que esta tarefa seja possível ou desejável. De qualquer forma, podemos imaginar o que restaria para nós, humanos, habitantes de um pequeno planeta azul-esverdeado,  se pensássemos  saber tudo sobre tudo ou, talvez, se, de fato, soubéssemos tudo o que  há para saber sobre tudo.
Para Aristóteles, o movimento e as relações dos entes no Cosmo são explicadas por três idéias básicas, intimamente ligadas entre si:
1) a teoria do ato-potência;
4)      a teoria das quatro causas;
5)      a teoria dos atributos trancendentais dos entes.
A ciência do “ser enquanto ser” (Filosofia Primeira, Ontologia ou Metafísica) afirma que tudo no Universo caminha para tornar-se o que realmente pode e deve ser. Assim, um óvulo humano fecundado, necessariamente, se tudo correr bem no processo de gestação, dará origem a uma criança humana. De uma semente de maçã jamais nascerá uma laranjeira. A semente de maçã é potencialmente um “pé” de maçã. Este, por sua natureza específica, é potencilamente um ente que tende a realizar sua “missão natural”: originar várias maçãs.
Em linguagem aristotélica ...

● semente de maçã
maçã

Maçã em possibilidade (potência em relação ao ente maçã)

Ente realizado (ato)  a partir do    ente-potência (semente)


Maçãs, árvores, minerais, seres humanos, etc...têm potencialidades a realizar de acordo com suas respectivas naturezas. O que é possível aos entes é determinado por sua especificidade, por seu modo-de- ser- no-mundo.


3.2. AS QUATRO CAUSAS

Para explicar a teoria das quatro causas é comum utilizar-se o exemplo que o próprio Aristóteles criou: a confecção de uma estátua.
Sua matéria, o mármore, é sua causa material. Sua forma, a imagem que ela representa é sua causa formal. O escultor que a fez é o princípio do movimento que lhe deu a forma, é sua causa eficiente. Por último, o objetivo, a finalidade do escultor é sua causa final.
A matéria não tem muita importância pois é acidental ou contingente. Isto é, se em vez de mármore, o material fosse a argila, a estátua continuaria sendo estátua. A forma final da estátua é a transformação de uma possibilidade (potência) em realidade (ato). Assim, tanto mais útil e bela será uma obra, quanto mais próxima da perfeição formal ela ficar. A causa eficiente se aproxima de duas noções:  técnica e movimento (ação). Ela é instrumento, é meio pelo qual as potências se tornam ato.
As quatro causas explicam toda a realidade e não apenas as obras humanas. Há uma certa hierarquia entre elas: os princípios ordenadores do cosmos podem ser relacionados à causa final; ela aponta o fim último do Universo, os objetivos maiores  para os quais os entes caminham. Assim, também, cada ser atua como causa eficiente e como causa final sobre os seres que lhe são inferiores.
Numa linha ascendente poderíamos situar: os minerais, as plantas,  os animais não racionais, os seres humanos (animais racionais)  e... por fim, Deus, aquele que é forma pura, pensamento perfeito, primeiro motor imóvel, ato puro.

3.3. TUDO CAMINHA PARA O BEM

As essências dos entes são transcendentais. Suas finalidades estão além deles mesmos enquanto ato. Complicado? Voltemos então para a maçã. A essência da maçã é aquilo que a caracteriza, que faz dela uma maçã e não outra coisa qualquer, é sua “verdade”. Não é a maçã que define o que ela quer ser. Pois essa definição, essa verdade, já está prevista. A maçã tende a realizar toda a sua potencialidade. Tende a realizar sua maçaneidade. É essa a finalidade última do ser maçã; ser exatamente ela mesma.
Assim, segundo Aristóteles, as qualidades próprias à ordem do Universo, à natureza última das coisas,  tendem a atualizar-se, a realizar-se nos vários entes.
As grandes qualidades que constituem as essências dos entes e, ao mesmo tempo, estão fora deles são chamadas atributos transcendentais.
Verdade, beleza e bondade, seriam os três grandes atibutos. Destes, derivam-se valores como as virtudes da temperança, da paciência e do senso de justiça. A verdade e a beleza são atributos de todos os entes, já a bondade e a virtude, por exemplo, são específicos dos seres humanos (dotados de razão) e do Ente Supremo.
3.4. ÉTICA ARISTOTÉLICA

“Uma andorinha só não faz verão”. (Aristóteles)

Não é a toa que Aristóteles e muitos de seus contemporâneos consideravam a “temperança” a maior das virtudes humanas. O “justo meio entre o excesso e a falta” é a maior das qualidades éticas. Sábio é aquele que: “Suporta os azares da vida com dignidade e elegância, tirando das circunstâncias o benefício possível (...) Não é muito amigo de falar (...) Não lhe importa que o louvem, nem que o censurem.” (Ética, X, 7)
A ética de Aristóteles é o segundo grande modelo de pensamento ético que nos apresenta a ética antiga.
Considera-se a Ética de Nicômaco o texto que melhor representa o pensamento ético de Aristóteles.
Com efeito, em sua clássica divisão do saber científico, Aristóteles identificou três grandes grupos: (1) o saber teorético, (2) o saber prático e (3) o saber poiético.
As ciências teoréticas buscam o saber por ele mesmo; visam à contemplação da verdade.
As ciências práticas buscam o saber para, por meio dele, alcançar a perfeição moral; visam ao bem.
As ciências poiéticas buscam o saber em vista do fazer; visam ao útil.
A finalidade das ciências teoréticas e poiéticas é a perfeição do objeto: a ser contemplado em sua verdade no primeiro caso, ou a ser fabricado em sua utilidade no segundo. Já no caso das ciências práticas, o seu fim é a perfeição do agente. Ao lado da política, a ética constitui-se numa ciência prática.
[Aristóteles percebeu que as coisas humanas não obedecem ao mesmo tipo de racionalidade que está presente na “physis” ou no domínio do supra-sensível (metafísico). E respondeu a este problema  com a definição da ética como saber prático: ciência do agir humano (“práxis”) em sua orientação para a realização do bem ou do melhor na vida do indivíduo e da comunidade.]
A ética é uma ciência da prática porque o seu objeto é a prática (praxis) humana enquanto orientada para o bem; E é também uma ciência prática na medida em que espera-se que o seu estudo tenha o efeito de tornar bom aquele que se dedica a ela. [Ou seja: em ética, não se investiga apenas o que é a virtude, mas como nos tornarmos “felizes” praticando-a.]
Para Aristóteles, em suas ações, o ser humano tende sempre a determinados fins: os bens. Há fins e bens relativos, que são ainda meios para outros fins e bens. Há, então, um fim último e um bem supremo visado pelo ser humano em suas ações: a felicidade ou beatitude (eudaimonia). Mas, o que é a felicidade? “Quais são os verdadeiros bens da vida humana?”, “E como classificá-los hierarquicamente?” Aristóteles dirá que os verdadeiros bens da vida humana são os lhe trazem a verdadeira felicidade. E, dentre eles, o mais perfeito é aquele cuja posse é fonte da felicidade (eudaimonia) mais perfeita.]
Segundo o estagirita, a felicidade não consiste no prazer ou no gozo sensível, nem na honra, tampouco no acúmulo de riquezas. A felicidade humana consiste na sua excelência, isto é, na virtude (arete). A virtude humana consiste no pleno desenvolvimento da atividade que é peculiar ao ser humano: a razão. [Sob este aspecto, Aristóteles está de acordo com Sócrates e com Platão: a essência do ser humano está na alma, na parte racional da alma: o espírito. Deste modo, os bens do ser humano são os bens espirituais: a virtude da alma.] As virtudes humanas são deduzidas por Aristóteles das partes da alma. A alma divide-se em três partes:
(1) alma vegetativa (que é irracional), (2) alma sensitiva ou apetitiva ou concupiscível (que participa, de certo modo, da razão) e (3) alma intelectiva (que é racional).
Só há virtude onde entra a atividade da razão, isto é, nas partes sensitiva e intelectiva da alma.
Há, pois, duas espécies de virtudes: As virtudes da alma sensitiva, chamadas “virtudes éticas”, e as virtudes da alma intelectiva, chamadas “virtudes dianoéticas”.
As virtudes éticas (morais ou do caráter) são as virtudes da alma sensitiva. Elas são adquiridas pelo hábito: a repetição de atos gera a aquisição do hábito (uma “segunda natureza” ), que, por sua vez, consiste numa facilidade para praticar os atos da virtude em questão.
[Observe-se que, com a distinção entre virtudes éticas e dianoéticas, Aristóteles supera o intelectualismo socrático da “virtude-ciência”: as virtudes éticas não requerem o ensinamento formal, mas somente o hábito.]
As virtudes éticas consistem numa moderação, isto é, num domínio das tendências e impulsos da alma sensitiva. Consistem na justa proporção que a razão impõe a sentimentos, paixões e ações que, sem o controle da razão, tenderiam para um ou outro extremo: o do excesso ou o da falta.
Uma virtude ética é, pois, a mediania entre dois vícios. A coragem, por exemplo, é a mediania entre a covardia e a temeridade. Além da coragem, são virtudes éticas: a temperança, a liberalidade, a magnificência, a magnanimidade, a equanimidade, a placidez, a amabilidade, a veracidade, a jovialidade, o pudor e a justiça. Segundo Aristóteles, a justiça é a principal virtude ética.
As virtudes dianoéticas (intelectuais ou do entendimento), frutos do ensinamento, são as virtudes da alma intelectiva.
A alma intelectiva tem duas funções:
(1) uma que conhece as coisas contingentes e variáveis (razão prática);
(2) outra que conhece as coisas necessárias e imutáveis (razão teorética).
À razão prática, corresponde a virtude da sabedoria (phrónesis); à razão teorética, corresponde a virtude da sapiência (sophia). As virtudes dianoéticas são superiores às virtudes éticas; e a virtude da sapiência é a mais elevada das virtudes dianoéticas[12].
[Note-se, por fim, que Aristóteles afastou-se da univocidade do bem transcendente de Platão, mas admitiu, na pluralidade dos bens introduzidos, a existência de uma hierarquia, o que implica, afinal, a admissão de um bem supremo.
A mais alta felicidade ou beatitude humana (“eudaimonia”) consiste, para Aristóteles, na contemplação do divino, o inteligível supremo, o primeiro motor imóvel.]

ATIVIDADE:
MÚSICA TECNO, INDIVÍDUO E CULTURA: UMA LEITURA A PARTIR DA DOUTRINA DO MEIO-TERMO E DO EXCESSO EM ARISTÓTELES[13]

LEIA O TEXTO ABAIXO.
A partir dos trechos sublinhados, faça uma releitura do assunto e das idéias nele tratados com base nas noções de temperança e intemperança conforme refletidas por Aristóteles.

“O músico tecno se move o tempo todo. Seu corpo pulsante é parte constitutiva de seu espetáculo, bem como parece ser o organismo final de quem proporciona prazer ao outro como profissão e parece obrigado, aprisionado mesmo, a pulsar sexualmente, em uma repetição sem fim, ali mesmo onde trabalha.
Haveria assim uma subterrânea correspondência entre o corpo auto-erótico do músico tecno e o corpo da prostituta: ela foi a prisioneira do prazer na época em que a humanidade encarnou o próprio corpo, o músico tecno, como ela, é obrigado a se contorcer e a gozar em falso, no tempo em que a experiência humana é puro corpo ou pura técnica, ambos desencarnados de humanidade. Como todos sabemos, a mercadoria perdeu a forma concreta e se evaporou como fantasma por toda cultura. Os novos músicos parecem ser as sacerdotizas eróticas dessa  desmaterialização.
Tal condenação ao prazer e ao próprio corpo aproxima nitidamente esses artistas da cultura hipersexualizada de nosso tempo. Eles também são objetos de nossa espetacular erotização das mediações sociais. O músico tecno e sua tribo de jovens hipererotizados e sem destino dissolvem a intensa cultura da pornografia de consumo – da fusão de mercadoria e corpo erógeno – em um estado alegre e festivo, inofensivo a qualquer ordem, ao mesmo tempo em que são docilmente coerentes com as formas mais pobres e duras da captura de nossos espíritos”.
Fonte: AB’ SÁBER, Tales A. “Morra, Lola, morra”, in Jornal Folha de S. Paulo, Caderno Mais”, 3 de junho de 2001, p. 12-14.

4. O HELENISMO E O FIM DA FILOSOFIA PAGÃ

“É vão o discurso do filósofo que não cure algum mal do espírito humano”. (Epicuro)

No final da antiguidade pagã surgiu um novo período denomindao Helenismo. Trata-se do predomínio da cultura grega nos reinos da Macedônia, Síria e Egito após as conquistas de Alexandre Magno.
A ética se transforma no projeto filosófico mais importante. O problema central era saber como alcançar a verdadeira felicidade. Dentre as principais correntes filosóficas do Helenismo temos os Epicuristas, os Estoicos e os Cínicos.

4.1.  EPICURO (341 – 270 A.C.) E O PRAZER COMO FUNDAMENTO DA FELICIDADE

“Que ninguém se hesite em se dedicar à filosofia enquanto jovem, nem se canse de fazê-lo depois de velho, porque ninguém jamais é demasiado jovem ou demasiado velho para alcançar a saúde do espírito. Quem afirma que a hora de filosofar ainda não chegou ou já passou, é como se dissesse que ainda não chegou ou já passou a hora de ser feliz”. (Epicuro)

Epicuro fundamenta sua ética no prazer. Pois, o prazer é o nosso bem primeiro e inato. Desde o nascimento buscamos o prazer e evitamos a dor. Para Epicuro, prazer é a ausência de dor no corpo e ausência de perturbação na alma.
Embora, o prazer seja o nosso maior bem, nem por isso escolhemos qualquer prazer. Por exemplo, o prazer de fumar pode provocar uma dor maior: um câncer. Por isso, evitamos o prazer de fumar para evitar uma dor maior. Para escolhermos o verdadeiro prazer precisamos fazer uso da prudência, a virtude suprema: “Há ocasiões em que evitamos muitos prazeres, quando deles nos advêm efeitos o mais das vezes desagradáveis; ao passo que consideramos muitos sofrimentos preferíveis aos prazeres, se um prazer maior advier depois de suportarmos essas dores”[14].

4.1.1. OS TIPOS DE DESEJOS

Desejos naturais e necessários: são necessários para conservar a vida, como, comer quando se tem fome, beber quando se tem sede ou dormir quando se tem sono. Estes, deve-se sempre satisfazê-los.
Desejos naturais e não necessários: estes são naturais ao ser humano, mas a satisfação deles não é necessária para a conservação da vida. Por exemplo, o desejo sexual, o desejo de comidas saborosas ou o desejo de vestir roupas suntuosas. Com estes deve-se ter cuidado.
Desejos não naturais e não necessários: deve-se fugir destes desejos, pois, são a causa de todos os males. Quanto mais tentamos saciá-los, mais desejamos, pois são insaciáveis. Por exemplo, o desejo de honra, poder e riqueza. Estes desejos são a causa de todo sofrimento e tormento.

4.1.2. OS QUATRO REMÉDIOS

Para Epicuro, o remédio que vai curar o ser humano dos males que o aflige é a filosofia. Epicuro apresenta os quatro remédios que possibilitará ao ser humano ter uma vida serena e prazerosa.
Encontramos em Epicuro uma proposta de busca de felicidade baseada na razão e no prazer, fundamentada no conhecimento filosófico. A Grécia de Epicuro está doente. Epicuro mostra a cura através de um projeto interior, capaz de suportar tanto a doença física, quanto aos males que acometiam a Grécia dominada por Alexandre Magno. Epicuro apresenta a imperturbabilidade e a serenidade diante das adversidades.
O objetivo de Epicuro é manter acesa a sabedoria, principalmente através da amizade que se cria através de diálogos verdadeiros e uma convivência harmoniosa. “A ética epicurista preconiza o recolhimento do sábio e a concentração da vida comunitária num círculo de amigos escolhidos. Num mundo em que as palavras pátria e cidadania já não mais possuíam correlato objetivo (...) a amizade torna-se um vínculo comunitário essencial”[15].
Para Epicuro, é perfeitamente possível ser sereno e feliz em momentos de extrema adversidade. Basta usar o remédio certo, que é a filosofia. Essa visão nos remete a uma atividade curativa e libertadora da filosofia.
Não se deve temer aos deuses: Significa eliminar da vida humana temores e superstições. Os deuses de Epicuro não intrometem na vida do ser humano, vivem a felicidade suprema, sem necessidade de julgar, condenar ou absolver, por isso, não devem ser temidos. Devem sim ser imitados em sua sabedoria e em sua serenidade, sem qualquer tipo de angústia ou temor.
Não se deve temer à morte: Significa que não se deve temer o que não está presente. Pois a morte, para Epicuro, é a "privação da sensibilidade", o que significa que não podemos senti-la. Sofrer ao esperá-la constitui um erro e a perda da serenidade. Pois, enquanto estamos vivos, a morte não está presente, e quando a morte chegar, nós já não estaremos presentes.
Pode-se alcançar a felicidade: Significa que o ser humano tem a vocação para uma vida feliz. Não se deve privar dessa possibilidade pelas doenças do corpo ou da alma. “Não sofrer no corpo, não ter a alma perturbada – eis a fórmula epicurista da felicidade”. É preciso transformar a vida em felicidade. E a felicidade está exatamente no prazer e na serenidade da alma.
Pode-se suportar a dor: Se a dor for fraca, logo passa. Se for forte, logo leva à morte, e como se viu, a morte não é nada.

ATIVIDADES:
1. CORPO, SEXO E HEDONISMO[16]

O texto abaixo é um trecho da entrevista concedida pelo psiquiatra e psicanalista Jurandir Freire Costa ao jornal Correio Brasiliense, publicada em 13/3/2002. Quando indagado pelo jornalista sobre como chegarmos ao estágio atual de exibicionismo e de consumo do corpo e do sexo, respondeu:
“No início da hegemonia capitalista no Ocidente, a adesão aos valores hegemônicos era imposta em nome do trabalho, da ética religiosa, da tradição familiar, do amor à pátria etc. Quanto mais disciplinados e reprimidos fôssemos no corpo e na alma, melhores trabalhadores, pais de família, religiosos e cidadãos seríamos. Hoje nos pedem que esqueçamos tudo isso. Não existe  trabalho para todos, a família foi posta de lado, a idéia de pátria ou nação se tornou arcaica e obsoleta. Restou a competição feroz, a indiferença em relação aos miseráveis, a exploração cruel dos que ainda trabalham, a violência urbana, a epidemia de drogadições, a degradação do meio ambiente e outras tragédias que todos conhecemos. Como, então, seduzir, conquistar, convencer os indivíduos que, mesmo com tudo isso, esse sistema em que vivemos é melhor, o mais avançado, o mais moderno, o mais desejável? A solução foi persuadir os indivíduos que nesse sistema temos possibilidade de ter mais prazer, mais excitação, mais êxtases cotidianos do que em qualquer outro conhecido! O sexo passou, assim, a ser uma espécie de vitrine dourada fabricada para ocultar a sarjeta moral que temos diante dos nossos olhos e narizes.”

Fonte: PAIVA, Anabela. “Rodízio de chuchu: entrevista com Jurandir Freire Costa” in: Correio Brasiliense, Brasília, 16 de março de 2002 A íntegra da entrevista encontra-se disponível em

a) Qual o tipo de persuasão de que nos fala o texto?
b) Escreva um comentário estabelecendo aproximações ou distanciamento entre o culto do corpo e do sexo do qual nos fala o psicanalista e o significado do hedonismo para o epicurismo.

2. LETRA DE MÚSICA E OS TIPOS DE DESEJOS EM EPICURO[17]
Leia a letra da música.
Ai que saudades da Amélia
“Eu nunca vi tanta exigência
E nem fazer o que você me faz.
Você não sabe o que é consciência
Não vê que eu sou um pobre rapaz.
Você só pensa em luxo e riqueza
Tudo o que você vê você quer.
Ah, meu Deus, que saudades da Amélia!
Aquilo sim é que era mulher.
Às vezes passava fome ao meu lado
E achava bonito não ter o que comer.
E quando me via contrariado
Dizia, meu filho, o que se há de fazer?
Amélia não tinha a menor vaidade
Amélia que era mulher de verdade”.
(letra de Mário Lago e música de Ataulfo Alves)

Interprete a representação feita pelo poeta sobre as duas mulheres com base na distinção traçada por Epicuro entre os três tipos de desejos: naturais e necessários (por ex., fome, sede, sono); naturais e não necessários (por ex., comer bem ou demais, exceder-se nas práticas sexuais); e não naturais e não necessários (ambição, riqueza, beleza, sucesso, glória, poder, entre outros).


III. FILOSOFIA MEDIEVAL

1. O SURGIMENTO DA FILOSOFIA CRISTÃ – QUESTÃO CENTRAL: DEUS

“Creio para compreender e compreendo para crer”. (Agostinho)

Com o surgimento do Cristianismo no início da nossa era, pouco a pouco, o Cristianismo se infiltrou no mundo greco-romano. Isso significou o encontro de dois universos culturais.
O Cristianismo se expandiu e os escritos filosóficos chegaram aos cristãos. Além disso, com o infiltramento da cultura grega entre os cristãos, estes foram influenciados pelos pensamentos dos filósofos. A partir daí até o fim da Idade Média, tudo o que se produziu de filosofia foi pelos cristãos. Temos nesta época a Filosofia Cristã. Os principais filósofos cristãos foram Agostinho (354 – 430) e Tomás de Aquino (1225 – 1274).
O problema central da Filosofia Cristã é Deus. Por isso, temos muitas Provas da Existência de Deus. Os filósofos cristãos mostram, através de argumentos lógicos, que Deus existe. Trata-se de um “casamento” entre e razão.

2. AGOSTINHO E O PROBLEMA DO MAL

“Criaste-nos para Vós e inquieto está o nosso coração enquanto não repousa em Vós”. (Agostinho)

Segundo Agostinho, apesar de a humanidade ter sido amaldiçoada com o pecado original, alguns alcançarão a salvação. Isso dependeria de como as pessoas utilizariam o livre-arbítrio, ou seja, a faculdade inata que possuem de determinar, de acordo com sua razão, a sua conduta. Isso nos remete ao problema do mal. Na concepção de Agostinho, “Se tudo provém de Deus, que é o Bem, de onde vem o mal?”
Deus não pode ser a causa do mal, porque é o Sumo Bem. A matéria não pode causar o mal, porque foi criada por Deus. Portanto, o mal deve ser contrário da idéia de Deus como aquele que é, ou seja, o contrário da idéia de ser (o não ser, ou privação de ser). Se for não ser não tem substância, é apenas ausência de bem.
Outro problema abordado por Agostinho é o livre-arbítrio. O ser humano é dotado de livre-arbítrio, isto é, a possibilidade de escolher entre um bem maior e bem menor, entre o bem e o mal, entre um mal maior e um mal menor. Antes do pecado original, o ser humano era livre e tendia naturalmente para o bem. A vontade pode afastar o ser humano de Deus, quando as pessoas escolhem erroneamente. E afastar-se de Deus significa justamente ir para a “privação de ser”, ou seja, caminhar para o mal. Eis aí o pecado, que deriva do ser humano.
Agostinho nega a realidade metafísica do mal. O mal não é ser, mas privação de ser, assim como a obscuridade é ausência de luz. A causa do mal não é Deus. Sendo o mal a privação de uma perfeição, Deus não pode ser o seu autor, pois, ele é a origem única de todo bem.
Então, a causa do mal é a criatura, quando a má vontade tende aos bens criados. Há duas formas sob as quais o mal se manifesta: o sofrimento e a culpa. A culpa consiste em submeter a razão humana à paixão, em desobedecer as leis divinas, em afastar-se do Bem Supremo. Isto é o mal.
O mal moral provém da paixão interior, a qual pode ser denominada concupiscência, que leva ao abuso do livre-arbítrio, que dá origem ao mal. Quanto ao mal físico, como doenças, sofrimento e morte, é a conseqüência do pecado original, ou seja, é conseqüência do mal moral.


IV.FILOSOFIA MODERNA

1. PROBLEMA CENTRAL: O CONHECIMENTO

“Conhece-te a ti mesmo, ó linhagem divina vestida de trajes mortais”. (Marsílio Ficino)

Nos séculos XV e XVI surgiram mudanças e transformações que levaram ao fim da Idade Média. Essas transformações foram chamadas de Renascimento. Que faz renascer o humanismo da Antigüidade clássica. Houve uma crise entre e razão. Por exemplo, descobriu-se que através a razão era possível provar tanto a existência de Deus, quanto a inexistência de Deus. Concluiu-se que a razão não é uma faculdade segura para tratar de questões da fé. Com isso houve o “divórcio” entre razão e fé, entre filosofia e teologia.
A partir daí houve considerável avanço tecnológico, que deu origem à ciência moderna. O que levou a uma ruptura entre ciência e filosofia. As questões relacionadas à natureza e ao universo passaram a ser questões científicas e não mais questões filosóficas. Nesta época surgiram grandes nomes da ciência, como Copérnico, Galileu, Kepler e Newton.
Na filosofia, o problema central passa a ser o Conhecimento. Surge, assim, duas grandes correntes filosóficas: o racionalismo e o empirismo. Para os racionalistas, a razão é o único meio seguro de se chegar ao conhecimento. Os empiristas, ao contrário, vêem na experiência sensível o único meio de se chegar ao conhecimento. Para os empiristas, quando nascemos somos tábulas rasas e só conhecemos o que passa por nossos sentidos. Por exemplo, só quando alguém queima as mãos ao tocar o fogo, é que tal pessoa aprende que o fogo queima.
Usualmente estabelece o início da Filosofia Moderna no final do século XVI e seu fim nos meados do século XIX. Nesta época, destaca-se crescente tendência a fazer da razão não apenas o “tribunal supremo”, como também a característica peculiar do ser humano.
Dentro do pensamento filosófico moderno, o conhecimento racional converte-se freqüentemente em um fim em si mesmo.

2. RENÉ DESCARTES (1596 – 1650)

“Penso, logo existo”. (Descartes)

René Descartes foi um racionalista e é o fundador da Filosofia Moderna. O primeiro problema, que preocupou o filósofo, foi saber se os nossos conhecimentos são seguros. Descartes apresenta regras fáceis que levem ao conhecimento verdadeiro de tudo que se é capaz de conhecer. Para isso, o problema deve ser analisado partindo dos aspectos mais simples até chegar aos mais difíceis. Através da razão Descartes pretendia provar verdades filosóficas, já que os sentidos não são confiáveis. Os sentidos possibilitam uma certa apreensão do real, mas, às vezes, eles nos enganam. Sendo assim, eles não são fundamento seguro para o conhecimento. Por exemplo, quando estamos sonhando pensamos que é real, mas quando acordamos percebemos que todas aquelas sensações não passavam de um sonho. Quem nos garante que agora também não estamos sonhando? E se esse mundo não passar de um sonho? Por isso, ao iniciar uma reflexão filosófica, devemos duvidar de tudo, principalmente de nossos sentidos. Descartes chegou a conclusão de que a única certeza era que duvidava de tudo. Se duvidava de tudo, significava que ele pensava, se ele pensava, ele era um ser pensante. Ou seja, Descartes chegou a seguinte conclusão: “Penso, logo existo”. Com este método, Descartes conclui que existem duas formas de realidade: pensamento e extensão. O ser humano, portanto, seria composto de corpo e alma.

Para Descartes, a razão é a única faculdade capaz de levar a um conhecimento da realidade em sua totalidade. Isto porque o ser humano possui idéias inatas.

3. HUME (1711 – 1776)

Hume foi um empirista. O empirismo é uma corrente filosófica que nega as idéias inatas. E defende que todo o nosso conhecimento sobre o mundo nos vem pela percepção sensível.
Hume constata que o ser humano possui impressões e idéias. Impressão é a percepção imediata da realidade exterior, e a idéia é a lembrança de tal impressão. A diferença entre elas é que a impressão é forte e a idéia é fraca. Por exemplo, quando alguém se queima, experimenta uma impressão imediata, que é forte. Quando esta pessoa se lembra de ter queimado, a sensação que sente é apenas uma recordação, a sensação é fraca.
Às vezes, formamos idéias e noções complexas, para as quais não existem correspondentes com a realidade material. Dessa forma, surgem noções falsas sobre coisas que não existem, por exemplo, o cavalo alado. Hume pretende estudar cada noção e cada idéia para verificar se há correlato com a realidade.

4. KANT (1724 – 1804) E O DEVER MORAL

“O céu estrelado acima de mim e a lei moral dentro de mim”. (Kant)

            Kant realiza um novo exame a fundo da subjetividade. Par ele o que determina o conhecimento não são as coisas, mas as condições de possibilidade da experiência que são dadas no sujeito (a priori).
            Kant investiga criticamente a razão, mediante a própria razão, com respeito à possibilidade do conhecimento do ser. A razão encontra que não são as coisas que determinam o conhecimento, mas as coisas são determinadas pelas condições de possibilidade da experiência, que são dadas no sujeito. Segue-se (conseqüências):
* O ser humano só conhece o fenômeno e nunca a coisa em si (incognoscível) - intuição;
* as categorias são princípios constitutivos do conhecimento: validade e utilização delas é limitada ao material sensível - entendimento;
* os conceitos ou idéias que superam esta ligação de categorias com o dado da intuição tem uma função meramente reguladora - razão.
O conhecimento está necessariamente referido à experiência. Deus e alma são idéias, uma construção necessária da razão enquanto poder racional de totalidade, à qual não corresponde uma existência concreta. Ora, sendo que o conhecimento só é possível pela aplicação das categorias aos objetos sensíveis, e não tendo estas idéias uma existência real (sensível), é impossível conhecê-las teoricamente. Mas é possível pensá-las no âmbito da moralidade.

4.1.  CONTRADIÇÃO DA RAZÃO

Quando a razão se ocupa só de seus conceitos, sem referência à experiência, acaba caindo em contradição. Porque, por um lado, ela exige chegar a um ser supremo que explique todos os seres finitos (Deus); por outro lado, a razão não pode conhecê-lo porque o conhecimento está referido necessariamente a experiência (onde Deus não entra). A razão tem a idéia de Deus e da alma e precisa dela como princípio regulativo do todo. Porém, a razão não se contenta com a idéia de Deus, introduzindo Nele a pergunta pela sua origem, assim, vai ao infinito. Deste modo, se por um lado, não pode ficar satisfeita com ele (porque sempre transcendo), então, mostra-se que ela cai num abismo, diante do qual tem que deter-se.
4.2.  A FINITUDE DA RAZÃO

A razão percebe seu poder (de auto-conhecimento como auto-limitação) e também a sua limitação. Em relação aos objetos metafísicos, mostra-se sem apoio, sem base.  Em Kant, a razão é finita porque permanece claramente referida aos objetos da possível experiência. Fora desta, não há conhecimento.
Kant atribui à subjetividade uma importância maior que Descartes (ela que constrói o conhecimento) e ao fazer isso conhece também sua finitude: ela não pode conhecer o verdadeiro ente metafísico, Deus.
a) O primeiro significado está na conexão total da investigação da natureza (conhecimento) isto é, Kant nos ensina a ver a natureza como se tivesse surgido de um princípio supremo, enquanto, este consegue unidade na consideração da natureza. O conceito de Deus como idéia da razão é, pois, um princípio regulativo que permite ver toda ligação no mundo como se seguisse de uma causa necessária. Ele se torna um puro conceito condutor da investigação do mundo.
b) A razão teórica não pode chegar a Deus como ser supremo, com isso, Deus não pode ser nem afirmado, nem negado pela razão teórica. A partir de onde alguém o faria?
c) Na hipótese de que houvesse outro caminho para chegar a Deus, a razão teórica poderia impedir que se pense o conceito de Deus de modo inadequado (como objeto), exercendo uma função crítica e purificadora dos possíveis caminhos para chegar a Deus.
Assim, Kant acaba com o Deus dos filósofos (metafísica racionalista que fez de Deus objeto). O único que resta deste Deus é só uma idéia da razão. Mas isso é decisivo para Kant: pois, porque há uma idéia de Deus, se pode chegar à crença em Deus. "Tive que suprimir o saber para abrir lugar da crença."

4.3. A INCONDICIONALIDADE DA LIBERDADE

Se o incondicionado é um conceito problemático no âmbito da razão teórica, no uso prático da razão é diferente. Aqui nos encontramos com o incondicionado da lei moral, que não é um objeto que se possa apreender com os meios do entendimento, mas simplesmente o incondicionado da práxis. É a pessoa mesma que coloca em si exigências incondicionais, pois, a pessoa pode determinar-se para o agir pela livre vontade. Se a totalidade não é dada a razão especulativa surge a possibilidade de realizá-la praticamente na história, como obra da liberdade do ser humano. A totalidade a realizar inclui na história duas dimensões: política e religião. A liberdade que se realiza na relação política inter-humana só chega a sua consumação na religião (em termos de esperança). Deus surgirá como aquele Absoluto de quem o ser humano pode esperar a consumação da sua liberdade.

4.4. A LEI MORAL

Kant concebe a liberdade como um incondicionado. A razão não se esgota na sua atividade teórica do conhecimento. Ela é também razão prática, isto é, pode determinar a liberdade de incondicionalmente sem qualquer referência a fatos empíricos. Tal incondicionalidade da liberdade é a lei moral, que é o único fato da razão pura. Fundamenta tudo e por nada é fundamentada. É um fato. Sendo incondicionada, a liberdade nunca se realiza totalmente. Ela é uma tarefa, um dever-ser. E o ser humano se percebe como humano justamente quando se capta como o ser que deve realizar-se absolutamente. Tal exigência é o dever, a necessidade de uma absoluta auto-realização.

4.5. AUTONOMIA DA LIBERDADE

Em Kant, este incondicionado não é Deus, portanto, nem na razão pura teórica, nem na razão prática. A auto-fundamentação transcendental da consciência e da liberdade é pensada autonomamente, sem recurso a Deus. Esta autonomia da liberdade significa: a) negativamente: negação de toda determinação alheia vinda de fora; b) positivamente: autodeterminação segundo a lei da razão. O ser humano é pessoa por esta autonomia que lhe dá a dignidade de ser em si mesmo um valor absoluto.

4.6. A REALIZAÇÃO MORAL DA LIBERDADE

A lei moral (dever-ser da liberdade) é o único fundamento de toda determinação da liberdade. Mas esta lei deve determinar não só a liberdade, mas o ser humano todo é também um ser sensível de instintos e inclinações. A realização da liberdade é, pois, uma tarefa a realizar no mundo. Como se dá isso?

4.7.O SUPREMO BEM

A realização da liberdade se apresenta sob duas condições: na forma de virtude e de felicidade, elementos reunidos no realização do Supremo Bem.
Em que consiste? A lei moral é o fundamento da liberdade. A liberdade deve fazer daquela a sua única máxima da ação. Tendo que realizar-se no mundo, a primeira norma que dirige a realização da liberdade será a submissão da natureza sensível do ser humano à lei moral. Esta submissão se dá na forma de virtude, como firme propósito de resistir às inclinações naturais humanas. O Supremo Bem é o fim último possível de ser alcançado pela liberdade no mundo. O ser humano se coloca o dever de se realizar absolutamente. Busca isso pela ação. Cada ação tem um fim. Ao último dos fins Kant chama de Supremo Bem. Só alcançando-o a liberdade se realizará. Assim, o Supremo Bem é definido a priori pela lei.
O Supremo Bem deve conter em si a virtude e a felicidade. Virtude: o Supremo Bem contém em primeiro lugar a virtude, o bem primeiro, como condição de tudo que possa parecer bom e desejável. Felicidade: a liberdade, enquanto está afetada por inclinações sensíveis e interesses aspira à felicidade, que é o estado de um ser de razão no mundo aquém na totalidade de sua existência, tudo vai conforme seu desejo e sua vontade. Portanto, o Supremo Bem deve incluir também a felicidade, que tem que ser concebida sob a condição da virtude.
O Supremo Bem só é possível como Supremo Bem da liberdade de todos. Consiste, pois, na felicidade conforme a cada um, universal e unida também no todo do mundo com a moralidade mais pura. Como tal, propõe ao ser humano a realização da unificação da moralidade e natureza segundo a lei da liberdade.
A unidade moralidade/felicidade (ideal de perfeição) é prescrita como dever, pela lei moral. Se é dever, deve também ser possível. Como?
Limites da razão da realização da unidade: A razão teórica é impotente para realizar tal unidade, pois ela se ocupa da natureza. A razão prática também não parece impotente por três razões:
Primeira: A liberdade se regula pela lei moral, diferente das leis naturais e por isso não pode determinar a natureza sensível do ser humano.
Segunda: É a liberdade, regida pela lei moral, que deve submeter a natureza sensível, sendo causa da felicidade.
Terceira: Se a liberdade se corrompe pelo mal e pelo mal universal e institucionalizado, como poderá ainda realizar o Supremo Bem? Se o indivíduo vive no reino do mal, nele os homens se corrompem mutuamente na sua disposição moral.
Temos desenhado o processo a realizar: da moral surge um fim que inclui nele o ser humano na sua incondicionalidade e na sua sensibilidade. A relação entre o mundo inteligível, determinado pelo absoluto da lei moral, e o mundo histórico (sensível), determinável pela moralidade, é caracterizada pela tensão insuprível entre a idéia e a experiência. A tarefa da religião é realizar a idéia na experiência. Entre a idéia e a experiência há um espaço no qual se realiza o drama da história humana. E a consideração filosófica que dirige esta tensão em direção para a sua consumação é a teleologia. O fim da natureza é a humanidade na sua completa perfeição moral. A presença do mal agrava este drama, pois o inimigo não é só a sensibilidade própria, constituída pela liberdade em princípio determinante, mas o mal de todos que publicamente erige seu reino num estado de natureza ética. A realização da perfeição moral da humanidade residirá não só nas ações externas boas conforme à lei moral, também não só na atitude moral interna isolada do indivíduo, mas no bem no fenômeno, isto é, no bem realizado na história. Assim, a teleologia com a qual Kant concebe a história das ações humanas surge arqueologicamente de um dever incondicional e se dirige para uma escatologia realizada assintoticamente na esperança.
Deus entra no horizonte da razão prática, isto é, da ação e da liberdade: no horizonte da realização da liberdade (porque: Deus garante a realização da liberdade). Deus surge como aquele que me permite ver a possibilidade da realização da liberdade - consuma a liberdade. Isto é, Deus surge em termos de esperança. O Deus que surge é um Deus funcional: é o ser humano que determina qual a função de Deus.

V. FILOSOFIA CONTEMPORÂNEA

1. MARTIN HEIDEGGER (1889 – 1976) – A METAFÍSICA OCIDENTAL COMO “ESQUECIMENTO DO SER”

“A existência humana não é um simples fato: ela articula, no próprio ato da sua manifestação, a questão do Ser. Existir é habitar estatisticamente na verdade do Ser. Pensar é descobrir reflexivamente o caminho do Ser”.

Heidegger afirma que a filosofia Ocidental procurou o sentido do Ser indagando os entes. Assim, a metafísica clássica é a filosofia do esquecimento do Ser, pois, quando os filósofos clássicos tentaram definir o Ser, na verdade definiram o ente.
O problema fundamental da filosofia de Heidegger não é o ente (ser humano), mas a questão do Ser. Heidegger afirma que a questão que lhe preocupa não é a existência do ser humano, e sim a questão do ser em seu conjunto, do ser em geral. Um dos objetivos de sua obra Ser e tempo é investigar o sentido do ser. Para isso, começou investigando o Ser que nós próprios somos. A pergunta central de Heidegger é ‘qual é o sentido do Ser?’ Ele substitui a pergunta dos filósofos clássicos: ‘o que é o Ser’?
O ponto de partida para determinar o ser do ente em geral é o Dasein (ser aí). Pois de todos os entes, o ser humano é o único ao qual é exigida uma solução para o problema do existir. O Dasein é a existência, é um poder ser. O Dasein é o único que pergunta, é o único capaz de questionar o sentido do ser. Questionar é ir na raiz, é procurar o ente naquilo que ele é e como é. A aparente gratuidade do existente é o sinal da presença do ser-no-mundo. O ser-no-mundo é a condição fundamental do ser humano mesmo em sua humanidade. Este é o primeiro existencial. Para Heidegger, o verdadeiro mundo não é o da contemplação ou da ação, mas o da presença.
O segundo existencial é o ser-com-os-outros, pois, assim como não há sujeito sem mundo, também não há sujeito isolado dos outros. O ser-no-mundo manifesta o assumir o cuidado com as coisas, e o ser-com-os-outros se exprime em ter cuidado com os outros.
O terceiro existencial é o ser-para-a-morte. A voz da consciência chama o ser humano à existência autêntica. Isto remete o ser humano do plano ôntico ao ontológico, do existensivo ao existencial. O que faz entender que a morte é uma possibilidade de existência: a morte é a possibilidade de que todas as outras possibilidades se tornem impossíveis. A morte mostra o fim de todo projeto. A compreensão da possibilidade da morte como impossibilidade da existência faz o ser humano encontrar seu ser autêntico.
O ser-para-a-morte é angústia, que é experiência reveladora do nada. A angústia põe o ser humano diante do nada, isto é, do não-sentido de todos os projetos humanos e da própria existência. Viver autenticamente é ter coragem, de olhar para a possibilidade do não ser. O futuro é um viver-para-a-morte.


2. POR UMA ÉTICA DA ALTERIDADE COMO FILOSOFIA PRIMEIRA – EMMANUEL LÉVINAS (1905 – 1995) E A FENOMENOLOGIA DO ROSTO DO OUTRO

“O Rosto do Outro é o princípio mesmo da filosofia”. (Lévinas)

“Quem é o filósofo? É alguém que vive sem saber aonde vai chegar, que não sabe de onde partir, que sem saber de onde vem e para onde vai se vê jogado diante de um Rosto aquém e além do Ser”. (Lévinas)

Lévinas faz uma fenomenologia do existente. Ele analisa a noção de existência em Heidegger, e mostra como um existente surge da existência neutra, anônima, impessoal. A existência é o Ser em geral. É um absurdo, é uma tragédia, porque, a existência (verbalidade do Ser) acontece independente do existente. Para Lévinas, a existência é o mal do Ser. Basta imaginar os campos de concentração: milhares de pessoas morrem, mas o Ser continua, isto é, milhares de existentes morrem, mas a existência continua, permanece. Por isso, “o Ser é o absurdo do Ser”.
O primeiro passo de Lévinas é recuperar o existente na existência. A existência é experiência do não-sentido. O existente sai da existência e quebra a neutralidade do Ser. O Ser é puro não-sentido e quem dá sentido é o existente, ou seja, o ser humano. E só na relação inter-humana, na epifania do Rosto do outro é que o existente rompe com o não-sentido, isto é, com o Ser.

2.1. O ROSTO DO OUTRO NOS VEM AO ENCONTRO E NOS DIZ: “TU NÃO MATARÁS”

O Rosto do outro não é um objeto que eu possa agarrá-lo. Eu não tenho poder sobre o outro: “Se se pudesse possuir, agarrar e conhecer o outro, ele não seria mais outro. Possuir, conhecer, agarrar são sinônimos de poder”. No face-a-face, o outro se dá e se retira: “O outro enquanto outro não se torna um objeto que pode ser nosso: pelo contrário, ele se retira em seu mistério”. O outro se retira por medo de ser engolido. Todas as vezes que o Eu tenta aprisionar o Outro, ele se retira.
O outro é “Dom” que se dá, se doa. Quem se dá, não dá para destruir, para matar, por isso, a relação com o Rosto do outro é imediatamente ética. O Rosto do outro vem ao teu encontro e diz: “Tu não matarás”, isto é, “AMA-ME, cuida de mim, não me mate”. “O essencial à erótica é que a alteridade diz: ‘não matarás!’ por meio do Rosto. Significativa irradiação ética do erotismo e na libido pelos quais a humanidade entra na sociedade a dois, sociedade que a irradiação ética mantém”. O outro não me destrói, porque quem se doa não aparece para destruir. Ele me aliena, porque eu não posso poder sobre ele. Ele me doa a sua face e confirma o meu existir.
O outro é mistério, é absoluta nudez. “O outro enquanto outro não é somente um Outro Eu: ele é aquilo que eu não sou. Ele é, por exemplo, o fraco, o pobre, a viúva e o órfão, enquanto eu sou o rico ou o poderoso”.

“A estrutura da minha liberdade é completamente revirada quando encontro com o Rosto do outro”. Lévinas
Caixa de texto: “O verdadeiro desejo é aquele que o desejado não preenche, mas cava”. Lévinas 




[1] Cf. GAARDER, J. O mundo de Sofia: Romance da história da filosofia. São Paulo: Companhia das Letras, 1996, p. 24.
[2] Cf. ANTISERI, D. e REALE, G. História da Filosofia: Filosofia pagã antiga. São Paulo: Paulus, 2004, p. 12.
[3] ANTISERI, D. e REALE, G. Op. Cit.p. 13.
[4] Cf. GAARDER, J. Op. Cit. P, 26.
[5] GAARDER, J. Op. Cit. P. 31.
[6] LAERTIOS, D. Vidas e doutrinas dos filósofos ilustres. Brasília: Universidade de Brasília, 1988.
[7] PLATÃO. A República. (adaptação de Marcelo Perine). São Paulo: Scipione, 2002, p. 83-86.
[8] Conforme Giovanni Reale, a quem acompanhamos de perto neste resumo da ética aristotélica, a mais elevada virtude dianoética, segundo Aristóteles, é a sapiência (“sophia”): cf. REALE, Giovanni. História da filosofia antiga. Volume II: Platão e Aristóteles. p.419. Para o padre Vaz, porém, a principal virtude intelectual, segundo Aristóteles, é a sabedoria (“phronesis”): cf. VAZ, Henrique C. de Lima. Escritos de filosofia IV; Introdução à ética filosófica 1. p.239).
[9] Extraído de ADAS, Sérgio. Filosofia em sala de aula: Cadernos de exercícios 5.
[10] EPICURO. Carta sobre a felicidade: a Meneceu. Tradução de Álvaro Lorencini e Enzo Del Carrote. São Paulo: UNESP, 2002, p. 39.
[11] MORAES, J. Q. Epicuro: as luzes da ética. São Paulo: Moderna,1998.
[12] Conforme Giovanni Reale, a quem acompanhamos de perto neste resumo da ética aristotélica, a mais elevada virtude dianoética, segundo Aristóteles, é a sapiência (“sophia”): cf. REALE, Giovanni. História da filosofia antiga. Volume II: Platão e Aristóteles. p.419. Para o padre Vaz, porém, a principal virtude intelectual, segundo Aristóteles, é a sabedoria (“phronesis”): cf. VAZ, Henrique C. de Lima. Escritos de filosofia IV; Introdução à ética filosófica 1. p.239).
[13] Extraído de ADAS, Sérgio. Filosofia em sala de aula: Cadernos de exercícios 5.
[14] EPICURO. Carta sobre a felicidade: a Meneceu. Tradução de Álvaro Lorencini e Enzo Del Carrote. São Paulo: UNESP, 2002, p. 39.
[15] MORAES, J. Q. Epicuro: as luzes da ética. São Paulo: Moderna,1998.
[16] Atividade extraída de: ADAS, Sérgio. Filosofia na sala de aula: cadernos de exercício 5 [encarte da revista Filosofia: ciência & vida].
[17] Idem
P� zun o � �@ mo Bem deve incluir também a felicidade, que tem que ser concebida sob a condição da virtude.
O Supremo Bem só é possível como Supremo Bem da liberdade de todos. Consiste, pois, na felicidade conforme a cada um, universal e unida também no todo do mundo com a moralidade mais pura. Como tal, propõe ao ser humano a realização da unificação da moralidade e natureza segundo a lei da liberdade.
A unidade moralidade/felicidade (ideal de perfeição) é prescrita como dever, pela lei moral. Se é dever, deve também ser possível. Como?
Limites da razão da realização da unidade: A razão teórica é impotente para realizar tal unidade, pois ela se ocupa da natureza. A razão prática também não parece impotente por três razões:
Primeira: A liberdade se regula pela lei moral, diferente das leis naturais e por isso não pode determinar a natureza sensível do ser humano.
Segunda: É a liberdade, regida pela lei moral, que deve submeter a natureza sensível, sendo causa da felicidade.
Terceira: Se a liberdade se corrompe pelo mal e pelo mal universal e institucionalizado, como poderá ainda realizar o Supremo Bem? Se o indivíduo vive no reino do mal, nele os homens se corrompem mutuamente na sua disposição moral.
Temos desenhado o processo a realizar: da moral surge um fim que inclui nele o ser humano na sua incondicionalidade e na sua sensibilidade. A relação entre o mundo inteligível, determinado pelo absoluto da lei moral, e o mundo histórico (sensível), determinável pela moralidade, é caracterizada pela tensão insuprível entre a idéia e a experiência. A tarefa da religião é realizar a idéia na experiência. Entre a idéia e a experiência há um espaço no qual se realiza o drama da história humana. E a consideração filosófica que dirige esta tensão em direção para a sua consumação é a teleologia. O fim da natureza é a humanidade na sua completa perfeição moral. A presença do mal agrava este drama, pois o inimigo não é só a sensibilidade própria, constituída pela liberdade em princípio determinante, mas o mal de todos que publicamente erige seu reino num estado de natureza ética. A realização da perfeição moral da humanidade residirá não só nas ações externas boas conforme à lei moral, também não só na atitude moral interna isolada do indivíduo, mas no bem no fenômeno, isto é, no bem realizado na história. Assim, a teleologia com a qual Kant concebe a história das ações humanas surge arqueologicamente de um dever incondicional e se dirige para uma escatologia realizada assintoticamente na esperança.
Deus entra no horizonte da razão prática, isto é, da ação e da liberdade: no horizonte da realização da liberdade (porque: Deus garante a realização da liberdade). Deus surge como aquele que me permite ver a possibilidade da realização da liberdade - consuma a liberdade. Isto é, Deus surge em termos de esperança. O Deus que surge é um Deus funcional: é o ser humano que determina qual a função de Deus.

V. FILOSOFIA CONTEMPORÂNEA

1. MARTIN HEIDEGGER (1889 – 1976) – A METAFÍSICA OCIDENTAL COMO “ESQUECIMENTO DO SER”

“A existência humana não é um simples fato: ela articula, no próprio ato da sua manifestação, a questão do Ser. Existir é habitar estatisticamente na verdade do Ser. Pensar é descobrir reflexivamente o caminho do Ser”.

Heidegger afirma que a filosofia Ocidental procurou o sentido do Ser indagando os entes. Assim, a metafísica clássica é a filosofia do esquecimento do Ser, pois, quando os filósofos clássicos tentaram definir o Ser, na verdade definiram o ente.
O problema fundamental da filosofia de Heidegger não é o ente (ser humano), mas a questão do Ser. Heidegger afirma que a questão que lhe preocupa não é a existência do ser humano, e sim a questão do ser em seu conjunto, do ser em geral. Um dos objetivos de sua obra Ser e tempo é investigar o sentido do ser. Para isso, começou investigando o Ser que nós próprios somos. A pergunta central de Heidegger é ‘qual é o sentido do Ser?’ Ele substitui a pergunta dos filósofos clássicos: ‘o que é o Ser’?
O ponto de partida para determinar o ser do ente em geral é o Dasein (ser aí). Pois de todos os entes, o ser humano é o único ao qual é exigida uma solução para o problema do existir. O Dasein é a existência, é um poder ser. O Dasein é o único que pergunta, é o único capaz de questionar o sentido do ser. Questionar é ir na raiz, é procurar o ente naquilo que ele é e como é. A aparente gratuidade do existente é o sinal da presença do ser-no-mundo. O ser-no-mundo é a condição fundamental do ser humano mesmo em sua humanidade. Este é o primeiro existencial. Para Heidegger, o verdadeiro mundo não é o da contemplação ou da ação, mas o da presença.
O segundo existencial é o ser-com-os-outros, pois, assim como não há sujeito sem mundo, também não há sujeito isolado dos outros. O ser-no-mundo manifesta o assumir o cuidado com as coisas, e o ser-com-os-outros se exprime em ter cuidado com os outros.
O terceiro existencial é o ser-para-a-morte. A voz da consciência chama o ser humano à existência autêntica. Isto remete o ser humano do plano ôntico ao ontológico, do existensivo ao existencial. O que faz entender que a morte é uma possibilidade de existência: a morte é a possibilidade de que todas as outras possibilidades se tornem impossíveis. A morte mostra o fim de todo projeto. A compreensão da possibilidade da morte como impossibilidade da existência faz o ser humano encontrar seu ser autêntico.
O ser-para-a-morte é angústia, que é experiência reveladora do nada. A angústia põe o ser humano diante do nada, isto é, do não-sentido de todos os projetos humanos e da própria existência. Viver autenticamente é ter coragem, de olhar para a possibilidade do não ser. O futuro é um viver-para-a-morte.


2. POR UMA ÉTICA DA ALTERIDADE COMO FILOSOFIA PRIMEIRA – EMMANUEL LÉVINAS (1905 – 1995) E A FENOMENOLOGIA DO ROSTO DO OUTRO

“O Rosto do Outro é o princípio mesmo da filosofia”. (Lévinas)

“Quem é o filósofo? É alguém que vive sem saber aonde vai chegar, que não sabe de onde partir, que sem saber de onde vem e para onde vai se vê jogado diante de um Rosto aquém e além do Ser”. (Lévinas)

Lévinas faz uma fenomenologia do existente. Ele analisa a noção de existência em Heidegger, e mostra como um existente surge da existência neutra, anônima, impessoal. A existência é o Ser em geral. É um absurdo, é uma tragédia, porque, a existência (verbalidade do Ser) acontece independente do existente. Para Lévinas, a existência é o mal do Ser. Basta imaginar os campos de concentração: milhares de pessoas morrem, mas o Ser continua, isto é, milhares de existentes morrem, mas a existência continua, permanece. Por isso, “o Ser é o absurdo do Ser”.
O primeiro passo de Lévinas é recuperar o existente na existência. A existência é experiência do não-sentido. O existente sai da existência e quebra a neutralidade do Ser. O Ser é puro não-sentido e quem dá sentido é o existente, ou seja, o ser humano. E só na relação inter-humana, na epifania do Rosto do outro é que o existente rompe com o não-sentido, isto é, com o Ser.

2.1. O ROSTO DO OUTRO NOS VEM AO ENCONTRO E NOS DIZ: “TU NÃO MATARÁS”

O Rosto do outro não é um objeto que eu possa agarrá-lo. Eu não tenho poder sobre o outro: “Se se pudesse possuir, agarrar e conhecer o outro, ele não seria mais outro. Possuir, conhecer, agarrar são sinônimos de poder”. No face-a-face, o outro se dá e se retira: “O outro enquanto outro não se torna um objeto que pode ser nosso: pelo contrário, ele se retira em seu mistério”. O outro se retira por medo de ser engolido. Todas as vezes que o Eu tenta aprisionar o Outro, ele se retira.
O outro é “Dom” que se dá, se doa. Quem se dá, não dá para destruir, para matar, por isso, a relação com o Rosto do outro é imediatamente ética. O Rosto do outro vem ao teu encontro e diz: “Tu não matarás”, isto é, “AMA-ME, cuida de mim, não me mate”. “O essencial à erótica é que a alteridade diz: ‘não matarás!’ por meio do Rosto. Significativa irradiação ética do erotismo e na libido pelos quais a humanidade entra na sociedade a dois, sociedade que a irradiação ética mantém”. O outro não me destrói, porque quem se doa não aparece para destruir. Ele me aliena, porque eu não posso poder sobre ele. Ele me doa a sua face e confirma o meu existir.
O outro é mistério, é absoluta nudez. “O outro enquanto outro não é somente um Outro Eu: ele é aquilo que eu não sou. Ele é, por exemplo, o fraco, o pobre, a viúva e o órfão, enquanto eu sou o rico ou o poderoso”.

“A estrutura da minha liberdade é completamente revirada quando encontro com o Rosto do outro”. Lévinas
Caixa de texto: “O verdadeiro desejo é aquele que o desejado não preenche, mas cava”. Lévinas 




[1] Cf. GAARDER, J. O mundo de Sofia: Romance da história da filosofia. São Paulo: Companhia das Letras, 1996, p. 24.
[2] Cf. ANTISERI, D. e REALE, G. História da Filosofia: Filosofia pagã antiga. São Paulo: Paulus, 2004, p. 12.
[3] ANTISERI, D. e REALE, G. Op. Cit.p. 13.
[4] Cf. GAARDER, J. Op. Cit. P, 26.
[5] GAARDER, J. Op. Cit. P. 31.
[6] LAERTIOS, D. Vidas e doutrinas dos filósofos ilustres. Brasília: Universidade de Brasília, 1988.
[7] PLATÃO. A República. (adaptação de Marcelo Perine). São Paulo: Scipione, 2002, p. 83-86.
[8] Conforme Giovanni Reale, a quem acompanhamos de perto neste resumo da ética aristotélica, a mais elevada virtude dianoética, segundo Aristóteles, é a sapiência (“sophia”): cf. REALE, Giovanni. História da filosofia antiga. Volume II: Platão e Aristóteles. p.419. Para o padre Vaz, porém, a principal virtude intelectual, segundo Aristóteles, é a sabedoria (“phronesis”): cf. VAZ, Henrique C. de Lima. Escritos de filosofia IV; Introdução à ética filosófica 1. p.239).
[9] Extraído de ADAS, Sérgio. Filosofia em sala de aula: Cadernos de exercícios 5.
[10] EPICURO. Carta sobre a felicidade: a Meneceu. Tradução de Álvaro Lorencini e Enzo Del Carrote. São Paulo: UNESP, 2002, p. 39.
[11] MORAES, J. Q. Epicuro: as luzes da ética. São Paulo: Moderna,1998.
[12] Conforme Giovanni Reale, a quem acompanhamos de perto neste resumo da ética aristotélica, a mais elevada virtude dianoética, segundo Aristóteles, é a sapiência (“sophia”): cf. REALE, Giovanni. História da filosofia antiga. Volume II: Platão e Aristóteles. p.419. Para o padre Vaz, porém, a principal virtude intelectual, segundo Aristóteles, é a sabedoria (“phronesis”): cf. VAZ, Henrique C. de Lima. Escritos de filosofia IV; Introdução à ética filosófica 1. p.239).
[13] Extraído de ADAS, Sérgio. Filosofia em sala de aula: Cadernos de exercícios 5.
[14] EPICURO. Carta sobre a felicidade: a Meneceu. Tradução de Álvaro Lorencini e Enzo Del Carrote. São Paulo: UNESP, 2002, p. 39.
[15] MORAES, J. Q. Epicuro: as luzes da ética. São Paulo: Moderna,1998.
[16] Atividade extraída de: ADAS, Sérgio. Filosofia na sala de aula: cadernos de exercício 5 [encarte da revista Filosofia: ciência & vida].
[17] Idem 


5 comentários:

  1. Se pudessem postar o gabarito das questões, ficaria muito grato.

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  2. Ok! Já adicionei o gabarito no final das questões.

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  3. parabéns pelo trabalho, filosofia é uma matéria incrível, todavia há poucos artigos na internet bem organizados. Mas este seu site é ótimo!

    #obrigado

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  4. Parabéns pelo blog professora! Está muito bem organizado e apresenta bons materiais!

    Gostaria de saber a fonte de onde foram tiradas as questões. Tenho tentado produzir questões de múltipla escolha para as minhas avaliações de filosofia. Não é uma tarefa fácil, pois sabemos que temos que fazer algo de nível equilibrado e seguindo certa metodologia (estou tentando adaptar algumas regras de "produção de itens" do SAEB).

    Estas questões vão me ajudar em muito a comparar o nível de dificuldade das questões que tenho tentando produzir e até mesmo podem servir de referência na produção de questões ou no uso delas em minhas avaliações.

    Deixo aqui também, com a sua permissão se possível, o endereço de meu blog, recém construído.

    http://filosofandonasaladeaula.blogspot.com/

    Grato por tudo!

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  5. naaoooooooooo tem gabaritoooooooooooooooooooo :(((

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